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Estado de Minas

Fotógrafo da National Geographic, Chris Rainier dá palestra em Brasília

Ele conversa nesta terça com o público na Casa Thomas Jefferson sobre o olhar para situações de extinção de certas culturas


postado em 06/02/2018 07:00 / atualizado em 06/02/2018 09:25

 
A fotografia pode ajudar a salvar culturas tradicionais. Com essa ideia, Chris Rainier percorreu o mundo em busca de imagens que ajudassem a documentar sociedades ameaçadas de extinção e produziu um extenso portfólio publicado em livros e na revista National Geographic, da qual é membro. É sobre essa prática que ele conversa nesta terça (6/2) com o público na Casa Thomas Jefferson em uma palestra na qual pretende contar como é possível despertar os olhos do mundo para situações de extinção de certas culturas.

Eleito um dos fotógrafos mais influentes do mundo pela American Photo Magazine, Rainier é especialmente conhecido pelo trabalho nos livros Keepers do the spirit (1993), Where masks still dance (1996) e Ancient marks: The sacred origins of tattoos and body markings (2004). Ao longo de décadas, ele percorreu o planeta em busca de culturas cujo conhecimento e língua estão prestes a desaparecer. Para isso, esteve na Papua Nova Guiné e, durante uma década, acompanhou tribos que ainda preservam práticas milenares. O resultado está no livro Where masks still dance, publicado em 1996. No Brasil, ele esteve na Amazônia e registrou os índios kaiapós.

Além da National Geographic, as fotos de Rainier também apareceram em publicações como Life, Time e The New York times. Para o fotógrafo, que nos anos 1980 foi assistente de Ansel Adams, um dos nomes mais importantes da fotografia norte-americana, os registros são fundamentais para a preservação. “A fotografia pode ser usada como um instrumento social. Imagens icônicas feitas em momentos decisivos podem afetar e mudar o curso dos eventos e até mudar o mundo. Eu acredito que fotografar e documentar culturas ameaçadas de desaparecer, seus conhecimentos e sua linguagem é crucial para a sobrevivência e preservação do conhecimento tradicional humano de culturas indígenas”, diz.

Rainier se deu conta de que queria trabalhar com fotografia quando era menino. Nascido na África do Sul, ele passou parte da infância na Austrália,    onde teve contato com os aborígenes. “Soube então que queria dedicar minha vida a ajudar a preservar culturas antigas e conhecimento tradicional”, conta. Para isso, ele criou projetos como o Enduring voices project, que ajuda a documentar as últimas culturas tradicionais do mundo e o All roads photography program. Esse último dá voz aos indígenas por meio da fotografia. “Dê uma câmera para essas pessoas e deixe que elas contem suas histórias”, explica Rainier. “É uma corrida contra o tempo.”
 
Três perguntas / Chris Rainier
 
Qual o papel de revistas como a National Geographic na proteção de civilizações em perigo? 
Informação é poder, informação é o primeiro passo para a persuasão e a mudança. Empodera uma sociedade e ela pode fazer mudanças para melhor.

Quantas sociedades tradicionais você estima estarem em perigo? E o que mudou desde 1980?
Estamos em uma catastrófica perda de culturas. Das 6.000 línguas que restam hoje no planeta, uma média de 60% estarão extintas em 50, 60 anos.  A cada duas semanas morre um ancião tradicional e, com ele, toda uma língua e todo um sistema de conhecimento. Essa é uma imensa perda na soma total do conhecimento humano que estamos perdendo ao longo da vida.

Você chegou a trabalhar no Brasil? Que culturas aqui estariam ameaçadas?
Trabalhei com os Kayapos e com tribos do Xingu na Amazônia. Realmente, tribos da Amazônia e por todo o continente sul-americano estão em perigo. Estamos numa corrida contra o tempo para dar a eles escolhas, ajudá-los a se empoderar para decidir o que eles desejam fazer com as línguas, das culturas e seu conhecimento. 

Talk show com Chris Rainier
Nesta terça (6/2), às 20h, na Casa Thomas Jefferson (SEPS 706/906). Entrada franca

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