Economia

Estatais registram aceleração nos investimentos

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postado em 31/05/2009 18:14
Brasília - As empresas estatais federais pisaram fundo no acelerador dos investimentos este ano. De janeiro a abril, com crise e tudo, já desembolsaram R$ 19,143 bilhões, um aumento de R$ 5,8 bilhões sobre igual período de 2008. Esse desempenho faz parte da estratégia traçada pela área econômica do governo para evitar que o País encerre 2009 com uma queda no Produto Interno Bruto (PIB). Juntos, os investimentos das estatais e do Orçamento federal deverão responder por 70% do crescimento do PIB este ano. Pelas estimativas oficiais, a expansão do PIB será de 1%. Apesar dos esforços do Estado brasileiro em reverter os efeitos da crise, já é dado como certo que, no fim do ano, a taxa de investimentos do total da economia vai apresentar queda, interrompendo trajetória de alta que chegou em 2008 ao recorde histórico de 19% do PIB. A intenção do governo era atingir a marca dos 25% ainda na administração de Luiz Inácio Lula da Silva, mas esse será um objetivo difícil de cumprir. A retração ocorrerá porque o setor privado vem fazendo o contrário do governo: com a crise, desaceleraram seus projetos de expansão. TRÊS TURNOS As empresas privadas engavetaram os investimentos a despeito de o governo haver reforçado o principal financiador desses projetos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No primeiro quadrimestre de 2009, o banco registrou queda de 0,7% em seus desembolsos. No caso específico da indústria, a redução foi de 11,8%, puxada pelos fabricantes de veículos e de produtos alimentícios. Na semana passada, o presidente da instituição, Luciano Coutinho, reconheceu que o número de operações de crédito caiu neste início de ano, causando preocupação. Ele acrescentou que atualmente a procura por crédito vem aumentando, de forma que o banco chegará ao fim do ano com desembolsos de R$ 100 bilhões. "Vamos conseguir puxar os investimentos privados de duas formas", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Uma é assegurando o crédito e a outra é aumentando a confiança do empresariado na economia brasileira." Bernardo comentou que o conservadorismo não atingiu os setores empresariais como um todo. Citou como exemplo o caso do fabricante de computadores Positivo, que vem operando com três turnos. "No mercado de classes C, D e E, quem apostou em retração quebrou a cara." O ministro acredita que os investimentos privados retornarão ainda este ano, diante da aparente tendência de normalização dos mercados internacionais. No curtíssimo prazo, porém, a perspectiva é de más notícias para o governo no front econômico. Na semana que vem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar o resultado do PIB do primeiro trimestre de 2009. O resultado deverá configurar recessão técnica. Essa ocorre quando o país registra dois trimestres consecutivos de queda do PIB - o que ocorreu no último trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009.

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