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Estado de Minas

Em entrevista, Larissa Manoela fala sobre carreira e empoderamento

A atriz está no longa 'Fala sério, mãe!', com Ingrid Guimarães e Paulo Gustavo


postado em 17/01/2018 07:30

Larissa Manoela(foto: Giral Projetos/Divulgação)
Larissa Manoela (foto: Giral Projetos/Divulgação)

O sucesso do longa-metragem Fala sério, mãe! é apenas um dos exemplos do potencial de comunicação da atriz Larissa Manoela, sempre lembrada por Carrossel e, claro, pela franqueza com a qual se expressa, junto aos fãs, na internet e em best-sellers. No mundo virtual, Larissa é tema de um circuito de 12 milhões de seguidores. No cinema, ao lado de Ingrid Guimarães, só tem uma concorrente atual: Julia Roberts, de Extraordinário, êxito separado por R$ 2 milhões (nas bilheterias), em relação a Fala sério, mãe!

“O meu público feminino é bem grande, mas os meninos também me acompanham”, conta a atriz, ao falar da relação com os fãs, sempre prontos a seguir o diário do século 21 da adolescente, que jura não viver de aparência, celebra conquistas femininas e sabe, como poucos, vender livros. Aprendizado, no momento, é palavra de ordem para a jovem, que, com os colegas de cena (do longa em cartaz) Paulo Gustavo e Ingrid Guimarães, expandiu conceitos de amizade e proteção.

“Sou fã do Paulo, fã mesmo, de acompanhar e de trocar mensagens com ele. Ele super combinou com a gente. O que mais me encanta na Ingrid é que ela é extremamente generosa, uma pessoa que estava muito disposta a me ensinar e ajudar”, observa Larissa Manoela. A atriz também se derrete quando o tema é Brasil e patriotismo, mas confessa, em entrevista ao Correio, a vontade de, futuramente, seguir rumo ao exterior. “Nunca fiz intercâmbio, mas tenho muita vontade de desligar um pouco e ir estudar. Acho que a gente que é artista tem sempre que aprender mais e ser desafiado. Tenho vontade de ir pra Nova York ou Los Angeles, para estudar”, conta.

Existe um pacote Larissa Manoela (um rótulo) para a venda da imagem de "uma celebridade"?
Eu sempre tento passar para as pessoas quem eu realmente sou. Então, eu não tenho muito isso de ser uma pessoa e parecer outra. Acho que, quando a gente consegue ser o mais natural possível, e mostrar essa verdade, as pessoas acabam gostando: veem que você, embora com todo o sucesso, realmente é uma pessoa normal. Há quem insista em perceber uma realidade diferente, apoiada só no glamour. Não me vejo muito como uma celebridade hoje. Perecebo reconhecimento do meu trabalho. Para mim, a ficha ainda não caiu que eu tenho 12 milhões de pessoas me seguindo. É algo que me deixa muito feliz, mas é muito maior do que às vezes eu realmente tenho noção.

A que atribui o seu sucesso musical?
Quando eu canto, eu tento muito trazer o universo adolescente. Temas como a “paixonite”, ou a necessidade de querer mostrar quem realmente é. Tento sempre focar em músicas chiclete que ficam na cabeça. Isso é sempre muito bom, porque as pessoas vão cantando, cantando, e vão se acostumando com aquilo e vão ouvindo, e quando você vê, já estão falando pra um, pra outro. Acho importante também falar a língua que o povo está querendo ouvir.

"Mãe é mico" é uma frase de Fala sério, mãe! Em que situações isso se aplica?
Acredito que mãe seja mico só quando ela faz alguma coisa que você mesma fica com vergonha e; não, ela. Óbvio que mãe não é mico a todo instante até porque a gente tem muito mais uma ligação de amar e ter carinho por ela. Acho que é apenas em momentos de gafe ou de piada ou alguma descontração. Para mim, mãe traz a ideia de sintonia, de parceria no dia a dia.

Existe um comportamento de filha padrão?
Acredito que não. Cada filho tem o seu jeito, cada mãe tem o seu jeito de tratar, de educar seu filho, mas eu acredito que existam tipos diferentes de filho e filha, até porque a menina tem um comportamento, e o menino, outro. Não que seja em geral assim, mas vejo que, algumas vezes — sim, as meninas costumam ter a mãe mais como amiga, mas acabam se abrindo, assim, como mostro no filme Fala sério, mãe!, com o pai. Às vezes, vai falar as coisas muito mais com o pai porque a mãe é muito mais rédea curta, e o menino sempre é ligado bastante à mãe. Eu me dou muito bem com o meu pai e com a minha mãe.

