O mercado que transforma crianças em pequenos milionários

Atores e atrizes mirins chegam a ganhar milhões em séries, filmes e programas de TV

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postado em 22/11/2017 07:30 / atualizado em 22/11/2017 13:57

 
 
Frazer Harrison/AFP - 13/8/17
Você se surpreenderia saber que o valor do salário de uma pessoa foi de R$ 882,900 mil? E se for revelado que essa pessoa foi uma garotinha de 13 anos, o espanto  aumenta. A arrecadação da atriz mirim Millie Bobby Brown em 2017, na série Stranger Things, divulgada pelo portal The Hollywood Reporter no último mês mostrou que idade não é limite para poder, e deixa claro: as crianças e pré-adolescentes estão no topo do sucesso.

E se Millie já surpreende, é importante lembrar que Stranger Things não tem apenas uma jovem em seu elenco. Pelo contrário, Gaten Matarazzo (Dustin) — com 15 anos, Finn Wolfhard (Mike) —com 14 anos e Caleb McLaughlin (Lucas) — com 16 anos, completam o time de milionários da série. Cada um ganhou U$ 30 mil por episódio na produção, totalizando cerca de R$ 1,6 milhão para cada, em duas temporadas produzidas. E a bonança não para por aí: a Netflix, responsável pela produção, já renovou Stranger Things para mais duas temporadas, e os salários dos atores serão renegociados, podendo ter seus valores até dobrados.


No cinema 

Famoso por interpretar um garotinho sequestrado no filme O quarto de Jack, o pequeno Jacob Tremblay é outro que —além de talento — arrecadou, até os 11 anos de idade, uma quantia que muitos não conseguiriam acumular durante a vida: cerca de U$ 200 mil, de acordo com o portal Monet. Mas em relação à arrecadação, Tremblay não é páreo para Max Charles que, com participações nos filmes Os três patetas, O espetacular Homem-Aranha e Sniper Americano, já conseguiu um montante de U$ 13 milhões. Charles tem apensas 14 anos de idade.

Frederick M. Brown/AFP  - 14/11/17


Cenário brasileiro

E o mercado brasileiro não foge à regra do poder infantil dentro da indústria do entretenimento. As jovens Maísa e Larissa Manoela, estrelas do SBT, ganham cerca de R$ 30 mil por mês de salário, mas isso não chega nem perto do total que as duas podem fazer. Larissa Manoela, com apenas 16 anos, tem um faturamento de cerca de R$ 3, 6 milhões por ano. Isso se contabilizado os ganhos com shows, salários, presenças VIPs, desfiles, venda de produtos (a jovem tem seu nome em batons, almofadas, bolsas, sapatos, esmaltes, brinquedos, cadernos e mais) e um trunfo que nem mesmo os jovens de Stranger Things exercem tanto, a publicidade via rede social: cada “post-propaganda” vale de R$ 5 a R$ 25 mil. Maísa, com 15 anos, tem rendimento semelhante à sua companheira de canal. Os dados são da jornalista Keila Jimenez.


Youtubers mirins?

E quem pensa que os pequenos arrecadam apenas na sorte de uma carreira na TV, cinema ou comercial, se engana. Os youtubers mirins (crianças que se dedicam a realizar vlogs por meio da plataforma YouTube) estão com tudo e refletem uma realidade de enorme público. Dentre vários garotos e garotas, a menina Maria Eduarda, de apenas 8 anos, chama a atenção ao ser a responsável pelo canal Duda Monster High, que conta com quase 7 mil inscritos. O vídeo mais popular de Duda — em que a garotinha brinca com uma casa de boneca — já rendeu 32, 321, 191 milhões de visualizações, uma audiência digna de horário nobre.


A fama é saudável?

A professora Laércia Abreu Vasconcelos, do Departamento de Processos Psicológicos Básicos, da Universidade de Brasília, observa que a presença de crianças e pré-adolescentes em produções de entretenimento envolve custos e benefícios, cabendo analisar cada caso. “Muitas crianças estão entrando em uma formação nas áreas de teatro e têm participado em diferentes programas televisivos, filmes e séries. A velocidade dessas novas inserções nos impõe a necessidade de pesquisa quanto ao desenvolvimento dessas crianças e adolescentes. É necessário evitarmos posturas de crítica extrema, assim como de irrestrita aceitação de uma intensa inserção desta natureza”, aponta.

Laércia conclui que o contato de crianças e pré-adolescentes com a fama e o dinheiro se torna um problema a partir do momento em que os jovens têm sua rotina, suas atividades lúdicas, alteradas drasticamente. “A participação de crianças no contexto da indústria de entretenimento deve cuidar de forma que tenham apoio familiar e que possam seguir com sua formação escolar, com um processo educativo amplamente considerado. É necessário cuidarmos para que o período da infância tenha condições adequadas de transcorrer — que a criança possa ser criança, possa brincar, interagir com amigos e com seus familiares. Que o adolescente possa ser adolescente e não responsável por famílias”.

Reprodução/Internet

Perigo

Alguns exemplos mostram na prática os perigos da exposição à fama e à fortuna em idade tenra. O ator Brad Renfro foi um dos que alcançou grande sucesso ao participar das produções O cliente, A Bela Adormecida e o O Aprendiz. Com apenas 15 anos, o jovem foi preso por porte de drogas e depois por tentativa de roubo. Renfro morreu com apenas 25 anos por overdose.

Entre os mais famosos, o ator Macaulay Culkin é um exemplo de criança que esteve na frente do olho público desde muito cedo. Com apenas 11 anos, o jovem estrelou a comédia Esqueceram de Mim. Após passar uma pré-adolescência em frente às câmaras, Culkin foi preso aos 25 anos por porte de drogas.

*Estagiáriosob a supervisão de Severino Francisco
 
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