Nação Zumbi lança disco com versões de clássicos da música mundial

Faixas vão de Gilberto Gil a David Bowie, mas com a roupagem característica dos pernambucanos

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Divulgação/Nazão Zumbi
 

 

É com a ousadia de reinventar um clássico de Gilberto Gil que a Nação Zumbi abre Radiola NZ Vol. 1, primeiro álbum de releituras da carreira do grupo pernambucano. Refazenda dá ideia do que virá por aí: um álbum de canções que foram escritas por outros artistas, mas que, no disco, soam com a identidade da banda responsável por revolucionar o rock nacional nos anos 1990 com o movimento manguebeat.


Gravar um álbum com canções que participaram da formação musical dos membros da banda era um desejo antigo. “Isso já faz parte de uma ideia muito velha da gente. Não foi algo que pensamos agora. Neste ano a gente achou que era bom lançar. Foi só uma questão de planejar o momento”, lembra Lúcio Maia, guitarrista da banda. “Na real, a gente sempre flertou com várias covers que deram certo, como Quando a maré encher, Todos estão surdos, Maracatu atômico.”

Depois da decisão de produzir o álbum, cada membro da banda fez uma lista com músicas que gostaria de gravar. “Foi a parte mais divertida. A gente cruzou essas listas e viu que tinha muitas canções em comum e essas todas a gente saiu gravando”, explica Lúcio. “Uma ou outra foram sugestões de alguém e tínhamos ideias antigas também”, acrescenta o guitarrista.

As escolhas formaram um repertório diverso que flerta com diversos gêneros e ganha liga pelo próprio estilo da Nação e pela voz característica do vocalista Jorge Du Peixe. Do rock’n roll vêm canções como Ashes to ashes (David Bowie), Do nothing (The Specials) e Tomorrow never knows (Beatles).

Além de Refazenda, o Brasil aparece na seleção com nomes como Roberto e Erasmo Carlos e Tim Maia. Dos três, entraram Não há dinheiro que pague, Dois animais na selva suja da rua e Balanço. Ney Matogrosso divide os vocais com Du Peixe em Amor, clássico dos tempos de Secos & Molhados.

Respeito

Fazer, de fato, as versões para canções de artistas tão importantes para a banda foi o grande peso de gravar Radiola NZ. Dar a clássicos a cara da Nação Zumbi era a maior dificuldade. “Essa foi a pior hora, foi a parte mais difícil para a gente”, conta Lúcio.

“No processo todo, a gente sabia que envolveria uma responsabilidade muito grande, principalmente porque estávamos fazendo cover de músicas muito importantes, de clássicos”, analisa. Por isso, foi fundamental tomar todo cuidado. “A gente ficou com o botão da autocrítica no 10 o tempo todo.”

O respeito pelas canções e pelos criadores foi o que pautou o processo de produção do disco. “A gente manteve tudo muito criterioso, com muito cuidado por causa do respeito e da devoção que temos por esses artistas”, destaca Lúcio.

Futuro

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o volume 1 do título do álbum não garante uma continuação, adverte Lúcio. A escolha foi muito mais estética do que qualquer outra coisa. “A gente viu isso muito mais como uma coisa estética, uma linguagem, não cria essa necessidade de fazer outro. Nada impede que a gente faça, mas isso não é uma premissa.”

A banda, por sinal, já trabalha em outro disco, de volta às canções inéditas. “A nossa próxima ideia é esse disco de autorais, que começamos em 2016. Já tem muitas ideias gravadas e algumas coisas que estamos superanimados.” O álbum deve ser lançado no segundo semestre de 2018.

Radiola NZ Vol. 1
Nação Zumbi. Babel Sunset. 9 faixas. Preço médio: R$ 20.


Duas perguntas / Lúcio Maia


A Nação já tem mais de 20 anos na estrada. Como manter o vigor e a vontade de continuar depois de tanto tempo?
O lance do vigor musical, da vontade de estar na estrada, de lançar disco, essa é a parte mais fácil. Difícil está sendo viver de música neste país. Na virada da década, houve um crescimento muito grande dentro do show business brasileiro, entre 2008 e 2012, com um ápice em 2014. 2015 já começou a decair. 2016 foi muito ruim e este ano está sendo péssimo. E é porque vivemos uma crise financeira, que é velada pela imprensa e por todo mundo dizendo que não tem mais crise, que a inflação está controlada, que o desemprego diminuiu. A situação está muito ruim e não estou falando por mim, mas de todos artistas do Brasil. De Ivete Sangalo ao Ventre, todo mundo está passando por uma situação muito ruim.


O manguebeat foi um momento revolucionário e muito impactante para a música do Brasil nos anos 1990. Você vê algo capaz de ter essa força hoje?
Não, não tem. A gente está no gap neste momento. Estamos esperando alguma coisa aparecer. E é muito impreciso. Pode ser que aconteça semana que vem ou pode ser que, nos próximos dez anos, nada role. Não existe uma data para surgir uma coisa revolucionária. Isso aí vai aparecer com alguém que vai estar mais ou menos com a mesma ideia que a gente: infeliz com tudo que estava acontecendo, se sentindo mal, querendo ouvir um som melhor e não consegue, aí o cara vai lá e faz. Então aparece um monte de gente que curte também e aquela ideia se alastra.
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