economia

Especialistas pedem: Pequeno investidor deve comprar ações da Petrobrás

Tetê Monteiro

Publicação: 03/09/2010 08:05 Atualização: 03/09/2010 09:20

Companhia deverá divulgar hoje dados por fato relevante. Ontem, os papéis da empresa tiveram alta de 2,11% (Arquivo/Petrobras )
Companhia deverá divulgar hoje dados por fato relevante. Ontem, os papéis da empresa tiveram alta de 2,11%
A ansiedade dos acionistas minoritárias da Petrobras só cresce antes da definição de todos os detalhes da operação que aumentará o capital da estatal. De acordo com fato relevante encaminhado pela estatal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na quarta-feira à noite, os dados serão conhecidos hoje. Mas, antes mesmo de conhecer os pormenores do maior processo de capitalização da economia global, estimado em R$ 150 bilhões, os analistas recomendam aos investidores usarem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações. A razão é simples: a lucratividade.

Enquanto a valorização das ações da Petrobras chegou a 663,78% em 10 anos — de 10 de agosto de 2000 a 10 de agosto deste ano —, o rendimento do FGTS foi de apenas 65,06% no período, segundo dados do Instituto FGTS Fácil. Ou seja, a diferença entre as aplicações supera os 500% e justifica a aplicação nos papéis da petrolífera. Só podem participar da oferta pública investidores que já compraram ações da estatal com recursos do fundo em agosto de 2000. De acordo com a Caixa Econômica Federal, dos 312 mil que investiram na empresa, apenas cerca de 90 mil mantiveram suas aplicações até hoje.

Dados da consultoria Global Financial Advisor mostram que, atualmente, o Fundo FGTS Petrobras representa 2% do total da participação de acionistas na estatal. Para manter a atual participação, os investidores teriam que desembolsar R$ 3 bilhões, o que, pelas contas do presidente do Instituto FGTS Fácil, Mário Avelino, não deve ocorrer. “Se 85 mil trabalhadores sacarem os 30% que lhe são de direito, poderão levantar no máximo R$ 1 bilhão”, disse. O superintendente da Petra Corretora, Juliano Lima Pinheiro, é breve em sua recomendação para usar o FGTS. “Não é preciso nem fazer as contas. Com as regras da capitalização definidas, a tendência é de uma recuperação forte dos papéis”, afirmou.

O diretor-sócio da consultoria Global Financial Advisor, Miguel Daoud, também sugere que o melhor a fazer agora, no caso dos pequenos, é usar o FGTS na compra das ações. “Para manter a mesma participação, o minoritário vai ter que se esticar. Então, quem já comprou as ações da petrolífera lá atrás (em 2000) deve manter o investimento nesta nova oferta”, recomendou.

Acionista prejudicado

Vera Batista

O processo de capitalização da Petrobras, depois de vários capítulos, poderá prejudicar o lado mais fraco. “O mercado(1) esperava que o preço do barril de petróleo cedido pelo governo para a estatal ficasse entre US$ 6 e US$ 7. Com a média de US$ 8,51, talvez os minoritários não consigam acompanhar. Quem deverá ganhar é o setor público”, afirmou David Zylberstajn, presidente da DZ Negócios em Energia. Ontem, as ações PN (sem direito a voto) da estatal, voltaram a subir, e fecharam em alta de 2,11%, ao preço de R$ 27,60. Os papéis ON ficaram estáveis, com leve queda de 0,03%, no valor de R$ 31,24%.

O preço da ação para a capitalização será definido de acordo com o interesse dos investidores. “Não é uma média. Cada um indica o valor máximo que deseja pagar pela ação. Onde se concentrar a maior quantidade de oferta, será o preço”, explicou Luiz Roberto Monteiro, assessor de Investimentos da Corretora Souza Barros. Quem oferecer valor menor que a maioria, está fora do processo, sem direito de apresentar outra proposta.

Segundo as normas da Petrobras, participarão do processo apenas os que já são sócios, para manter o atual percentual de participação. Todos os minoritários, tanto trabalhadores que compraram ações com o FGTS quanto os investidores de mercado, poderão acompanhar o aumento de capital usando títulos da dívida pública federal. Hoje, há cerca de 5 bilhões de ações ON e 3,7 bilhões de papéis PN da Petrobras no mercado. O conselho de administração da companhia permitiu que fossem emitidas mais 5,6 bilhões (2,4 bilhões de PN e 3,2 bilhões de ON).

1 - OGX acha mais gás
A OGX, do grupo de Eike Batista, informou ter descoberto novos indícios de gás na bacia terrestre do Paranaíba, no Maranhão. O bloco é o mesmo onde a empresa localizou um uma megarreserva de 15 trilhões de pés cúbicos, “uma meia Bolívia”, segundo o próprio empresário.

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