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CRISE GLOBAL » Sobrou até para a rainha Pacote de austeridade inglês congela as despesas oficiais, inclusive da monarquia, e fixa taxa de 0,07% por operação bancária

Publicação: 23/06/2010 07:41 Atualização:

O ministro britânico das Finanças, George Osborne, apresentou ao Parlamento um pacote de austeridade que não poupa nenhum britânico, nem mesmo a rainha que aceitou “graciosamente” o congelamento das despesas oficiais relacionadas a ela e a seu marido.

“Com a plena concordância da rainha, a Lista Civil ficará congelada, em 2011, em 7,9 milhões de libras (9,5 milhões de euros ou US$ 11,69 milhões), e novos meios de assistência serão propostos numa data futura”, disse o ministro.

Cerca de 70% do total da Lista Civil criada em 1760 é destinada a pagar salários de 1.200 empregados reais, entre eles jardineiros, secretários, escudeiros, restauradores de imóveis. E a financiar recepções oficiais e outras reuniões frequentadas anualmente por cerca de 50 mil convidado.

Segundo o site oficial do tesouro britânico, o congelamento significa que o valor da Lista Civil, de fato, diminuiu 76% em 20 anos, devido à inflação. A imprensa informou que a rainha havia solicitado um aumento da verba destinada a ela, que permaneceria a mesma desde 1990, ano do governo conservador de John Major.

Nova tributação
Osborne anunciou também a instauração de uma taxa sobre as transações dos bancos que operam no Reino Unido. A taxa, da ordem de dois bilhões de libras (2,4 bilhões de euros ou US$ 2,95 bilhões) por ano, entrará em vigor no ano que vem.

França e Alemanha já anunciaram apoio à medida, preparando-se para se associar a ela. A taxa será de 0,07% sobre todas as operações, baixando, depois, para 0,04% em 2011.

Osborne, que apresentou seu primeiro pacote fiscal desde as eleições legislativas de 6 de maio na Grã-Bretanha, destacou que “a situação de fracasso nos bancos impôs custos enormes ao restante da sociedade”, sendo justo, portanto que aportem sua contribuição à economia. Segundo o ministro, “franceses e alemães somaram-se à Inglaterra, hoje, comprometendo-se a introduzir também uma taxa” sobre os ativos dos bancos, numa declaração comum, publicada no site do Tesouro britânico.

A declaração retoma, em grande parte, as ideias evocadas por Paris e Berlim na véspera, em carta(1) ao primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, a alguns dias do G-20 de Toronto. E diz que “a França apresentará detalhes (da sua taxação) no próximo orçamento e a Alemanha, que a anunciou no fim de março, apresentará seu projeto de lei sobre o assunto no próximo verão (europeu)”.

1 - Proposta para o G-20
A criação de imposto sobre as instituições financeiras e sobre operações bancárias deve entrar de vez na pauta de debates do G-20, que acontece no fim desta semana no Canadá. Na segunda-feira, Alemanha e França oficializaram posição em favor do tributo. “À luz de um acordo no seio do G-20 segundo o qual o setor financeiro deverá aportar uma contribuição justa e substancial, para pagar os encargos associados às intervenções governamentais de resgate do sistema bancário (...), os governos francês, britânico e alemão propõem introduzir taxas sobre os ativos dos bancos”, diz o texto.

Ricos enriquecem mais

Nova York — Os ricos ficaram mais ricos no ano passado, ao mesmo tempo em que o mundo passou pela pior recessão em décadas. Uma recuperação no mercado acionário ajudou as fileiras dos milionários do mundo a crescer 17%, para 10 milhões de pessoas, enquanto a riqueza coletiva deles aumentou 19%, para US$ 39 trilhões, quase recuperando as perdas decorrentes da crise financeira, revelou o relatório mais recente sobre riqueza mundial da Merrill Lynch-Capgemini.

Os valores das ações subiram 50%, e os hedge funds recuperaram a maioria das perdas sofridas em 2008, em um ano marcado por gastos de estímulo governamentais e flexibilização dos bancos centrais. A chefe de administração de patrimônio do Bank of America, Sally Krawcheck, disse: “Já estamos vendo sinais distintos de recuperação e, em algumas áreas, de retorno completo aos níveis de riqueza e crescimento de 2007”.

O aumento mais acelerado de riqueza aconteceu na Índia, China e Brasil, alguns dos mercados mais duramente atingidos em 2008. A riqueza na América Latina e Ásia-Pacífico chegou a níveis recordes. As fileiras de milionários da Ásia subiram para 3 milhões de pessoas, equiparando-se pela primeira vez à Europa, ao lado de uma expansão econômica de 4,5%.

Perda com a Grécia


Paris — O banco francês Crédit Agricole reconheceu ter sofrido perdas maiores que as esperadas na Grécia e que vai assumir baixas contábeis de 400 milhões de euros (US$ 536,7 milhões). As ações do banco despencaram 5,7% com a revisão pelo banco das metas de lucro de sua unidade grega Emporiki e uma previsão de prejuízo líquido da divisão de 750 milhões de euros em 2010, mais que o dobro da cifra estimada anteriormente.

O banco divulgou as mudanças na previsão de desempenho do Emporiki diante de um cenário doméstico grego de aumento nas provisões para crédito e incerteza econômica enquanto o governo trabalha para reduzir o deficit do país com duras medidas de austeridade.

Alguns analistas afirmam que a nova meta do banco para o Emporiki voltar à lucratividade em 2012, um ano depois do inicialmente previsto, ainda parece otimista. “Eles estão dizendo que a unidade será lucrativa em 2012, mas eu estou esperando um prejuízo de 200 milhões de euros neste ano”, disse Alain Dupuis, analista da Oddo, à Reuters.

O Crédit Agricole afirmou que o Emporiki terá um prejuízo de 750 milhões de euros em 2010 em vez de uma perda de 300 milhões a 350 milhões de euros que havia previsto antes para o banco adquirido em 2006. O banco francês ainda informou que a unidade vai precisar de 550 milhões de euros adicionais em capital até 2011.

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