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Estado de Minas

Todo ano, o carnaval de rua de Brasília sofre com problemas

Neste ano, alguns blocos optaram por não sair e segurança se tornou o ponto de maior reclamação


postado em 08/02/2018 07:30 / atualizado em 09/02/2018 10:41

Um dos maiores blocos da capital, o Babydoll de Nylon, que reuniu 160 mil pessoas ano passado, não fará desfilará em 2018(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 25/2/17)
Um dos maiores blocos da capital, o Babydoll de Nylon, que reuniu 160 mil pessoas ano passado, não fará desfilará em 2018 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 25/2/17)
 
A cada ano, o carnaval de Brasília passa por mudanças. A folia já viu o ápice dos bailes dos clubes e dos desfiles das escolas de samba. Atualmente, são os blocos de rua que dominam e fazem a festa na capital arrastando multidões. Apesar de um cenário efervescente com novos blocos surgindo a cada carnaval e mais de 30 alternativos e independentes que se juntam aos tradicionais (composto por sete grupos), a folia momesca em Brasília não vive apenas de confete e serpentina. Repetidamente, problemas antigos reaparecem no período – enquanto novos também ganham espaço.

“De fato, é inegável que o carnaval, com o passar dos anos, ganha em termos de número de pessoas. Houve um ‘boom’ de novos blocos de rua e os antigos passaram a receber uma quantidade interessante de público. Isso aconteceu por conta da crise econômica e do fato do carnaval de Brasília ser bem diverso, para vários públicos. Entra ano, sai ano, estamos aprimorando o carnaval, mas é preciso um acompanhamento disso em termos de serviços públicos”, analisa Dayse Hansa, articuladora do coletivo dos blocos alternativos do DF, composto por 33 grupos.

Para a agitadora cultural ainda existe uma carência e um atraso nas articulações diretas com o governo local. “Entendemos que o governo tem uma estrutura engessada e tem toda a questão do orçamento. Mas estamos brigando há três anos. O GDF não se preparou para o pré-carnaval. É algo que vem se repetindo”, explica. Dayse Hansa ainda aponta que há um problema de diálogo. “Procuramos a secretaria há 10 meses e nossa primeira reunião foi em janeiro deste ano. Há um diálogo, mas é falho, não se dá encaminhamento e se criam problemas que inviabilizam a saída dos blocos”, completa. Este ano, por exemplo, dois grandes blocos do carnaval alternativo anunciaram que não sairão às ruas devido aos problemas na concepção da folia.
 
Confusões: o bloco Raparigueiros contará com segurança privada(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 28/2/17)
Confusões: o bloco Raparigueiros contará com segurança privada (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 28/2/17)
 

O Babydoll de Nylon, que reuniu, ano passado, 160 mil pessoas e existe desde 2011, resolveu ficar de fora da folia. O bloco alegou diversos motivos, entre eles, a insegurança e as incertezas diante de uma nova edição. No desfile de 2017, o grupo registrou casos de intolerância e violência e, por isso, queria para 2018 um limite de público. “O novo formato exigiria mais trabalho, mais diálogo com o governo e, claro, mais dinheiro proveniente de patrocínios privados. O carnaval sustentável é criado a partir de estratégias de patrocínio, e não exclusivamente com injeção de dinheiro público”, afirma o grupo.

No entanto, uma das exigências do GDF ainda no início deste ano era de que os blocos não tivessem patrocínio direto de empresas privadas. A mudança só aconteceu dias depois, quando o governo informou que a verba de R$ 5 milhões da Secretaria de Cultura destinada ao carnaval não poderia ser usada no pré-carnaval brasiliense e resolveu flexibilizar a decisão, garantindo um valor de R$ 1,4 milhão investido pela Ambev, que se tornou a patrocinadora.

Por meio de nota, a secretaria de Cultura negou a informação e ressaltou que lançou um edital de chamamento para patrocinadores em outubro do ano passado, com o objetivo de conseguir recursos com a iniciativa privada para o carnaval de 2018 e, por isso, nunca houve uma flexibilização de decisão, mas sim uma forma de solucionar o pré-carnaval. "Nunca houve esta exigência de que blocos não tivessem patrocínio direto. Pelo contrário, o governo incentivou e viabilizou patrocínio direto por meio do edital de patrocínio. Este modelo de financiamento com maior participação privada, por meio de incentivo direto, tem sido inclusive a tônica da política do carnaval", diz. O órgão, ainda completou, que "não haveria possibilidade de patrocínio direto caso o bloco quisesse contar com os recursos públicos". 

