Chitãozinho & Xororó fazem tributo às mulheres da música em novo DVD

Dupla Chitãozinho & Xororó celebra a presença feminina na música em DVD, que conta com nomes como Alcione, Marília Mendonça e Anavitória

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postado em 26/12/2017 06:08 / atualizado em 26/12/2017 13:44

Universal Music/Divulgação
 
 
Num ano em que as mulheres estiveram em evidência no mundo da música, principalmente na vertente sertaneja, a dupla Chitãozinho & Xororó resolveu celebrar esse momento. Os irmãos, que já gravaram material especial com a nova geração do sertanejo no ano em que completaram 40 anos de carreira, agora, mais perto dos 50, fizeram um DVD apenas com as mulheres da música brasileira.


Sob o título de Elas em Evidências, o DVD contou com 12 artistas brasileiras. Do sertanejo, Marília Mendonça, Maiara & Maraisa, Simone & Simaria, Paula Fernandes e Bruna Viola. Dos outros gêneros foram chamadas Alcione, Kell Smith, Ana Clara e o duo Anavitória. Ao lado de Chitãozinho & Xororó, as cantoras revisitaram o repertório clássico dos sertanejos. Das 27 faixas do DVD, apenas duas são inéditas: Foi só um caso, em parceria com Marília Mendonça, e João e Maria, em dueto com Ana Clara.

Em entrevista ao Correio, o cantor Xororó contou detalhes da concepção do álbum, falou sobre a presença feminina na música sertaneja e do sucesso da faixa Evidências, que ultrapassa gerações.

» Entrevista  /  Xororó


Esta não é a primeira vez que vocês fazem um material desse tipo. Já gravaram, por exemplo, com a nova geração do sertanejo...
Foi uma coincidência termos feito o projeto. Não foi uma coisa pensada. Fizemos aquele DVD num momento em que a música sertaneja estava passando por uma mudança com os universitários, essa nova geração. Tinha muita gente talentosa. E pensamos que seria um momento importante, já que ouvíamos muitas críticas vindas do próprio segmento achando nada a ver a música sertaneja com essa levada dançante e mais comercial. Muita gente dizia que não era sertanejo. E pensamos: “Peraí, é bom para o segmento, vai ajudar a fortalecer esse gênero que a gente defende há tantos anos”. Estávamos começando as comemorações dos 40 anos de carreira e chamamos os universitários. Foi muito legal. Nós abraçamos essa nova geração.

Como veio a ideia de agora fazer um DVD que fosse uma celebração das mulheres?
Com a proximidade dos 50 anos de carreira, fizemos um roteiro de um show que se chamaria Evidências. Começamos os ensaios e sentimos que estava ficando com um repertório muito legal. Sentimos pelo visual que estávamos criando algo de qualidade e nunca tínhamos usado o nome de Evidências em nossos shows. E é uma música com quase 30 anos de história, que ganhou neste ano o título de mais cantada nos karaokês. Quando tivemos a ideia de tornar esse show em DVD, eu pensei em convidar as meninas que estão fazendo sucesso na música sertaneja. O Chitão não só gostou da ideia, como criou o nome Elas em Evidências. Ainda mais que a mulher está em momento de evidência de uma forma geral. Então, foi meio que uma homenagem às mulheres do gênero sertanejo. A ideia era fazer um DVD para o ano que vem. Mas o presidente da gravadora enlouqueceu com a ideia e quis para este ano. Foi muito rápido. Gravamos há três meses e já está nas lojas.

Com quase 50 anos de carreira e muitos sucessos, quais são as dificuldades na hora de montar um repertório e escolher o que cada convidada cantaria?
Montando o roteiro e vendo os blocos, já começamos a enxergar de quem seriam as participações em cada música. Foi fácil e, infelizmente, não deu para convidar todas as artistas que queríamos por motivo de agenda. Mas todas que ligamos e escolhemos ficaram muito felizes. Nós mesmos indicamos as músicas, as únicas que escolheram foram as meninas da dupla Anavitória. Elas já cantavam Rancho fundo no repertório delas. E, inclusive, essa música estava fora do roteiro, mas a colocamos com o maior prazer. Também trouxemos Chovendo da roseira, que gravamos em Tom do sertão, que era para ter se tornado em um DVD, mas as coisas foram mudando. Com Kell Smith dissemos para ela que queríamos cantar Era uma vez. Ela disse que já era um presente para ela que nós cantássemos a música e que seria um privilégio ainda maior estar como convidada. Ela ficou doida. Passamos para todas as músicas pelo WhatsApp, elas ensaiaram do jeito que quiseram e nos encontramos no palco.

