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Estado de Minas

Conheça os pioneiros do carnaval brasiliense

O Correio ouviu as histórias e resgatou a memória de gente que fez o carnaval da capital federal expandir


postado em 12/02/2018 07:30 / atualizado em 11/02/2018 16:14

Preparativos para escolha da musica do Pacotão no Conic, com Jadir Rodrigues, 68 anos, Paulo Miranda, 63 anos, José Antonio Filho, jornalista, e Cícero Ferreira, fundador do bloco(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Preparativos para escolha da musica do Pacotão no Conic, com Jadir Rodrigues, 68 anos, Paulo Miranda, 63 anos, José Antonio Filho, jornalista, e Cícero Ferreira, fundador do bloco (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Aos 57 anos , Brasília pode dizer que tem tradições, e o carnaval é uma delas. A cada ano, é possível perceber o crescimento de blocos de rua que celebram a folia nos mais diversos cantos da cidade, ao lado de festas e bailes. Nada disso seria possível se alguns moradores não tivessem dado o pontapé inicial e organizado esses eventos.

O Correio ouviu as histórias e resgatou a memória de gente que fez o carnaval da capital federal expandir até o ponto que vemos — e brincamos — hoje. Conheça alguns desses pioneiros que, ao lado de muitos outros, nos fizeram felizes.

Jeanne Brocos, a tricampeã
A diretora da Acadêmicos da Asa Norte Jeanne Brocos se apaixonou ainda cedo pelo samba. Quando se mudou para Brasília vindo do Rio de Janeiro, ela logo se identificou com a agremiação, pois “era pequena e os ensaios, muito animados”. Assim que se filiou à escola de samba, quis ajudar na organização. “Sou arquiteta, então, quando entrei ,cuidei logo de arrumar a quadra”, comenta.

Ela relembra que a Acadêmicos da Asa Norte “estava sempre lá embaixo. A gente desfilava, mas não ganhava. Estávamos no Grupo de Acesso. Até que o Robson (Faria) foi eleito presidente” e a escola foi ficando mais unida e organizada. Um ano depois da nomeação do presidente, veio a primeira vitória. “Não imaginávamos que ganharíamos e tomamos gosto”, brinca Jeanne. A escola é atualmente tricampeã do carnaval brasiliense.


Joãozinho da Vila, o neofanfarrão
Ao perceber a carência de grupos locais na região em que habitava, Joãozinho da Vila Planalto criou o bloco Vilões da Vila em 2009. Comprou 25 instrumentos de percussão e deu início à carreira da bateria Suingue da Vila Planalto. O agitador cultural morreu ano passado, mas o filho dele, André Rolin, dá seguimento ao trabalho do pai.

“Meu pai era visto pela comunidade como um morador empenhado em trazer cultura, eventos para inserir a Vila no circuito crescente de arte na cidade, sem deixar de valorizar o passado”.

André Rolin se comprometeu a dar vida longa ao Vilões da Vila e comenta que “é importante dar continuidade, porque acredito que faço parte da efervescência do neofanfarrismo de rua em Brasília. Com isso, consigo trazer novas possibilidades para a cidade”.

Além disso, ele guarda na memória muitas cenas especiais —  “é marcante quando alguém sai de casa e leva água ou cerveja para os músicos e abre um sorriso”, exemplifica.

Joka Pavaroti, o irreverente
José Antônio Filho, ou Joka Pavaroti, é um dos fundadores do Pacotão, um dos blocos de carnaval mais tradicionais de Brasília. As características marcantes do bloco são a sátira e o bom humor, sem contar as referências à política brasileira. “A crítica política é o mote do Pacotão e das marchinhas que a gente cria”, explica Joka.

As marchinhas são marcas registradas do Pacotão e, em 2010, com a prisão do ex-governador José Roberto Arruda, foi composta uma em alusão ao acontecimento. 

Pavaroti destaca a  marchinha de Arruda como a sua favorita. “Foi uma marchinha feita por Moa e Guarabira, dois carnavalescos da cidade. Ela, hoje, é considerada o hino do pacotão e é cantada na avenida em todo desfile”.

Moacyr Oliveira, o presidente
Moacyr Oliveira, ou somente Moa, como gosta de ser chamado, é o presidente da Aruc, a escola de samba mais vitoriosa de Brasília e também foi um dos fundadores do Pacotão. Ele também se recorda como foi o primeiro contato com a Aruc: “Quando fundamos o Pacotão, o primeiro desfile foi no carnaval de 1978, e a primeira pessoa que nós procuramos foi o Nilton de Oliveira, conhecido como Sabino. Ele era o presidente da Aruc na época, considerado uma das maiores figuras do carnaval de Brasília.”

“É impossível falar do carnaval de Brasília e não falar da Aruc”, orgulha-se Moa, que está em seu quinto mandato como presidente da escola de samba. “Me emociona bastante o título de 50 anos da Aruc, quando fizemos uma homenagem à própria escola pelo aniversário ”, afirma o presidente da escola 31 vezes campeã.

Moema Leão, a festeira
A dama da sociedade brasiliense Moema Leão participou de muitos carnavais, indo aos bailes da cidade. Ela relembra que os eventos do Iate Clube eram os mais divertidos quando começou a frequentar esse tipo de festividade. “Na década de 1980, o meu ex-marido era diretor social do Iate Clube de Brasília. Então, resolveram criar o baile do clube. Pegaram um galpão de guardar barcos e dividiram em camarotes. Aquele era o melhor carnaval da cidade! E, acredite, o nosso camarote era o mais animado de todos”.

As memórias que tem daqueles bailes só trazem alegria a Moema. “A gente aproveitava muito, se arrumava toda. Eu levava sempre comigo meus filhos. Lembro muito da Valéria (uma das filhas) toda fantasiada brincado no baile”.
Por isso, depois fazia um baile à fantasia que ficou muito famoso na cidade: eram as noites hollywoodianas. “Na Noite de Hollywood, as pessoas tinham que ir fantasiadas e o dinheiro foi usado para construir e manter uma creche na Ceilândia”, rememora.

Romildo de Carvalho, o pernambucano
Romildo de Carvalho é um dos pernambucanos que fundou o Galinho de Brasília, em 1992. Por causa do confisco das poupanças do governo Collor, um grupo de amigos não conseguiu passar o carnaval em Recife naquele ano. Então, o grupo decidiu fazer um bloco de rua ao som do frevo. 
 
Em 2009, 17 anos depois, Romildo relembra um momento que ficou na memória tanto dele quanto dos foliões mais assíduos. “O Galinho foi proibido de fazer a concentração na entrequadra 203/204 Sul, mas queríamos manter a tradição e deixar o bloco vivo. Então, passamos a nos concentrar em outro lugar e quando passamos pela quadra cantamos Madeira que cupim não rói, uma música antiga, mas que tinha tudo a ver com o momento, pois diz ‘E se aqui estamos, cantando esta canção/ Viemos defender a nossa tradição/ E dizer bem alto que a injustiça dói/ Nós somos madeira de lei que cupim não rói’ E continuamos a cantar toda vez que passamos lá.” 
 

* Estagiários sob a supervisão  de Vinicius Nader
 

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