89ª Feira do Troca reúne comidas típicas, ações culturais e artesanato

A feira, que acontece no povoado de Olhos D'água, próximo a Alexânia-GO, surgiu na década de 1970 e atrai brasilienses de todas as idades

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postado em 28/11/2017 18:09 / atualizado em 30/11/2017 16:44

Carlos Vieira/Esp. CB/D.A Press

 

Bom programa para este fim de semana: a apenas 100 quilômetros de Brasília acontece a 89ª Feira do Troca, no povoado de Olhos D'água, próximo a Alexânia-GO. Tome a BR-060 e vai encontrar comidas típicas como galinha caipira com pequi, uma boa mistura de manifestações artísticos-culturais, de orquestras de violeiros a dança da catira, forró, bailão caipira, teatro de mamulengos e, muito, muito artesanato de qualidade, disposto em banquinhas na praça da Matriz.



A ideia do escambo surgiu na década de 1970, entre amigos pesquisadores do cerrado, encantados com a produção de bom artesanato, produzidos pelos moradores no intervalo das plantações de subsistência. Como o dinheiro circulava pouco, e a carência de objetos urbanos era geral, o grupo liderado pelos professores Armando Farias e Laís Aderne criou a feira, convidando brasilienses a trocarem roupas, sapatos, utensílios de cozinha por bonecas de pano, de barro, cestos, bordados, cabaças, bichos de madeira, antiguidades, tapetes e outras peças de tear.

“Eu vou à feira há anos, porque é um lugar de encontro de muita gente legal, com um monte de eventos acontecendo. O que me chama mais é o artesanato, a cada ano mais delicado e caprichoso, de bonecas de barro a bijuterias, móveis rústicos”, conta a gerente de banco Christina Loureiro, 60 anos, já programada para ir com a família na sexta-feira, dia 1º de dezembro.

 

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Com o tempo, o tipo original de troca deu lugar à preferência do artesão pela venda. Mas, muito da essência do evento, permanece.

“Hoje, a venda é o mais forte, falam que não tem mais troca. Mas há outro tipo de troca, de cultura, de novas amizades, muito valiosas para quem mora aqui”, resume Ana Modesto, 65 anos, aluna da UnB. “Quando eu cheguei em 1978, a feira era pequena, gostei logo de cara. Vi muitas mudanças - em 1982 fizemos uma divulgação maciça em Brasília, veio umas 6 mil pessoas, num instantinho acabou tudo de artesanato e também o que tinha para comer. Aí, não precisamos convidar mais ninguém”, ela conta.

A prefeitura de Alexânia aponta que o povoado tem cerca de 2,5 mil habitantes, entre nativos e dezenas de brasilienses com casas para onde vão no fim de semana. Pesquisa encomendada em junho indicou que entre 5 mil e 8 mil pessoas circularam nos três dias da feira, com um gasto médio de R$ 337 por pessoa. Ao todo, 301 pessoas responderam ao levantamento, onde cerca de 60% dos visitantes eram do Distrito Federal.

“A Feira do Troca fomenta o principal produto daqui, que é o artesanato. E é muito importante para o municipio e para os artesãos, que se preparam durante todo o semestre”, diz o secretário de Cultura de Alexânia, Michael Felix.

Atraindo artesãos da região e de fora, vendedores de bugigangas, com muita dança e comidas típicas, a feira é realizada duas vezes no ano: nos primeiros domingos de junho e de dezembro.

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