Talento de Rafael dos Anjos é requisitado no Brasil todo

Músico brasiliense trabalhou com Diogo Nogueira e Arlindo Cruz

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postado em 03/01/2018 07:30

 
Andreas Senoner/Divulgação - 19/7/17
 
A quem não o conhece o que, de imediato, chama a atenção em Rafael dos Anjos é o seu bem cultivado cabelo black power. Mas são o talento, o virtuosismo e a musicalidade do violonista as virtudes destacadas por todos aqueles que têm o privilégio de ouvi-lo tocar o instrumento. Brasiliense, filho de cariocas, há cinco anos mora no Rio de Janeiro, onde tem levado adiante brilhante carreira artística.

Ex-diretor musical e arranjador do grupo de Arlindo Cruz, ele é um dos produtores do Munduê, o novo CD de Diogo Nogueira. “Eventualmente, eu ia ao Rio para alguns trabalhos, mas sempre voltava a Brasília, pois tinha compromisso com Choro Livre, grupo do qual fazia parte. Incentivado pelo Hamilton de Holanda, fui de vez para lá em 2013. Logo, comecei a tocar na banda do Baile do Almeidinha, a gafieira idealizada e comandada por ele no Circo Voador”, conta Rafael, que recentemente esteve na capital, em visita à família.

O violonista tem ligação com a música desde a infância. Em casa, influenciado pela mãe (Glícia), ouvia Tom Jobim,  Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elis Regina e Elizeth Cardoso e outros nomes consagrados da MPB. Aos 11 anos, iniciou estudos de violão com Marcelo Bubby; e três anos depois, matriculado na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, teve como professor Everaldo Pinheiro. “Incentivado por ele, tive contato com a escola do violão brasileiro e passei a frequentar o universo de mestres como João Pernambuco, Dilermando Reis, Canhoto da Paraíba e Baden Powell”, lembra. “Do Everaldo recebi também aulas de harmonia avançada”, acrescenta.

Quem o fez tomar gosto pelo complexo repertório de choro foi Alencar 7 Cordas, outro mestre sobre o qual fala com admiração e saudade; assim como de Paulo André Tavares, que o monitorou no curso de improvisação, na Escola de Choro de Brasília. Precocemente, aos 16 anos, Rafael se tornou professor da Escola de Choro e aos 17 passou a integrar o grupo Choro Livre. “Fiquei no Choro Livre, liderado por Reco do Bandolim, por 10 anos; e com o conjunto toquei em vários continentes.”

Geração talentosa

Pertencente a uma talentosa geração de músicos brasilienses, da qual fazem parte também os violonistas Rogério Caetano, Daniel Santiago e Henrique Neto, os cavaquinistas Dudu Maia, Léo Benon e Márcio Marinho, e o gaitista Daniel Grossi, Rafael, antes de deixar a cidade, foi um dos fundadores do grupo Adora Roda (atual 7 na Roda) e participou de outras formações. Além disso, produziu discos e acompanhou artistas candangos como Leonel Laterza, Renata Jambeiro, Cris Pereira, Teresa Lopes, Kris Maciel Célia Rabelo e o grupo de choro Firme e Forte.

Quando chegou ao Rio, Rafael logo se inseriu na cena musical do samba carioca, tornando-se amigo de Mauro Diniz, Cláudio Jorge e Marcelinho Moreira. “Foi o Marcelinho quem me apresentou ao Arlindo Cruz. Após conhecer meu trabalho, o Arlindo me convidou para entrar para a banda dele, da qual me tornei diretor musical e arranjador”, revela.

Uma das produções que o teve à frente ultimamente foi a do Munduê, o álbum comemorativo dos 10 anos de carreira de Diogo Nogueira. “Dividir a produção do Munduê com o Alessandro Cardoso teve muita importância para mim. Afinal de contas, trata-se de um disco do cantor de maior sucesso da nova geração, com o qual comemora uma data representativa da trajetória dele” , ressalta.

Rafael segue trabalhando bastante, como arranjador e produtor. Entre suas últimas produções estão a dos EPs de Renato da Rocinha e da cantora Deborah Vasconcellos (que participou da edição de 2017 do The Voice Brasil), com quem é casado. Ele participou ainda do álbum Cutuca meu peito incutocável, do cantor e compositor brasiliense Túlio Borges. Dos planos do violonista para 2018 – e são muitos – não consta, pelo menos por enquanto, a gravação do seu primeiro disco solo, embora ultimamente tenha composto bastante.

Show em brasília
Em breve, Rafael dos Anjos voltará a Brasília para acompanhar a cantora Deborah Vasconcellos em show que ela fará nos dias 29 e 30 deste mês, no Espaço Cultual do Choro, pelo projeto Clube do Choro Convida.

Depoimentos

“Rafael dos Anjos é um músico completo. Ele se destaca como violonista, arranjador e produtor, em especial na área do samba. Eu o incentivei a vir para o Rio e, quatro anos depois, tem o reconhecimento da classe musical. Desde que chegou aqui, passou a fazer parte da banda do Baile do Almedinha, na qual é um dos esteios. Com esse projeto, já estivemos no Festival de Montreux, em 2016, e em Portugal, Itália e Escócia no ano passado.” 
Hamilton de Holanda, bandolinista, compositor e produtor


“Desde muito cedo, vi em Rafael um grande potencial. No ambiente familiar ele recebeu uma formação exemplar, que o fez um ser humano especial, uma pessoa gentil no trato com todos. A mãe foi uma influência benéfica para o futuro músico, ao apresentá-lo o melhor da música popular brasileira. Entrou bem jovem para a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello e logo depois já viria a ser um dos professores da instituição. Quando o Choro Livre retomou sua trajetória, ele, Henrique Neto e Márcio Marinho foram resposáveis por trazer jovialidade e novas ideias ao grupo. É com orgulho que o vejo brilhar no universo do samba carioca”. 
Reco do Bandolim, lider do Choro Livre e presidente do Clube do Choro


“O Rafa é um músico diferenciado, que tem dado importante contribuição para o samba carioca, como exímio violonista, arranjador e produtor. Não por acaso, é requisitado por grandes nomes desse gânero musical para tomar parte em diversos projetos. Eu me recordo que a primeira vez que ele participou de uma gravação foi quando produzi o disco (solo) de estreia do Gabriel Grossi.” 
Rogério Caetano, 
violonista e compositor


“O Rafael é um irmão para mim. Somos amigos desde a infância, pois éramos vizinhos na quadra em que morávamos, na Asa Norte. Na adolescência formamos o grupo Novos Chorões, criado pelo Tio Brito na Escola Parque da entrequadra 2010/211 Norte. Estivemos juntos também no Sorrindo à Toa, Cai Dentro Galinha Caipira Completa. Só no Choro Livre convivemos por 10 anos. Para mim é um violonista virtuosíssimo e um arranjador de primeira linha. Isso ele demonstra no Rio de Janeiro, onde se radicou e vem se destacando bastante.” 
Márcio Marinho, cavaquinista e compositor


“Na minha avaliação, Rafael é um prodígio como violonista. Ele 
foi um dos fundadores do Adora Roda (atual 
7 na Roda) e se destacou em vários grupos brasilienses, principalmente no Choro Livre. Não me surpreende nem um pouco ele ter sido convidado por Arlindo Cruz e Diogo Nogueira para produzir trabalhos deles. Além disso, é uma pessoa do mais fino trato e extremamente solidária.” 
Breno Alves, músico, cantor e compositor
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