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Estado de Minas

Festival Experia reúne cantores e compositores de todo o país

Otto, Tulipa Ruiz, Curumin e as trans do As Bahias integram a programação


postado em 15/02/2018 07:30 / atualizado em 15/02/2018 09:39


 
Curumin(foto: Ava Rocha/Divulgacao)
Curumin (foto: Ava Rocha/Divulgacao)
 
Quando, há três anos, o público tomou conhecimento de As Bahias e a Cozinha Mineira, após o lançamento do álbum Mulher, as trans Assucena Assucena e Raquel Virgínia, vocalistas e líderes da banda, vinham de uma experiência musical iniciada há quatro anos, na Faculdade de História da Universidade de São Paulo (USP). Lá, costumavam se apresentar acompanhadas pelo guitarrista Rafael Acerbi, em festas nas quais cantavam sucessos da axé music.

Em seguida, depois de minuciosa pesquisa sobre a obra de Gal Costa, com foco no período de 1967 a 1983, os três passaram a fazer shows, com base nesse repertório, não só na USP, como também no circuito alternativo paulistano. Esse projeto, marco do início da carreira do grupo, o manteve em atividade e o levou a excursionar pelo país – vindo, inclusive, a Brasília, para participar do festival Satélite 061, quando abriram para a musa da Tropicália.

As Bahias(foto: Dilleto Producoes/Divulgacao.)
As Bahias (foto: Dilleto Producoes/Divulgacao.)



De volta à capital, As Bahias abrem hoje, às 20h, um outro festival, o Experia 2018, que ocupa o palco do Teatro da Caixa até domingo, com diversificada programação, que promove o encontro de cantores e compositores, originários de diferentes regiões do país, que têm se destacado na cena independente da música contemporânea brasileira. Eles têm em comum a ousadia de propor a mistura de linguagens e ritmos, inovar nas letras, abusar dos sintetizadores, além de, com seu trabalho, ter presença massiva no espaço virtual.

No show — em que têm como convidado o rapper carioca Bnegão —, a baiana Assucena Assucena e a paulista Raquel Virgínia farão uma espécie de retrospectiva da ainda curta carreira, interpretando músicas dos CDs Mulher (2016) e Bixa (2017); além de clássicos de Gal Costa – a quem homenagearam. Elas têm a companhia de Júlio Caldas (guitarra), Patrício Motta (baixo) e do DJ Lúcio K.b.
 

Outras atrações 

 
BNegão (RJ) 
Tido como um dos mais criativos rappers do Brasil, o carioca BNegão iniciou a trajetória musical como vocalista da banda Planeta Hemp, na década de 1990. No fim de 2002, partiu para carreira solo, ao lançar – de forma independente – o CD Enxugando gelo, acompanhado pela banda Seletores de Frequência. Quatro anos depois, chegou ao mercado com Baile Bass, ao lado do Turbo Trio e tendo como parceiros Tejo Damasceno e Alexandre Basa. Sintonia lá, de 2012, é o nome do segundo disco com os Seletores, com quem lançou, em 2015, o TransmutAção. O trabalho que desenvolve com o grupo resulta de uma alquimia sonora, que mistura dub, percussão de terreiro, funk, rap surf rock, samba-jazz e ciranda.



Curumin (SP) 
Luciano Nakata Albuquerque é nome do cantor, compositor e multi-instrumentista paulistano, descendente de japoneses, conhecido artisticamente como Curumin. Em seu elogiado trabalho, ele incorpora elementos do hip-hop, funk, jazz, samba e bossa nova, presentes nos quatro discos que lançou: Achados e perdidos (3005), Japan pop show (2008), Arrocha (2012) e Boca (2017). Esse último, indicado para o Grammy Latino, na categoria de melhor álbum de rock alternativo de língua portuguesa.



