Adriana Marques conta sua busca pelo manto sagrado dos Sadhus

O projeto, que mostra sua viagem mística à Índia, transformou-se em livro e em uma exposição no Pé Palito Antiquário

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/11/2017 07:30

Arquivo Pessoal

 
Uma série de coincidências levou a artista Adriana Marques às obras da exposição O manto de Sadhu — Uma viagem mística à Índia. Primeiro, veio uma visão. Adriana preparava uma exposição e, sem muita explicação, se deparou com a imagem de um manto de tecido branco com o desenho de uma cadeira no centro. O manto estava em frente a uma galeria e Adriana teve a certeza de que precisava trabalhar a simbologia desse conjunto. A cadeira, para a artista, é um dos objetos mais generosos inventados pelo homem. “Ela recebe e acolhe qualquer pessoa. É o objeto no qual se guarda mais memórias: há muitas histórias ali sobre quem sentou”, repara. Alguns dias depois da visão, a artista recebeu um telefonema de uma amiga com um convite para ir à Índia. Sem dinheiro, recusou. Dois dias depois, vendeu um trabalho, pago à vista, e decidiu que era um sinal forte para que embarcasse.

Assim tem início a história contada na exposição e em livro homônimo, que a autora lança hoje  com a abertura da mostra na Pé Palito Antiquário & Arte, no Shopping Iguatemi. Narrado em primeira pessoa, o livro vai além da Índia e mergulha no universo criativo da artista. As memórias da infância, os primeiros passos na arte, as histórias da família estão contadas em 13 capítulos dos quais alguns são dedicados à viagem de 21 dias realizada em maio de 2015. “Falo sobre compaixão, autoconhecimento, medo, depressão, sobre não pedir ajuda e sobre a necessidade de pedir ajuda”, conta a autora.
 

A viagem à Índia surgiu de um desejo antigo. Adriana é budista, foi professora de meditação durante dois anos e sempre quis conhecer o país. A ideia de ir em busca do manto sagrado de um Sadhu ajudou a concretizar o sonho. Os homens Sadhus são andarilhos considerados entidades místicas capazes de energizar e limpar os locais pelos quais passam. Adriana escolheu visitar Vrindavan e Rishikesh. A primeira é uma cidade relativamente pequena onde o deus Krishna teria nascido enquanto a segunda é conhecida pela grande quantidade ashram e já foi batizada como capital da yoga. A artista não frequentou nenhum ashram nem está ligada a nenhum dos gurus contemporâneos populares na cidade e no mundo, mas a relação com o budismo a levou a frequentar templos e a mergulhar na cultura local.

Fertilidade

Um dia, enquanto passeava por uma estrada em Rishikesh, encontrou um Sadhu sentado à beira da estrada próximo a uma cerca na qual havia um manto pendurado. Em português, perguntou se podia levar o tecido. “Minha amiga falou que ele não estava entendendo nada porque eu estava falando em português, mas eu expliquei que não estava falando com a boca, estava falando com o coração”, conta Adriana. É desse manto que nascem as 20 obras expostas na galeria.

Adriana criou telas em formato grande a partir de fotografias de paisagens rurais realizadas durante a viagem. Em algumas das pinturas, as cadeiras são representações fortes e muito presentes. Temas como o resgate do feminino também são constantes nas telas de Adriana a pautaram boa parte da viagem. “A redescoberta do feminino, que é uma coisa pela qual o mundo inteiro está passando, da fertilidade, da criatividade e da força feminina foram muito fortes”, explica a artista, que faz questão de explicar que não foi à Índia em busca de autoconhecimento, embora esse caminho tenha se apresentado naturalmente. “Tive experiências muito fortes”, garante.

Sadhu – Uma viagem mística à Índia
Exposição de Adriana Marques. Abertura hoje, às 19h, na Pé Palito Antiquário & Arte (Shopping Iguatemi).Visitação até 10 de dezembro, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 14h às 20h.


Sadhu – Uma viagem mística à Índia
De Adriana Marques. Edição independente, 19 páginas. R$ 35. Lançamento hoje, às 19h, na Pé Palito Antiquário & Arte (Shopping Iguatemi).
 
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.