Como 'Star wars: Os últimos jedi' leva a saga para outros rumos

A ousadia do diretor Rian Johnson na obra dá possibilidade de outros caminhos para a franquia criada por George Lucas

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postado em 17/12/2017 07:32 / atualizado em 16/12/2017 17:20

Lucasfilm/Divulgação

 
Não é tarefa simples se distanciar da posição de fã e dar continuidade a uma das maiores franquias da história do cinema. Para Rian Johnson, no entanto, foi fácil. Pelo menos é o que o diretor dá a entender em Star wars: Os últimos jedi, em cartaz nos cinemas desde quinta-feira. Com devoção, mas sobretudo com coragem, Johnson ousou mexer nas estruturas veneradas da criação de George Lucas. E se deu bem.

Aclamado até agora pela crítica, o oitavo longa da saga principal de Star wars dá novos caminhos para a história dos Skywalker e explora elementos até então deixados de lado. Sombrio, mais filosófico e, ainda assim, divertido, o longa de Johnson dá sequência de maneira surpreendente ao caminho trilhado por J. J. Abrams em O despertar da força (2015).
 

Se o longa de Abrams utilizava estruturas que remetiam diretamente aos clássicos da franquia, como Uma nova esperança (1977), o filme de Rian Johnson se distancia delas. Considerado por alguns críticos como o mais distante da fórmula original até agora, Os últimos jedi é um passo que abre portas para outros caminhos dentro de Star wars.
 
Na saga original, os conceitos de bem e mal estão muito claramente definidos (mesmo que o conceito de força se sustente na necessidade de equilíbrio entre luz e sombra). Em Os últimos jedi, essas fronteiras são borradas. O bem e o mal se tocam em muitos momentos e é difícil acreditar que existe uma única face da questão.

Obviamente, é possível notar com clareza que há dois lados e que um deles tem intenções melhores que o outro. As atitudes e os conflitos dos personagens, no entanto, são responsáveis por dar mais profundidade e densidade ao tema. Mocinhos e vilões não seguem exatamente os padrões maniqueístas que filmes de aventura costumam ter e colocam em dúvida o que é certo e errado.


O último jedi
 
Mestre jedi e protagonista da primeira trilogia, Luke Skywalker encarna como ninguém essa dualidade no longa. O personagem, novamente interpretado por Mark Hamill, se isola por medo e culpa e tem atitudes egoístas em alguns momentos. Procurado pela nova estrela da saga, Rey (Daisy Ridley), ele não é o mestre que, a princípio, ela esperava.

Visto como a única esperança para lutar contra o totalitarismo dos vilões da Primeira Ordem, Luke se recusa a ajudar na guerra e a sair do exílio. Consumido por erros do passado e carregando sentimentos como culpa e fracasso, Luke se fecha inicialmente em um casulo confortável e pessimista.

Esse outro Luke, diferente do herói puro e idealista dos filmes lançados a partir dos anos 1970, dá uma outra dimensão ao filme de Rian Johnson. É dele que vêm conclusões aterradoras para o universo de Star wars, como a ideia de que o legado dos jedi (vistos sempre como grandiosos e redentores) é o fracasso.

Por meio de Luke, Johnson reforça a ideia de que o bem e o mal não são tão separados assim. Os próprios jedi, afirma Luke, foram responsáveis por várias das tragédias da galáxia, principalmente pela vaidade, por acreditarem que eram superiores e que tinham algo especial.

A trajetória no filme de Kylo Ren (Adam Driver) e de Rey, teoricamente vilão e mocinha, também evidenciam essas questões. As dúvidas, os conflitos e os desejos movem os personagens a situações inesperadas. Tudo isso, é bom que se diga, sem deixar o humor e a leveza de lado, mesmo nos momentos mais sombrios.

Outros caminhos 

As ousadias e os riscos assumidos por Rian Johnson abrem a possibilidade de que a saga vá para muitos outros rumos. Com as mudanças feitas pelo diretor, diversos leques são possíveis e nada, por mérito de Johnson, fica óbvio. Algumas perguntas feitas em O despertar da força, por exemplo, são respondidas de maneira totalmente surpreendente.

De certo modo, Rian Johnson colocou a franquia em um outro lugar (quanto às dúvidas), em que Star wars só esteve, provavelmente, quando os longas iniciais foram lançados. Agora, muito provavelmente, quase tudo o que chegar será surpresa.
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