Espetáculo conta, no teatro, a história do disco Cabeça dinossauro

Disco icônico dos Titãs foi lançado há mais de três décadas

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postado em 20/12/2017 07:30 / atualizado em 20/12/2017 14:58

Vanessa Angelo /Divulgação
 
 
Um dos discos mais icônicos do rock nacional, Cabeça dinossauro celebra mais de três décadas de história e ganha releitura nos palcos com o espetáculo Cabeça (um documentário cênico). A peça, lançada em 2016, é fruto da criação de Felipe Vidal e o coletivo Complexo Duplo, que criaram uma potente estrutura a partir da conexão entre as músicas do disco e experiências reais dos próprios atores com o álbum e seu ano de lançamento.

O forte posicionamento político das canções e a relação das letras com temas como o Estado, a igreja, o capital e a ideia de família tradicional, transformam a obra em um importante espaço de pensamento e contestação. O disco marcou a trajetória da banda paulista Titãs e agora mostra seu legado.

Os temas são abordados pela perspectiva do Brasil de 1986, recém-saído da ditadura, e dos turbulentos tempos políticos atuais, mostrando a atualidade e pertinência das letras que movimentaram o rock na década de 1980. O guitarrista e compositor Tony Bellotto, integrante da banda desde a sua criação, lembra que a qualidade das músicas e o momento em que foram lançadas possibilitaram uma importante conjunção de fatores na época, contribuindo para a mística criada em torno do disco e a longevidade de seu alcance. Para ele, o Cabeça é um dos discos mais importantes feitos no Brasil. “Ele é emblemático e marcou nossa história como o álbum em que encontramos uma identidade musical”, afirma.

O músico destaca que o espetáculo criado em forma de teatro documentário é surpreendente, não só por reproduzir o disco ao longo das cenas com muita competência, mas também por contextualizar sua importância e influência na vida de cada um dos atores que o vivenciaram e trouxeram para o palco.

Em cena, as canções do álbum são executadas ao vivo e na mesma sequência da obra original. O Lado A e Lado B do vinil se transformam em primeiro e segundo atos da peça. “As músicas fazem do Cabeça um disco especial, muitos dos temas trabalhados ao longo das faixas, infelizmente, continuam atuais”.

Presente e passado

Para formar o mosaico de rock, história e teatro, vivências pessoais dos atores serviram como inspiração e para a dramaturgia, criada por  Felipe Vidal. Os artistas mergulham na memória da década de efervescência do rock nacional e entram em cena com um talentoso elenco de oito atores, mesma quantidade da formação original dos Titãs. O grupo, que 
vivenciou a época durante a adolescência, mostra como era descobrir o mundo pelas lentes da música e do rock.

“As histórias pessoais não têm a ver com as canções em si, mas com os temas delas, que já nos seus títulos demostram uma crítica direta às instituições. Polícia, Família, Estado Violência, são alguns desses títulos”, destaca o artista. Felipe conta que as várias histórias levadas pelos atores entram em diálogo com as músicas do disco e traçam um painel político-social dos últimos trinta anos. Os arranjos originais são mantidos e criam uma atmosfera de afeto e nostalgia entre os espectadores.

O ator Leonardo Corajo levou para o palco a perda de seu pai, que aconteceu no ano seguinte ao lançamento do álbum, além das impressões que ele, na época com 12 anos, teve ao escutar o LP. “A relação foi instantânea. É um disco muito importante para a minha geração. O rock nacional é a música de
 protesto dos anos 1980. E são letras pertinentes até hoje”, destaca. Para ele, o espetáculo se conecta com a autoridade afetiva de quem foi atravessado pela época, dançou aquelas músicas e fez delas seu próprio manifesto.

 A multiplicidade de linguagens também é uma constante, com projeções e videografismos que enriquecem a montagem e trazem imagens marcantes da cena política, musical e social da década de 80 e a atual.

Emblemático
Cabeça Dinossauro é o terceiro álbum de estúdio da banda brasileira de rock Titãs, lançado em 1 de junho de 1986. A obra marcou uma nova identidade para o grupo e garantiu seu primeiro álbum de ouro, consagrando-se como um de seus trabalhos mais icônicos. A capa foi baseada em um esboço do pintor italiano Leonardo da Vinci, intitulado A expressão de um homem urrando.

Cabeça (um documentário cênico) 
No CCBB (Sces Tr. 2), de 20 a 30 de dezembro, de quarta a sábado, sempre às 20h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) e a classificação indicativa é de 16 anos. O espetáculo tem 1h50 de duração (com intervalo de 10 minutos).

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