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, argumenta que foi criado o Centro Integrado de Atendimento ao Carnavalesco (Ciac), “que permitiu que os organizadores dos blocos tratassem com todos os órgãos num só local”. “Entendemos que o papel do governo é fornecer estrutura, e nunca houve dificuldade no diálogo com relação às estruturas e logística necessárias”, afirma. De acordo com ele, o diálogo se estabelece e amadurece desde 2016.

Confusões: o bloco Raparigueiros contará com segurança privada(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 28/2/17)
Confusões: o bloco Raparigueiros contará com segurança privada (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 28/2/17)


Violência

Seguindo o caminho traçado pelo Babydoll, o coletivo Confronto Sound System optou por não participar do carnaval 2018 após 12 anos na rua. O grupo publicou nas redes sociais uma lista de sugestões para debater a festa em Brasília. Um dos pedidos do Confronto está ligado à questão da segurança: “Que seja criado grupo ou batalhão de Polícia Militar, com policiais escolhidos por vocação e não de forma compulsória, para lidar com grandes aglomerações de público”. O grupo ainda questionou: “Que a Secretaria de Segurança do DF esclareça, nas reuniões preparatórias, quais critérios e metodologia utiliza na relação ‘quantidade de efetivo de policiamento versus quantidade de pessoas’. E que forneça informação comparativa com as estratégias adotadas por outras polícias, dos diversos estados brasileiros, em situação análoga”. 

Os blocos Raparigueiros e Baratona, que tiveram problemas com violência em carnavais anteriores, por exemplo, contarão com um reforço de 80 seguranças privados para acompanhar os dois dias de desfile que, este ano, será no Eixo Monumental. “Avaliamos que um dos principais motivos para brigas são as pessoas querendo se aproximar do trio. Sugerimos à secretaria a colocação de dois trios, o que evitaria um empurra-empurra. Existe também um compromisso maior da Polícia Militar, que reforçará o policiamento nesse ano”, conta Wellington de Santana, do Raparigueiros.

Entre os blocos tradicionais, há outros problemas. O Galinho de Brasília estava sendo pressionado para deixar o Setor de Autarquias Sul. Assim como a Baratona e o Raparigueiros tiveram que mudar do Eixão para o Eixo Monumental. 

A verba para viabilizar o carnaval também é um problema entre os grupos. Vários alegam que não conseguem sair sem a ajuda do governo. É o caso do grupo Mamãe Taguá, que ainda não tem certeza se estará nas ruas na folia, e o Grêmio Recreativo Carnavalesco Unidos de Vicente Pires (Gruvipi), que anunciou o cancelamento do desfile. De acordo com o grupo, a Secretaria de Cultura teria avisado que não atenderia as demandas de infraestrutura do bloco. A Secult diz que garantiu os R$ 6,4 milhões para atender cerca de 136 blocos de rua.

A Secretaria de Segurança Pública do DF se manifestou na manhã desta quinta-feira (8/2) por meio de nota. Confira a íntegra:

A Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social informa que durante as reuniões com representantes dos blocos de carnaval, nesta semana, ficou acordado que a duração total dos eventos é de 7 horas, já contado o tempo para dispersão do público.

A medida será adotada para que a capacidade operacional da Polícia Militar do Distrito Federal atenda a todos os blocos sem comprometer a segurança e sem que haja prejuízo no policiamento ordinário nas regiões do DF.

Ressaltamos que a competência para emissão do licenciamento de eventos é da Administração Regional.

A Polícia Militar do Distrito Federal informa que, inicialmente, o bloco “Quem chupou vai chupar mais” estimou público de 3 mil pessoas, o que baseou o plano de segurança da corporação. Ao perceber que o número de pessoas era três vezes maior que o informado, a PMDF solicitou reforços e empenhou todos os esforços para garantir a segurança dos foliões. 

Qual é o melhor de Brasília?
Em mais um ano, o Correio Braziliense premia os destaques da folia candanga com o Troféu #CBfolia2018, com o patrocínio do Big Box. Na primeira edição, Galinho de Brasília, Baratona e Suvaco da Asa receberam o prêmio por terem sido os blocos mais votados pelos leitores e o Babydoll de Nylon recebeu o troféu concedido por uma comissão julgadora do Correio. No segundo ano, a premiação foi para os blocos Babydoll de Nylon, Eduardo e Mônica e Raparigueiros, com menção honrosa ao Divinas Tetas. O prêmio de 2018 contará com uma enquete popular e uma comissão julgadora para eleger os quatro melhores blocos do carnaval de Brasília. A votação on-line é de 10 a 14 de fevereiro pelo site www.correiobraziliense.com.br/carnaval2018. Participe e poste nas redes sociais utilizando a hashtag #CBfolia2018. Que vençam os mais animados!
 

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