Imbra, empresa de implantes dentários, pede falência

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postado em 07/10/2010 08:00 / atualizado em 08/10/2010 16:07

Cerca de 25 mil consumidores vão amargar prejuízos que, somados, podem chegar aos R$ 200 milhões. A empresa de implantes dentários Imbra entrou com pedido de autofalência, ontem, na 2ª Vara de Recuperação Judicial e Falências do Fórum Central Cível João Mendes Júnior, em São Paulo. Além dos clientes, a quebra da firma odontológica deixa dívidas com fornecedores e pelo menos 3 mil colaboradores. Apenas em Brasília, aproximadamente mil pessoas estariam na lista de prejudicados.

Elio Rizzo/Esp.CB/D.A Press
Na manhã desta quarta-feira (6/10), em todas as 26 clínicas espalhadas no país, o sentimento de surpresa e frustração tomou conta de clientes e funcionários da empresa. Todos que chegavam para realizar tratamentos, acertar pagamentos e até para trabalhar encontraram portas fechadas e um cartaz com a informação de que os serviços estavam suspensos em função de “problemas técnicos”. “Ninguém foi avisado. Um dentista ligou e disse que a empresa tinha falido”, contou Alisson Ramos, 32 anos, chefe de Logística da Imbra em Brasília.

Para não serem hostilizados, os funcionários da empresa, entre eles dentistas, trancaram as dependências e ficaram no estacionamento próximo à espera de informações. Segundo o relato dos trabalhadores, diversos consumidores forçaram a entrada e ameaçaram quebrar uma das portas de vidro. Em Belo Horizonte, circulavam notícias de saques em um prédio da Imbra por clientes furiosos, mas, até o fechamento desta edição, o Correio não obteve confirmação dos distúrbios. No Distrito Federal, vários credores prometeram voltar para tentar levar móveis e aparelhos.

Absurdo

Jonivan Moreira dos Santos, 36 anos, efetuou o pagamento de quase R$ 26 mil por um tratamento. O serviço começou a ser executado, mas não foi terminado. “É um absurdo. Não posso ficar com esse prejuízo”, disse Santos. O empresário João Vicente Goulart, 53, tentou na tarde de ontem, sem sucesso, obter de volta os R$ 7 mil que havia desembolsado. A esposa dele, Verônica Fialho, 35, procurou solucionar o problema por telefone. Como não conseguia uma resposta dos funcionários, o casal decidiu ir ao local e deparou com a clínica fechada.

“Estou há um ano tentando terminar esse tratamento e não consigo. Já coloquei a empresa no Procon e até acordo fizemos, mas não deu em nada”, queixou-se Goulart. “Nós estávamos contando com esse dinheiro. Estou até com problemas no banco por conta disso”, emendou Verônica. Mais um capítulo desse imbróglio deve se iniciar amanhã. Os funcionários de Brasília contrataram um advogado e vão fazer uma reunião para decidir o que fazer. Consumidores prometeram participar do encontro.

Briga será na Justiça

Nota da Fundação Procon de São Paulo enviada ao Correio assegura que, enquanto a falência da Imbra não for decretada pelo Poder Judiciário, os contratos celebrados deverão ser cumpridos integralmente. “Caso o fornecedor não realize os procedimentos contratados, deverá restituir os valores pagos pelo consumidor, corrigidos monetariamente”, assinala o comunicado. “O consumidor que encontrar dificuldades em ser atendido pela empresa deve procurar o Poder Judiciário.”

Na avaliação do advogado Roberto Belluzzo, os consumidores e trabalhadores que tiveram prejuízos com a empresa, devem mesmo entrar com ações judiciais. “A união é sempre melhor nesses casos. As partes lesadas ganham muito mais força com uma ação coletiva”, sugeriu.

O caso da Imbra vai na contramão do momento de boa solvência das companhias do país. Segundo a Serasa Experian, em setembro, a quantidade de falências decretadas chegou ao menor nível para o mês desde 2005, ano em que foi instituída a Lei de Recuperações Judiciais. Ao todo, foram 57 no período. As micro e pequenas empresas obtiveram o destaque do levantamento ao registrar um recuo de 41,9% frente a agosto.

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