economia

Inclusão social e mercado doméstico foram importantes durante a crise

Agência Brasil

Publicação: 14/03/2010 13:20 Atualização:

O mercado doméstico e inclusão social são fatores de destaque na economia brasileira durante o enfrentamento da crise, na avaliação da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Inicialmente, junto com a estabilidade econômica, o governo já vinha dando uma certa inflexão em termos de inclusão social a um processo que se baseou em três coisas: no Bolsa Família, em uma política de aumento do salário mínimo real e em um aumento do crédito.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador geral de Políticas Sociais da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Arnando Barbosa de Lima Junior, e o assessor José Antônio Pereira de Souza, da mesma secretaria, disseram que em 2003 algumas coisas precisavam ser resolvidas, como o problema com o câmbio alto e a inflação preocupante.

"À medida que as coisas foram superadas, fez-se um ajuste nesses três fatores, que contribuiriam para alavancar o crescimento baseado no mercado doméstico e na inclusão social”, disse Pereira.

Os técnicos defendem que o crédito, a política de aumento do salário mínimo e a política de transferência de renda, combinados, permitiram um crescimento que não só reduziu a desigualdade, como provocou uma maior participação da indústria - produzindo bens de consumo de massa para um novo grupo que estava entrando no mercado de trabalho.

“Houve a nova classe média. Dado o acesso ao crédito e o aumento da renda familiar, eles puderam progressivamente consumir bens duráveis, ajudando a indústria . Isso é o resumo de como se deram as coisas nos últimos anos”, disse Lima.

Eles também consideram que tais medidas foram fundamentais no pior momento da crise, pois quando as turbulências chegaram com maior impacto em 2008, e a indústria despencou, até de certa forma com temor, ficou evidente que a produção poderia se voltar para o mercado doméstico, muito grande, a exemplo do que ocorreu com a China e a Índia.

“Houve a possibilidade de se voltar para o mercado doméstico e dirigir boa parte da produção e dos investimentos para atender a esse público. Então, estabelece-se assim um chamado círculo virtuoso da economia nesse período”, explicou Pereira.

Outro indicador importante nesse sentido foi a redução do desemprego, que tem constantemente diminuído, e a formação de novas vagas, com empregos formais. “A gente vê que tem crescido [a oferta de empregos formais] e que dá uma série de benefícios para o trabalhador, ajudando a reduzir a desigualdade e a disparidade de renda do país, além de uma série de políticas inclusivas."

Lima Junior defende, ainda, que houve uma redução da vulnerabilidade social . Na verdade passou a existir, com a rede de proteção social, um “colchão contra choques externos”, uma vez que a demanda doméstica sustentou o crescimento, embora tenha sido registrado um crescimento quase nulo no ano passado.

Quanto à questão do emprego, os técnicos observam que um dos fatores mais importantes tem a ver com a formalização, pois além da carteira assinada, os dados também indicam ocupações de melhor qualidade.

“Então, concomitantemente com o aumento da renda, você tem um maior acesso da população a uma rede de proteção social, com seguro-desemprego, salário maternidade, essas coisas todas”, disse Pereira.

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