No repertório do disco há duas músicas inéditas. Como vocês chegaram até elas?
Uma delas é com a Ana Clara, uma menina supertalentosa. Como ela é nova no mercado, o empresário dela pediu para fazermos uma parceria. Fiquei com aquilo na cabeça e me lembrei de uma música, João e Maria, que fiz em parceria com dois amigos. Ela não tinha sido feita para ser cantada com uma mulher, mas eu comecei a transformá-la para isso. E é uma música que tem tudo a ver, é um casal contando uma história de amor. Já com a Marília (Mendonça), como ela é uma grande autora, perguntei se ela tinha alguma música ou se daria tempo de fazer algo. Até porque nem sempre é fácil escrever uma música. Por exemplo, a canção que o Roberto Carlos fez para gente, Arrasta uma cadeira, levou 14 anos... A Marília falou que ia mandar algumas músicas e alguns dias depois eu recebi oito canções dela. Eu ouvi e lógico que uma autora do calibre dela só mandou coisa boa. Mas eu queria algo a mais. Assim veio Foi só um caso.

Evidências é o principal hit de vocês e continua até hoje ultrapassando gerações. A que atribui esse sucesso todo da música?
Eu não sei nem como descrever isso. Não dá para entender o que acontece com Evidências. É muito comum recebermos vídeos das pessoas cantando em festa junina em ritmo de arrasta-pé; depois no carnaval em ritmo de axé e assim por diante. Ela virou essa força ao longo desses anos. Ela fez muito sucesso quando foi lançada e fortaleceu o nosso nome. Não dá para entender. Inclusive é uma surpresa, porque Evidências é uma música rica em harmonia, ela não tem um refrão fácil, não é óbvia, não é chiclete. Mas acho que as pessoas gostam pelo conteúdo dela. Se tem uma explicação, é a qualidade da música, no arranjo, na interpretação, no formato... Eu não consigo explicar, mas acho que é por ser uma música de qualidade, romântica e que conta a história de muita gente.

De tempos em tempos, o sertanejo passa por renovações. Nos últimos anos foi a chegada das mulheres. Como você 
enxerga esse novo momento do gênero?
No DVD, a nossa ideia era exatamente essa: homenagear as mulheres do Brasil pela força e pelo espaço que elas vêm conquistando. Esse é um momento muito importante para a música sertaneja. São as meninas as donas das músicas que mais tocam nas rádios. Para nós, que estamos há muito tempo no segmento, sempre achamos que tinha essa lacuna: faltavam as mulheres. Até porque o sertanejo bebe muito na fonte das músicas internacionais e do country americano, em que há um destaque tanto dos homens quanto das mulheres. No Brasil não tinha essa abertura para as mulheres. Primeiro teve Roberta Miranda, ficou um tempo até aparecer Paula Fernandes, que também fez muito por esse movimento.

Além das meninas do sertanejo, o DVD tem artistas de outros gêneros. Como é a relação de vocês com outras vertentes musicais?
Felizmente, nesses anos todos de carreira, sempre que nós ligamos para fazer um convite a qualquer pessoa de outro segmento — de Djavan a Caetano Veloso —, as pessoas nos recebem com um carinho muito grande pela nossa história e o que significamos para a música sertaneja. Graças a Deus não ficamos só no nosso segmento. Modéstia à parte, conseguimos ir a todas as áreas, pelo trabalho que a gente faz.

Neste ano, em Brasília, alunos da UnB cantaram Evidências no Restaurante Universitário e isso criou um novo boom em torno da música. Vocês acompanharam isso?
É muito comum ter em casamentos e muita gente dizendo e mostrando vídeos para a gente. Essa coisa da universidade mostra que é uma música que se renova cada vez mais.

Elas em Evidências
De Chitãozinho & Xororó. Universal Music, 27 faixas. Preço: R$ 32,90.
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