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Estado de Minas

Animações hispânicas invadem Hollywood

'É o bicho!' e 'Viva: A vida é uma festa' são alguns títulos hispânicos que conquistaram toda a América


postado em 09/01/2018 06:45

'As aventuras de Tadeo 2': talentos espanhóis têm projeção mundial
'As aventuras de Tadeo 2': talentos espanhóis têm projeção mundial

 
Um fator elástico — que dinamiza a indústria do mercado das animações, com profissionais do cinema de culturas diversas interagindo — tem arejado a produção a ponto de parcerias serem firmadas com importantes empresas norte-americanas, na meca hollywoodiana. Com estreia prevista para março, no Brasil, o longa É o bicho! dá a dimensão das novas apostas nos esquemas internacionais de produção e tem como consequência popularizar, mundo afora, traços ibero-americanos. Visto como porta de acesso para animadores, É o bicho! mobilizou, simultaneamente, até 120 profissionais, com toda a animação desenvolvida na Blue Dream Studios (sediada em Valência). A ideia original do diretor americano Scott Christian Sava para a trama (com auxílio de Tony Bancroft) — na qual uma caixa mágica de biscoitos com formatos de animais poderá salvar um circo que corre risco — ganhou o reforço do codiretor espanhol Jaime Maestro.

Puxado, na trilha sonora, por Don´t stop me now (do Queen), o filme levou dois anos e meio para ser produzido e, pelo que já opinou a produtora Nathalie Martínez, acionou possibilidade de explorar um “mercado de quimera” (leia-se Estados Unidos). Vencedor do prêmio Goya de melhor curta de animação, em 2013, um verdadeiro facilitador para a nova perspectiva profissional, o codiretor Jaime Maestro comemorou a liberdade relativa no projeto que não teve interferências de grande distribuidora multinacional. Ao ser capitaneado por Scott Christian Sava, o filme teve à disposição vozes de destacados atores internacionais, entre os quais os protagonistas Emily Blunt e John Krasinski. Enquanto Sylvester Stallone dublou o monossilábico Bullet-Man, Danny DeVito assumiu um personagem idealizado para Robin Williams, morto em 2014.

Outro fenômeno hispânico, sacramentado em animação, As aventuras de Tadeo 2: O segredo do rei Midas está em cartaz nos cinemas. Um investimento de quase nove milhões de euros na produção do longa de Enrique Gato (em parceria com o estreante David Alonso) revela a importância da continuação para um enredo apresentado, inicialmente, nas telas em 2012 (e orçado em cinco milhões de euros). Apresentado por mais de cinco meses na terra de origem (toda a realização do filme se deu em Madri), Tadeo 2, por enquanto, só perdeu em bilheteria, na Espanha, para A Bela e a Fera (o mais recente, em carne e osso) e Meu malvado favorito 3.

 
Sucesso certeiro

O filme atual dá continuidade ao de 2012, que ficou na quarta posição entre os mais vistos, tendo superado até mesmo o estrondoso Os Vingadores (sexto posicionado, na Espanha). Produzido por profissionais envolvidos no primoroso O labirinto do fauno, o filme As aventuras de Tadeo 2: O segredo do rei Midas conta a história do pedreiro com panca de  arqueólogo Tadeo. Apaixonado por Sara, Tadeo cogita, de verdade, a possibilidade de seguir para os Estados Unidos, a convite da moça que, subitamente, desaparece.

Com destino incerto, o pedreiro — que segue pistas para remontar um mítico colar de Midas, capaz de transformar tudo em ouro — terá como parceiros de aventura o cão Jeff e uma múmia muito amiga. Entre as curiosidades do filme, que permanece em cartaz no Brasil, está o fato de o diretor quarentão Enrique Gato ter despontado justamente com um curta-metragem de animação vencedor do importante prêmio Goya, há 10 anos, já com história embalada pelo personagem Tadeo. Neste novo filme, Gato arregimentou, entre os dubladores, a atriz Adriana Ugarte, famosa por aparecer em Julieta, um longa assinado por Pedro Almodóvar.

A ação passada na Espanha, e o fato de brotar da adaptação de um livro clássico de 1938, assinado por Munro Leaf e Robert Lawson  não são os únicos componentes a atrair o público para a animação O toro Ferdinando, com estreia na próxima quinta. Um detalhe faz muita diferença para os brasileiros: o carioca Carlos Saldanha (Rio) é o diretor que assina o filme.

Portentoso, o protagonista do enredo é um touro alheio à adrenalina das famosas touradas, e cultiva a fixação de cheirar flores e manter, entre os principais valores, a meta de um cotidiano bem família. Para a versão em inglês, o público contará com a interpretação vocal do rapper e lutador profissional John Cena, da atriz de origem porto-riquenha Gina Rodriguez (da série Jane the virgin), do ator Anthony Anderson (Black-ish) e Kate McKinnon, famosa comediante do Saturday Night Live.

Crítica // Viva: A vida é uma festa 

A animação Viva: A vida é uma festa nem precisava da preferência em circuito de prêmios importantes, entre os quais melhor produção do gênero, no âmbito do Globo de Ouro, e dos tradicionalíssimos Círculo de Crítico de Nova York National Board of Review. Lúdica, agitada e enternecedora, a fita já vem com credenciais altas, sendo codirigida por Lee Unkrich e Adrian Molina. Unkrich é ninguém menos do que o diretor de Toy story 3 e correalizador de Procurando Nemo.  Enquanto Molina integrou o departamento de animação de Ratatouille. Alegre e surpreendente, dotado de roteiro esperto (na linha de Divertidamente), o filme explora, para além do protagonista Miguel (um menino cujo maior pecado é querer cantar), figuras fantasmagóricas que não assustam (o público infantil). Produto da consagrada Pixar, Viva se esbalda em originalidade fundida com uma riquíssima cultura — a mexicana — de onde saltam emblemas como Frida Khalo e a sonoridade e o ânimo dos famosos mariachi. (RD)

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