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Estado de Minas

A diversidade sonora de Ennio Morricone ganha mostra no CCBB

Compositor é um dos mais bem pagos da indústria do cinema


postado em 07/02/2018 07:30 / atualizado em 07/02/2018 11:02

 
Ennio Morricone é responsável pela criação de mais de 500 trilhas para filmes e séries (foto: AFP PHOTO/FREDERIC J. BROWN)
Ennio Morricone é responsável pela criação de mais de 500 trilhas para filmes e séries (foto: AFP PHOTO/FREDERIC J. BROWN)
 
Responsável por pinçar 22 filmes para a seleção da mostra Sonora: Ennio Morricone (em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil), o curador Rafael Bezerra não guarda segredo quanto à obra preferida do compositor envolvido na criação de mais de 500 trilhas sonoras de produção audiovisual. “A que mais gosto e mais ouvi na vida, sem dúvidas, foi a criada para o filme A missão (1986), de Roland Joffé. Minha mãe sempre colocava o disco para tocar em casa quando era pequeno. Não tem como não se apaixonar pela melodia do oboé, tema principal da obra, com a mistura de percussões que remetem à cultura indígena e a excelência do coral que lembra as missas de igreja. Ou seja, Morricone conseguiu criar uma obra emocionante, melancólica e que transmite bem o enredo do filme”, observa o curador.

A missão, com sessão programada para o dia 18 (em caráter gratuito), revela a crise ética vivida por um padre que, no século 18, fica pressionado por forças oligárquicas. No filme, há inclusão de traços correntes nas fitas que levam o tom de Morricone: sons do dia a dia e até vozes de pessoas, presentes nas orquestrações muito particulares. “Ennio é bem singular, sempre inconfundível — embora tenha trabalhado em filmes absolutamente diferentes. Vale dizer que alguns de seus melhores trabalhos foram feitos em Hollywood, em filmes de grandes estúdios”, pontua o curador.

Até 25 de fevereiro, no CCBB, será possível conferir o vasto trabalho associado ao homem que já se deu ao luxo de, dada a quantidade de produções, assinar obras com pseudônimos, como os de Leo Nichols e Nicola Piovani. Clássico absoluto da filmografia, Os intocáveis (de Brian De Palma) será mostrado sexta, numa sessão inclusiva. Amanhã, com entrada franca, o CCBB oferece exibição gratuita de Cinzas do paraíso (às 19h30), título que rendeu a tardia indicação de Ennio Morricone ao primeiro Oscar, que ocorreu somente em 1979. Prestes a completar 90 anos, Morricone é uma grife que calibra dramas como Cinema Paradiso. Atualmente, paira como um dos compositores de trilha mais bem pagos da indústria.
 
 
Antes de fazer trilhas de cinema, Morricone já era um arranjador bem peculiar de músicas pop italianas. “Nesse trabalho já era possível identificar algumas das características que marcariam sua carreira no cinema, sobretudo a influência da música concreta, a incorporação de ruídos os mais diversos. Essa marca que o Morricone levaria para o cinema pontua um momento de ruptura com o tipo de trilha sonora que era feito no cinema clássico.” Músicas mais curtas, dotadas de uma força visual ímpar — dramáticas, românticas e operísticas, tudo num só tempo.

Sábado, às 16h, será a vez de muitos conhecerem 1900 (1976), em que Bernardo Bertolucci tratou da germinação do fascismo e do comunismo, ao examinar os 45 anos das vidas de Olmo (Gérard Depardieu) e Alfredo ( Robert De Niro). 1900 (selecionado para sessão gratuita) é desenvolvido em mais de cinco horas de enredo. Outro filme fundamental a ser destacado é Cão branco (1982), de Samuel Fuller, cartaz das 19h30 em 17 de fevereiro, em sessão de graça. Cão branco (1982) apresenta um enredo em que se faz necessário reeducar um cachorro doutrinado a atacar pessoas negras. Sonora traz todos os espectros da diversidade do cinema compactuado por Ennio Morricone.


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