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Estado de Minas

Dedé Santana fala sobre o espetáculo Palhaços, que estreia quinta no CCBB

O veterano sobre ao palco ao lado do Fioravante de Almeida na peça dirigida por Alexandre Borges


postado em 24/01/2018 07:00 / atualizado em 23/01/2018 18:45

Fioravante de Almeida, Dedé Santana e Alexandre Borges formam o trio criativo do espetáculo Palhaços (foto: Tatiana Coelho/Divulgação)
Fioravante de Almeida, Dedé Santana e Alexandre Borges formam o trio criativo do espetáculo Palhaços (foto: Tatiana Coelho/Divulgação)

 
O encontro entre um grande artista dos palcos e um representante do público cria a inusitada teia de relações que se desenvolvem no espetáculo Palhaços, com interpretação de Dedé Santana e Fioravante de Almeida. O texto clássico de Timochenko Wehbi foi adaptado para uma linguagem mais moderna pelas mãos do diretor Alexandre Borges, que tratou de colocar em cena sua ampla experiência teatral.

A tragicomédia se baseia em um jogo entre as figuras opostas e universais dos personagens, mostrando o rico mosaico que se estende a partir do diálogo entre um ídolo e o grande palhaço de seu tempo. O espetáculo fará estreia nacional em Brasília, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). No palco, o texto cria uma importante relação entre público e artista, mostrando uma consciência do ser humano na busca de seu próprio entendimento e na compreensão do que realmente é o artista.
 
A peça original foi escrita em 1970 e narra a história de um palhaço que tem a rotina alterada ao se deparar com um espectador em seu camarim. Dedé Santana entra em cena para mostrar outras facetas do personagem que interpreta e experimenta ao longo de toda a sua existência: o palhaço. “Eu me vejo como ele, o espectador. E ele se vê como o palhaço. O texto cria essa mistura de personalidades que tem muito a ver com a vida real. Eu me emocionei várias vezes, confundindo o meu personagem com a minha própria história”, lembra Dedé.

Mestre da arte dos palcos e dos picadeiros desde os primeiros anos de vida, Dedé diz sentir-se em total conforto quando se encontra com o público. A experiência real e a possibilidade da troca humana, característica das artes cênicas, destaca-se como o principal combustível para o processo criativo do humorista.

Dedé, que é palhaço desde os 7 anos de idade, conta que a preparação e os ensaios são constantes para levar ao público o melhor ponto criativo do artista. “Alexandre Borges criou uma versão mais moderna da peça e eu gostei muito da montagem que ele fez. Os personagens se confundem no espetáculo, é algo mais psicológico”, destaca.

Alter ego

A parceria em cena é feita com o ator Fioravante de Almeida, uma das crias da força cênica do Teatro Oficina, com formação pelo teatro Antunes Filho. O espetáculo, idealizado por ele, se enriquece pela mistura de linguagens, unindo o circo ao teatro, o clássico ao contemporâneo. O ator conta que seu processo criativo se baseou, em grande parte, na relação e na troca entre o personagem espectador e a figura de Dedé Santana, “mito nacional e embaixador do circo”.

“Esse entrosamento de linguagens criativas contribuiu muito para a montagem. Meu personagem pode ser considerado um alter ego do próprio público. Eu represento aquele espectador que está ali na plateia e tem a oportunidade de encontrar um grande ídolo no camarim”, conta Fioravante.

A ideia é que cada pessoa presente na plateia possa se identificar com esse encontro e essa mistura de posições. O encontro entre Careta (Dedé Santana) e Benvindo (Fioravante Almeida), um vendedor de sapatos, faz com que ambos questionem a vida e a própria existência. Em constante alternância de protagonismo, um dos personagens parece dominar a cena a cada instante, quando o outro retoma novamente a força momentânea do diálogo. A ideia é despertar novas reflexões, emoções e possibilidades de diálogo com o público através do espetáculo.

Novos desafios

Aos 81 anos, Dedé Santana enfrenta novos desafios em sua carreira. O ator e palhaço interpretou, pela primeira vez, personagens diferentes do conhecido e consagrado Dedé nas telas de cinema. A experiência rendeu cinco novos filmes no ano passado, entre eles, Repartição do tempo, produção brasiliense que estreia no mesmo dia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, que o espetáculo Palhaços.

Para o ator, as novas experiências lhe renderam bons frutos e ainda mais crescimento enquanto artista, inclusive uma homenagem em um dos longas gravados. A ideia é continuar a produção nos palcos, picadeiros e telas a todo vapor, enriquecendo suas experiências artísticas e contando boas histórias ao público enquanto houver tempo disponível para criar.

Palhaços
No Teatro 1 do CCBB (Sces Tr. 2), de 25/01 a 10/02; de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). O espetáculo dura 70 minutos e a classificação indicativa é de 12 anos.

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