Russo Passapusso (BA) 
Vocalista da Bayana System, uma das mais destacadas bandas do circuito independente nacional, Russo Passapusso é visto como grande revelação da música baiana e brasileira desta década. Se à frente do grupo arrasta multidões para shows e desfile no carnaval de Salvador, desde o lançamento do álbum Duas cidades, de 2016, com seu trabalho autoral Paraíso da Miragem, teve sua versatilidade comprovada, ao passear pelos mais distintos estilos musicais brasileiros. No CD, que teve produção e arranjos de Curumin, Lucas Martins e Zé Nigro, há a participação de BNegão, Edgard Scandurra, Anelis Assumpção e Marcelo Jeneci.



Pélico (SP) 
Quem também já contabiliza uma década de carreira é Pélico, conhecida voz da cena independente paulistana. Ele comemora a data com uma série de shows e um deles será no Festival Experia, acompanhado por Regis Damasceno (guitarra), Augusto Passos (baixo), Clayton Martin Pereira (bateria) e André Lima (teclado). Na apresentação, ele vai interpretar canções dos CDs O último dia de um homem sem juízo (2008), Que isso fique entre nós (2011) e Euforia (2015), além de músicas inéditas, que farão parte do quarto CD, a ser lançado no segundo semestre.



Filipe Catto (RS) 
Dono de uma das vozes mais expressivas da MPB contemporânea, Filipe Cato, gaúcho radicado em São Paulo, surgiu na cena independente nacional em 2011, ao lançar o álbum Fôlego. Na sequência, vieram o ao vivo Entre cabelos, olhos e furacões (2013), Tomada (2015) e Catto (2017). Esse último lançado pela gravadora Biscoito Fino, com produção de Felipe Pueri, da banda gaúcha Wannabe Jalva, apresenta um repertório tido como hedonista pelo cantor. No show Over, ele vem mostrando canções do Catto. No Experia, é convidado de Pélico.



Juliana Perdigão (MG) 
O show Ó, que Juliana Pedrdigão apresenta no Experia, é também nome do CD de estreia que a cantora mineira lançou no segundo semestre de 2016, pelo projeto Natura Musical. O repertório traz composições de companheiros de geração, como Kiko Dinucci, Held Kristoff Silva, Makely Ka, Ava Rocha, Negro Leo, Guilherme Held, Clima e Luiz Gabriel Lopes, além da consagrada Na Ozzetti. No palco, Juliana tem ao lado a banda Os Curva.



Tulipa Ruiz (SP) 
Tu, o álbum mais recente de Tulipa Ruiz, é descrito por ela como “nude”, pelo seu caráter acústico. O CD contém releituras intimistas de sucessos da carreira da cantora paulistana, além de algumas inéditas; e foi produzido e gravado em Nova York, ao lado do irmão Gustavo Ruiz e do parceiro Stéphane SanJuan. Os discos anteriores foram Efêmera (2010), Tudo tanto (2012) e Dancê (2015). 



Márcia Castro (BA) 
Com uma carreira iniciada aos 16 anos, a baiana Márcia Castro fez sua estreia em disco há 12 anos, quando lançou o CD Pecadinho, produzido por Luciano Salvador Bahia. O segundo álbum, De pés no chão, é de 2012, quando já estava radicada em São Paulo. Depois vieram Das coisas que surgem (2014) e o sensual e provocante Treta, com produção de Marcos Vaz e direção de Giovanni Bianco, que saiu pelo selo Joia Moderna, do DJ Zé Pedro.



Otto (PE) 
Ex-percussionista da primeira formação da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, Otto é uma das principais referências da música contemporânea pernambucana. Como vocalista, ele estreou no CD Samba pra burro, de 1998. Em 2001, lançou Condon Black; e, em 2003 o Sem gravidade, álbuns que o projeto na cena independente nacional. Dois anos depois, gravou o MTV apresenta Otto. Em 2009, veio o sucesso com o Certa manhã acordei de sonhos intranquilos, de 2009, conhecido pelas faixas 6 minutos e Crua. The moon 1111 é de 2012, enquanto Ottomatopeia, de 2017, é o trabalho mais recente.
 