Como você percebe quem te admira?
Os meus fãs estão 100% do tempo me acompanhando. Às vezes, eu digo que os meus fãs me conhecem mais do que minha própria família, estão o tempo todo ligados a mim — eles são meus anjinhos da guarda. E eu percebo muito quando a pessoa consegue me enxergar quem eu sou lá dentro, como menina, como adolescente, como a Lari — não como Larissa Manoela. Consigo perceber nas pessoas quando elas realmente enxergam quem eu sou, embora toda a vida que eu tenho exposta na mídia. Acho muito bacana quando as pessoas notam isso: que também sou humana.

Por que apostar em livros, quando tens tanto espaço e reconhecimento na internet?
Os livros aproximaram muito mais a galera que é da geração internet para a literatura. É muito importante quando você vê uma criança com o livro na mão. É muito gostoso quando vejo casos de crianças que leem pela primeira vez justamente com o meu livro. O primeiro livro que li foi O pequeno príncipe, e me marcou muito. A gente pode trazer coisas positivas para as pessoas, pela escrita. Acho que temos que usar e abusar disso.

O que acha que o brasileiro tem a ensinar para o mundo?
Acho que o Brasil é um país muito pra cima. Brasil remete à festa, alegria, a coisas que prosperam. Acho que o país tem muito pra ensinar para o mundo, porque a gente realmente consegue fazer isso muito bem. Mesmo com alguns acontecimentos graves por aqui, estamos sempre pensando no lado bom da vida. Mesmo passando por uma situação ruim, o brasileiro quer sempre ver o melhor.

Qual o limite para que o público acompanhe tua vida privada?
Eu sempre digo que eu gosto muito de compartilhar com as pessoas quando eu estou feliz. Então, hoje eu não vejo o menor problema de compartilhar uma foto que eu goste, ou um momento que estou curtindo, com as pessoas que realmente querem ver a minha felicidade. Eu sinto muito esse apoio das pessoas que me seguem, que são meus fãs. Digo que minha vida já é aberta em dois livros. As pessoas sabem detalhes que conto nos meus livros, que falo em entrevistas, então, estou sempre compartilhando o meu dia a dia. Lógico que tenho minha vida privada. O meu momento com os meus pais, meu momento de lazer. No mais, gosto de compartilhar a felicidade que curto.

Adolescente ainda é rótulo que te acompanha? Acha que é cedo para ser adulta?

No filme Meus 15 anos, abordamos um tema e, seis meses depois, veio Fala sério, mãe! — as ideias foram outras. Veio numa crescência muito boa. Adolescência é algo que me acompanha muito: é o que estou vivendo. Em Meus 15 anos, vivia a passagem da fase de menina para menina-moça. E eu acho extremamente importante a gente falar sobre isso, porque os adolescentes estão carentes de se identificar com algum conteúdo que o permita ir ao cinema, e agregar coisas boas de um filme pra sua vida. Todos os temas da adolescência me acompanham muito. Estou numa fase da vida que estou querendo bastante ver como é essa independência de ser adulta e atingir a maioridade. Mas, exigirá muitas responsabilidades.

Como percebe o empoderamento feminino; ele "bate" de que forma na tua geração?


Tenho muita essa coisa da criança dentro de mim, que eu não deixo morrer nunca. Sou muito feliz dessa forma sonhadora e que acredita em muitas coisas ainda. Eu me sinto muito responsável hoje por mostrar pros adolescentes e, principalmente, para as meninas, que elas estão conseguindo ocupar cada vez mais seu espaço na sociedade como a voz da mulher, da menina que quer crescer e amadurecer e mostrar pra todo mundo que ela tem voz ativa para poder falar de diversos assuntos, e poder mostrar aquilo que ela quer. Essa coisa “girl power” tá vindo muito à tona nos dias de hoje e falar sobre isso para as meninas que me acompanham, para as meninas que sonham em ter a vida que eu tenho, ou mostrar para os outros que elas realmente conseguem dizer aquilo que elas querem mostrar é extremamente importante.


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