economia

Mercado dá como certa a manutenção da taxa Selic em 10,75% na reunião do Copom

Juliana Borre

Vânia Cristino

Publicação: 29/08/2010 08:32 Atualização:

Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a terça e a quarta-feira, o mercado se debate sobre os próximos passos a serem dados pelo Banco Central. Ainda que os atuais números de inflação deem conforto à instituição para manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano, há o temor com uma indesejável complacência quanto aos rumos dos índices de preços.

Para Gustavo Loyola, ex-presidente do BC e sócio da Consultoria Tendências, a autoridade monetária se equivocou ao diminuir o ritmo de alta da Selic na última reunião do Copom, de 0,75 para 0,5 ponto percentual. Tal movimento não só levou o mercado a entender que, para este ano, não haverá mais aumento dos juros, como consolidou as apostas de que a inflação ficará acima do centro da meta (4,5%) neste ano e no próximo.

“Se o BC quiser corrigir o erro, deve promover um aumento de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom, devido à deterioração das expectativas. Se não fizer isso, teremos uma inflação maior em 2011”, diz Loyola. No seu entender, o crescimento da economia continua forte e, até em função da sinalização na última ata do Comitê, a expectativa em relação à inflação para o ano piorou. “Os riscos aumentaram”, avalia. “Se o BC não fizer mais nada neste ano, em 2011 terá que promover um novo aperto monetário de pelo menos dois pontos”, acredita.

A economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander, prefere não emitir juízo de valor sobre o acerto ou não da condução da política monetária. Ela reconhece, no entanto, que o BC mudou de atitude e que, ao ampliar o horizonte relevante da taxa Selic, ganhou mais tempo para fazer o ajuste. Na prática, a instituição está sendo mais leniente com a inflação a curto prazo.

Diante dessa nova postura do BC, o banco espanhol deixou de apostar em novo aumento da taxa de juros em 2010. “Acreditávamos que a taxa chegaria a 12% este ano”, diz Tatiana. Ela observa que a deflação em diversos índices de inflação foi centrada nos alimentos, que são uma variável para lá de sazonal. “Todos os demais itens apresentaram alta de preços”, afirma. O Santander continua apostando que, no ano que vem, já com o BC sob novo comando, a taxa Selic chegará a 13% para manter a inflação sob controle.

Zeina Latif , economista-sênior para a América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), ressalta que é cedo para avaliar se o Copom cometeu ou não um equívoco na última reunião. “O cenário internacional sofreu uma mudança importante, o que pode e vai ajudar o Banco Central a atingir a meta de inflação sem precisar de aperto adicional”, avalia. Por causa dessa mudança, Zeina classifica como razoável a desaceleração na alta dos juros.

“Vamos ter, para o terceiro trimestre, uma inflação abaixo dos 5,1% esperados pelo BC. Acredito o índice ficará em torno de 4,6%”, diz. A economista também chama a atenção para o fato de o BC ter que tomar decisões num ambiente de incertezas que ainda persistem na economia.

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