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Estado de Minas

Hip hop espera sua consagração na premiação do Grammy

Os prêmios Grammy serão entregues excepcionalmente este ano em Nova York, lar de Jay-Z, para marcar a 60ª edição da premiação após 14 anos em Los Angeles


postado em 28/01/2018 12:00 / atualizado em 28/01/2018 14:06

Muitas vezes criticada pela sua falta de contato com a realidade, a premiação do Grammy, que acontece neste domingo (28/1) em Nova York, pode recuperar a legitimidade ao consagrar o hip hop, gênero dominante nos Estados Unidos, que teve um bom resultado nas indicações.

Três álbuns de hip hop aspiram ao prêmio de Álbum do ano, o maior da indústria da música americana.

Pela primeira vez nenhum homem branco foi indicado a este prêmio, no qual 4:44, da estrela do rap Jay-Z disputa com álbuns dos rappers Kendrick Lamar e Childish Gambino, e com Bruno Mars, que ressuscitou o funk, e uma única mulher, a jovem neozelandesa e prodígio do pop Lorde.

Liderando com oito indicações, Jay-Z, de 47 anos, marido da cantora Beyoncé, já recebeu 21 prêmios Grammy, mas nunca nas principais categorias.

Os prêmios Grammy serão entregues excepcionalmente este ano em Nova York, lar de Jay-Z, para marcar a 60ª edição da premiação após 14 anos em Los Angeles.

Conquistas em espanhol
Entre o reggaeton e o rap, o hit viral em espanhol Despacito, que se manteve no top do Hot 100 da Billboard durante 16 semanas consecutivas, um recorde histórico, aspira a outros três prêmios.

Em um momento em que o presidente americano, Donald Trump, fez da luta contra os imigrantes em situação irregular uma de suas prioridades e demorou a entregar a ajuda a Porto Rico depois de um devastador furacão, a canção foi indicada para Gravação do ano, Canção do ano e Melhor atuação de dupla ou grupo.

A versão indicada apresenta seus dois criadores, o músico porto-riquenho Luis Fonsi e seu compatriota rapper Daddy Yankee, assim como a estrela canadense do pop Justin Bieber.

O videoclipe de Despacito também é o mais visto na história do YouTube.

Durante anos, a Academia de Gravação, integrada por 13 mil músicos profissionais, desdenhou do hip hop.

Apenas dois álbuns de rap venceram a categoria de Álbum do ano na história do Grammy, mas o hip hop se tornou este ano o estilo musical mais popular nos Estados Unidos superando o rock.

A premiação poderia se ver influenciada pela implementação do voto eletrônico pela primeira vez, que permitirá que jovens músicos itinerantes possam votar on-line.

"Nos últimos anos houve uma falta de presença da cultura hip hop, mas acho que o rap comercial agora entrou em todos os lados, seja na música ou nos filmes", considerou Akil Houston, professor da Universidade de Ohio e especialista no tema.

Nem sempre aceito pelo establishment, o hip hop aumentou consideravelmente a sua presença nos downloads on-line e nas plataformas de streaming.

"É uma maneira de fugir dos guardiões, das barreiras e dos obstáculos da indústria tradicional", disse Murray Forman, professor da Universidade Northeastern, em Boston.

E as mulheres?
A homenagem do Grammy ao hip hop, um gênero historicamente masculino, está dominada pelos homens.

Duas mulheres rappers de fama crescente, Rapsody e Cardi B, estão indicadas nas categorias de rap, mas não nas quatro principais.

E nem todos estão de acordo. Lorde disse à revista Billboard que Cardi B - a nova-iorquina Belcalis Almanzar, filha de um pai dominicano e de uma mãe trinitária - merecia uma indicação nas principais categorias porque "definiu 2017" com sua canção Bodak Yellow.

A ausência de mulheres no Grammy é, em parte, culpa do calendário. Duas cantoras, Adele e Taylor Swift, venceram os dois últimos prêmios de Álbum do ano. Mas canções de Swift, Beyoncé e outras artistas foram lançadas fora do período de elegibilidade para este Grammy.

Não obstante, em um possível reconhecimento do movimento contra o abuso sexual #MeToo, os artistas convidados a cantar na cerimônia incluem Kesha, que luta para se livrar de um contrato com seu produtor, Dr. Luke, a quem acusou de estupro.

Um grupo de músicos também propôs usar uma rosa branca na cerimônia de domingo para defender os movimentos #MeToo e #Time'sUp.

Tanya Pearson, fundadora do Projeto de História Oral de Mulheres no Rock no Smith College, disse que a indústria da música tem um problema de gênero profundamente arraigado já que as pessoas que marcam as tendências e os jornalistas são predominantemente homens.

"Toda a narrativa de sexo, drogas e rock'n roll é misógina e masculina, e esse ainda é o contexto contra o qual as mulheres debatem", afirmou.

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