O terror que dá lucro nas telonas

Filmes do gênero são sucesso de bilheteria, como It - A coisa, que atingiu a bagatela de US$ 324 milhões

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postado em 28/11/2017 07:15 / atualizado em 28/11/2017 08:57

Warner/Divulgação
 
 
A clássica ideia de que um jovem casal vai assistir a um filme meloso e romântico no seu primeiro encontro está, cada vez mais, ficando no passado. Se depender dos números que o gênero do terror apresentou em 2017, o sangue e os sustos estão se tornando o novo hit do momento, pois, de acordo com a ComScore — agência que mede os números de bilheteria do gênero —, as produções de horror conseguiram alcançar a histórica marca de US$  1 bilhão no mundo em 2017. Mas o que pode ter feito este ano ser tão importante para os filmes de terror— a ponto de levá-los a esse bilhão?

Este 2017 ficou marcado como o ano que reuniu importantes títulos, que não só chamaram a atenção dos fãs do gênero, mas conseguiram marketing em grandes mídias. Em resumo: o terror saiu do mercado underground e ganhou o mainstream.

Longas como It — A coisa, Fragmentado e Annabelle atraíram a atenção de um público que não está tão antenado na produção de terror e fizeram os números atingirem recordes históricos. It — A coisa atingiu a bagatela de US$  324 milhões ao longo de sua exibição no mundo, se tornando o filme com classificação indicativa de 18 anos mais assistido durante toda a história do cinema. Ainda não está impressionado o suficiente? O filme teve um custo total de apenas US$ 35 milhões.

E se o filme do palhaço Pennywise já marcou história pela grande arrecadação, a produção Corra! surpreende pelo lucro obtido. O longa independente custou somente US$ 9 milhões, mas conseguiu arrecadar US$  252, 4 milhões durante sua exibição. O retorno foi de 610%, um dos maiores do ano.

Tanto Corra! quanto Fragmentado fazem parte da produtora Blumhouse. Juntas, as duas produções conseguiram US$  313 milhões — ainda de acordo com a ComScore. Annabelle 2 — A criação do Mal foi outra a ir muito bem no quesito bilheteria, conseguindo sozinha US$  102 bilhões. A título de comparação, a melhor estreia de 2016 foi o filme A invocação do mal 2, que conseguiu o mesmo valor de Annabelle 2 neste ano: US$ 102 milhões.

Lucas Dantas, 24 anos, é um fã das produções de terror e este ano foi ao cinema quatro vezes só para assistir às produções do gênero. Como muitos, o estudante de Relações Internacionais foi ver It — A coisa, e constatou: a mobilização do público realmente impulsionou o sucesso dos filmes de terror. “Acho que houve um crescimento dos números da bilheteria do cinema por conta da promoção e o maior marketing que tem sido investido voltado ao gênero”, defendeu Dantas.

Em entrevista ao Correio sobre a posição de terror nos cinemas brasileiros, o diretor brasiliense Armando Fonseca aponta que o sucesso dos filmes do gênero também se dá pela maior qualidade técnica empreendida. “Vale muito mais o contexto que você dá ao efeito, do que só o efeito em si. Só vai funcionar se você tiver um ângulo, uma boa história. Existem mais pessoas querendo assistir a terror, e isso não é só um entusiasta falando, é a constatação de um nicho com público que pode ser mais explorado”, explicou.

Ainda é cedo para afirmar se 2017 foi um ponto fora da curva para o gênero do terror ou uma tendência, mas a expectativa é que essa pergunta seja respondida em breve, afinal outros títulos estão chegando às telonas. O novo Jogos mortais, por exemplo, estreia no final de novembro no Brasil e dará mais dicas sobre o poder de arrecadação do gênero.

Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco.
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