Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo e pediu “calma” no debate público que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Henrique Meirelles, vêm travando sobre os rumos da taxa básica de juros da economia, a Selic. Desde que voltou de férias, há pouco mais de uma semana, Mantega vem soltando os cachorros contra uma nova elevação dos juros amanhã. Ele alega que o Copom pode até dar mais “uma pauladinha” nos juros para satisfazer o mercado, mas indicar que o arrocho acabou, pois os riscos inflacionários se dissiparam e o ritmo de crescimento do país diminuiu consideravelmente.
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| Henrique Meirelles, comandante do BC, recebe apoio explícito de Lula para tocar o arrocho monetário |
Meirelles, por sua vez, vem difundido a visão de que tem todo o apoio de Lula “para fazer o que for necessário” para manter a inflação dentro das metas. Assessores do chefe do BC dizem que o presidente da República reconhece, sempre que possível, o “trabalho excepcional” feito pela instituição durante a crise mundial e no controle à alta dos preços. Alegam ainda que Lula não quer ver a inflação subindo ao longo da campanha presidencial, pois conta com os votos dos mais pobres — os que mais o apoiam — para eleger a petista Dilma Rousseff como a sua sucessora.
MudançaPor conta desse debate político e das incertezas ainda presentes no cenário econômico, o mercado vem mudando abruptamente de posição. No início da semana passada, eram poucos os analistas que acreditavam que o Copom poderia promover uma elevação mais suave na taxa Selic. Agora, na véspera da reunião, as apostas estão divididas. Segundo a Prosper Corretora, cerca de 40% dos analistas acreditam em um aumento de 0,50 ponto, enquanto a expectativa da maioria é de um novo aperto de 0,75 ponto. “É prematuro interromper o ritmo da alta da Selic de 0,75 ponto percentual nesta reunião de julho, pois é clara, na ata de junho e no relatório de inflação, a deterioração do cenário prospectivo e não corrente da inflação”, disse Eduardo Velho, economista-chefe da corretora.
Velho atribui à divisão às vésperas do Copom o fato de o mercado de juros futuro voltar a registrar queda das taxas. O Depósito Interbancário (DI) de outubro de 2010 recuou de 10,92% para 10,85%, enquanto que a taxa para janeiro de 2011 caiu de 11,15% para 11,08%. Há entre os analistas quem já vislumbre uma “parada técnica” no ciclo de aperto monetário na reunião de setembro, antes das eleições. Outros apostam justamente no contrário: que o BC vai usar todas as armas de que dispõe agora para domar a inflação e evitar o risco de a escalada de preços corroer a base eleitoral do governo.
Antecipando-se sobre setembro, o mercado faz três apostas: mais uma alta de 0,75 ponto percentual, uma alta de 0,50 ou mesmo um pequeno ajuste de 0,25. Para as apostas convergirem, será importante o tom que o BC adotará no comunicado oficial e a sinalização que a nova ata poderá trazer.
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