Tulipa Ruiz(foto: Rodrigo Schmidt/Divulgacao)
Tulipa Ruiz (foto: Rodrigo Schmidt/Divulgacao)
 

Três perguntas para Assucena Assucena 

  
 
Como, quando e onde surgiu As Bahias e a Cozinha Mineira? 
A banda nasceu na Faculdade de História da USP, onde eu, baiana de Vitória da Conquista, conheci a paulista Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, compositor e guitarrista, mineiro de Poços de Caldas. Lá, em 2011 começamos a animar festas à base de axé music. Antes, havíamos feito um show em homenagem a Amy Winehouse, logo após a morte dela, que repercutiu bastante no meio universitário. Logo depois de vermos um vídeo do show Baby Gal, passamos a pesquisar a discografia de Gal Costa do período de 1968 a 1983. Aí, criamos um repertório com as canções de Gal, a partir do India, um disco evolucionário, libertário, à frente do tempo até hoje. O show, com esse repertório, nos levou a várias cidades do país, inclusive a Brasília, onde nos apresentamos no Festival Satélite 061.


A Gal tomou conhecimento desse show?
Claro, até porque no Satélite 061 abrimos para ela. No final, ela falou com a gente, mas não fez comentário sobre o show. Quando participou do programa do Pedro Bial, na TV Globo, perguntada por ele sobre a homenagem, ela falou que achava interessante.


O Tropicalismo serviu de referência para vocês, quando compuseramcanções para o Mulher, o autoral disco de estreia d’As Bahias? 
Até por termos feito a pesquisa em cima da obra de Gal, em que há muitas canções de Caetano Veloso e Gilberto Gil, não tínhamos como não nos influenciar pelo movimento tropicalista. Mas bebemos na fonte também do que foi produzido por Milton Nascimento, Lô Borges e outros compositores do Clube da Esquina. O Mulher, com 13 faixas, assinadas por mim e pela Virgínia, foi gravado em 2015 e lançado no ano seguinte. Nele se destacaram Uma canção pra você e Apologia às virgens mães, de minha autoria; Josefa Maria e Lavadeira água, da Virgínia.
 

 
Três perguntas para Raquel Virgínia 

 
 O que caracteriza Bixa, o CD lançado no fim de 2017?
É um disco marcado essencialmente pela ironia. São 10 faixas, com canções melodicamente bem construídas, de beleza poética e muita metáfora. Um doido caso, que abre o repertório, Dama da night, Drama e Pica pau são algumas delas. A proposta desse trabalho não é discutir a questão dos gêneros, embora também façamos isso.


Em tempo de tanto preconceito e intolerância e problemas de toda ordem, como vê o país em que vivemos?
O Brasil é um país que vive pretensas felicidade e democracia, que há séculos é comandado por uma elite conservadora e intolerante. O que vemos são representantes das minorias sendo perseguidos, maltratados e mortos por essa elite machista e transfóbica. Para que haja alguma mudança dessa situação é necessário que lutemos, cada um em sua trincheira, pela conquista de nossos direitos fundamentais, para que tenhamos representatividade. Esperamos que as eleições de 2018 sejam, antes de tudo, democráticas e que todos que desejarem possam se candidatar e ser avaliados pelos brasileiros.


Vocês estiveram em Brasília,  em outubro de 2016, para participar do Festival Satélite 061. Que impressão a cidade lhes causou?
Adoramos participar desse festival e ter contato com um público que se mostrou atento e receptivo ao nosso trabalho, à nossa postura como artistas e cidadãs. Brasília nos deixou muito felizes. Adoramos a cidade e vamos dividir o palco com o Bnegão, uma pessoa bacana e generosa.
 
 
 
  
 


Festival Experia
Show de As Bahias e a Cozinha Mineira com a participação de BNegão hoje, às 20h, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 12 anos. Informações: 3206-9448.

 
 
 

Programação

Amanhã, às 20h 
Curumim e Russo Passapusso

Sábado, às 17h 
Pélico e Filipe Cato; Juliana Perdigão

Sábado, às 20h
Juliana Perdigão e Os Kurva e Tulipa Ruiz

Domingo, às 19h
Márcia Castro e Otto

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