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Estado de Minas

Funk será excluído do Spotify após ser acusado de apologia ao estupro

'Só surubinha de leve', de MC Diguinho, está sendo criticada nas redes sociais por cantar versos como: 'Taca bebida, depois taca pica e abandona na rua'


postado em 17/01/2018 17:00 / atualizado em 17/01/2018 18:52

MC Diguinho lançou o áudio de 'Só surubinha de leve' em 11 de dezembro de 2017 (foto: Reprodução/Instagram)
MC Diguinho lançou o áudio de 'Só surubinha de leve' em 11 de dezembro de 2017 (foto: Reprodução/Instagram)

 

Só Surubinha de Leve, do MC Diguinho, será retirada da plataforma digital de músicas Spotify após receber diversas acusações de apologia ao estupro.  A frase "Taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua" causou revolta nas redes sociais e irritou movimentos ligados à luta feminista por respeito e direitos iguais. A faixa chegou às playlists de hits virais do Spotify nas listas Brasil e no Mundo, mas o app informou nesta quarta-feira, (17/1), por meio de um comunicado,  que a música sairá do catálogo. A faixa já aparece como apagada nas playlists, mas continua disponível para streaming na página do artista na plataforma. 

 

Em poucas horas, um abaixo-assinado na Internet conseguiu mais de 15 mil assinaturas em uma campanha contra o funk na plataforma de streaming. "Pedimos ao Spotify Brasil que retire essa canção de seu catálogo, pois uma obra que estimula a violência e desvalorização das mulheres não merece ser divulgada ou compartilhada amplamente”, diz o texto da campanha.

 

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"O catálogo do Spotify é abastecido por centenas de milhares de gravadoras, artistas e distribuidoras em todo o mundo. Eles são devidamente avisados sobre nossas diretrizes e são responsáveis pelo conteúdo que entregam. Desta forma, informamos que contatamos a distribuidora da música Só surubinha de leve a respeito do ocorrido e, fomos informados que a faixa será retirada da plataforma nas próximas horas, uma vez que o tema foi trazido à nossa atenção”, diz nota oficial divulgada pelo serviço.

 

Na Deezer, outra plataforma de streaming popular no Brasil, a música já foi deletada. "Estamos em processo de análise de outros conteúdos para tomar as providências cabíveis", afirmou a empresa. O YouTube ainda não se posicionou sobre a polêmica. Um vídeo só com o áudio da música tem mais de 14 milhões de visualizações. 

 

A música foi lançada em setembro do ano passado, em sua primeira versão, no Soundcloud. O funkeiro ainda não se manifestou sobre a polêmica. E, após a repercussão negativa, tornou suas contas no Instagram e no Twitter privadas. O vídeo clipe da música está previsto para ser lançado às 21h desta quarta-feira.

 

Repercussão 

 

Nas redes, a crítica de maior repercussão foi a da paraibana Yasmin Formiga, que publicou uma imagem na qual aparece maquiada como se estivesse sido violentada e segura um cartaz com o polêmico refrão da música. Na descrição da publicação – que ultrapassou 130 mil compartilhamentos –, Yasmin escreveu: "Sua música ajuda para que as raízes da cultura do estupro se estendam. Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua".

 

 

Em outra manifestação de repúdio à Só Surubinha de Leve, as Youtubers Carol e Vitória gravaram uma versão em resposta à música. “Pode vir sem dinheiro, mas traz papel e caneta pra ver se anotando entra algo nessa tua cabeça. Abusar da mulher é crime, estupro é violência, tira as mãos de cima dela e coloca na consciência”, canta a dupla. O vídeo com a 'resposta feminina' foi postado na noite de terça-feira (16/1) e, em menos de 24 horas, alcançou 911 mil visualizações.

 

 

 

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