economia

Bolsa não resiste e cai 0,67% Apesar do bom momento brasileiro, preços das ações no país acompanham o nervosismo dos investidores no exterior

Vera Batista

Deco Bancillon

Publicação: 14/05/2010 08:09 Atualização:

A crise fiscal na Zona do Euro não vai reduzir o crescimento econômico do Brasil, avaliou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para ele, o país corre o risco de enfrentar uma redução do fluxo de capitais, pela tendência natural de busca por segurança no dólar e nos títulos de dívida do tesouro americano. “Pode ser que, talvez, essa crise afete nossa balança comercial, porque exportaremos menos”, disse. Para Mantega, o programa de ajuda desenhado pelo FMI e pela União Européia é suficiente para debelar essa crise.

Devido às incertezas na Zona do Euro, o mercado acionário brasileiro teve altas e baixas bruscas durante o dia, mas no fim da sessão, o Ibovespa, índice mais negociado na Bolsa de Valores de São Paulo, fechou em leve queda de 0,67%.

“O mercado ficou, assim, meio sem direcionamento, na expectativa, angustiado. Acabou acompanhando a Bolsa de Nova York, que caiu 1,05%”, disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da Corretora Souza Barros. Esse queda no índice americano Dow Jones refletiu o desapontamento dos analistas com os resultados apresentados pelo Departamento de Trabalho local sobre os pedidos de seguro-desemprego da semana passada. Também em função desse cenário morno e indefinido, o dólar fechou em alta de 0,11%, cotado a R$ 1,777.

Na Europa, o comportamento das bolsas varia conforme a situação fiscal do país. Na Alemanha, o mercado acionário fechou em alta de 1,1%. A Inglaterra encerrou com ganho de 0,93%. E a França ficou praticamente estável, com baixa de 0,04%. Nos países mais afetados pela crise, o resultado refletiu a desconfiança dos investidores e a aversão ao risco, mesmo depois do anúncio de drásticas medidas para conseguir acesso aos 750 bilhões de euros (cerca de US$ 1 trilhão) do FMI e da União Europeia.

A disposição da Comissão Europeia de examinar os orçamentos nacionais para garantir que os deficits desses países fiquem sobre controle reduziu a tensão, mas não foi capaz de impedir que a Bolsa da Grécia terminasse a sessão com queda de 1,87%. A bolsa espanhola perdeu 1,11%. A italiana teve queda de 0,72%. E a portuguesa recuou 0,77%. Na Ásia, os mercados fecharam em alta. Tóquio subiu 2,18%, Hong Kong, 1,04%, e Xangai, 2,06%.

Merkel vê euro em risco

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que o euro precisa ser defendido e que os problemas atuais da moeda comum são um teste para a própria União Europeia. “A crise do euro não é só uma crise, é o maior teste que a Europa enfrentou desde 1990, senão nos 35 anos anteriores”, disse ela.

Em evento em que o premiê polonês Donald Tusk foi premiado com o Karlspreis por sua contribuição à União Europeia, a chanceler não escondeu as suas preocupações com a moeda comum. “Esse teste é existencial. E precisa ser vencido. Se o euro fracassa, não fracassa somente a moeda, fracassam mais coisas, a Europa fracassa, fracassa a ideia de unidade europeia.”

Ontem, pela quarta semana consecutiva, o euro voltou a cair em relação ao dólar e alcançou o menor nível em 14 meses. São as preocupações dos investidores de que um aperto nos gastos de vários países da Europa retardará a recuperação econômica de todo o continente.

Ex-presidente do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, Paul Volcker disse que está preocupado com a possibilidade de a Zona do Euro quebrar após a crise fiscal grega, que induziu uma ajuda sem precedentes por países-membros. “Você tem o grande problema de uma desintegração potencial do euro”, disse ele em Londres. “O elemento essencial da disciplina na política econômica e na política fiscal que se esperava não foi até agora observado em alguns países.”

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