A internacional Odin Teatret aprimora a prática do teatro, há 10 anos

A companhia Odin Teatret recicla atores locais e público, em atividades bastante produtivas

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Odin/ Divulgação
 
 
Para colaborar com a produção e expansão das artes cênicas na capital, o projeto A arte secreta do ator reúne grandes nomes da cena nacional e internacional para um treinamento intensivo realizado na cidade nos últimos 10 anos. A parceria com os mestres do Odin Teatret abrange apresentações e debates abertos ao público, além da residência artística com atores, diretores e acadêmicos brasileiros e latino-americanos. A ideia é proporcionar um movimento e um crescimento dos processos criativos na cidade. A edição que comemora uma década de existência vai até 11 de dezembro.

Idealizado pela diretora da Cia. YinsPiração e da Tao Filmes, Luciana Martuchelli, e pelo diretor do Odin Teatret, Eugenio Barba, o projeto tem o nome do título em português do Dicionário de Antropologia Teatral, de Eugenio Barba e Nicola Savarese, uma referência mundial da bibliografia em pesquisa teatral. O intercâmbio entre artistas de diferentes países é constante e o treinamento passa pelo aprimoramento constante do fazer teatral e a busca pelo diálogo com a atualidade

“Conviver com um grupo com 50 anos de existência me deu, ao longo desse tempo, contraste dos níveis de excelência, assim como de disciplina e do conjunto de elementos necessários para subsistência de um grupo teatral”, afirma a atriz e diretora Martuchelli. A interação constante entre o trabalho com grupos brasilienses e o aprendizado com o Odin Teatret faz parte da estética do teatro e também do lugar que Luciana, como diretora, encontrou para oferecer um treinamento de performance e presença cênica.

“Todo processo criativo parte também de uma busca pelo original, pelas origens, e originalidade em arte também passa pelo processo de resgate de suas motivações e propósitos”, destaca a atriz. Esse impulso criativo busca resgatar também o vínculo da criação local com a comunidade. Luciana lembra que, nesse ponto, o Odin Teatret é uma grande referência, propondo processos de observação e reflexão de como a sociedade está vivendo e criando de forma lírica e singular uma poética de resistência ao horror.

“Ha um ciclo de renovação e morte necessário de se passar dentro de qualquer processo de crescimento existencial ou estético”, lembra a atriz. Nesse ponto, dialogar com Eugene Barba, um dos mestres que influenciou a linguagem do teatro contemporâneo, é uma espécie de motor para que os artistas obtenham novas referências, contrastes e suportes para renovar a criação atual.

Eugene é um autor italiano, pesquisador e diretor de teatro. Fundador e diretor do Odin Teatret, criador do conceito da Antropologia Teatral, que estuda as bases técnicas do trabalho do ator a partir de um processo comparativo com os vários estilos de interpretação do teatro oriental e ocidental.

Na edição atual, que comemora 10 anos do projeto em Brasília, a abertura trouxe a apresentação do espetáculo O irmão morto, que parte de um texto poético para conduzir à poesia no espaço. A consolidação das residências artísticas, a troca de aprendizado e as parcerias criadas entre diferentes regiões e países ao longo dos anos mostram que o teatro brasiliense se consolida com cada vez mais força e profissionalismo a partir da criação local.


Residência artística — como pensar através de ações
Com Odin Teatret (Eugenio Barba e a atriz Julia Varley), até 11 de dezembro, para atores e diretores selecionados.
 
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