Concurso do MPU reprovou 70% dos candidatos que tiveram provas corrigidas

Estimativa tem como base o gabarito divulgado sexta-feira última em relação aos testes discursivos. Até o candidato que conquistou o primeiro lugar foi derrubado pela redação

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postado em 19/10/2010 09:55

Manoela Alcântara

Desde sexta-feira, quando o gabarito da prova do Ministério Público da União (MPU) foi divulgado, não param de surgir reclamações. A seleção atraiu 756 mil inscrições. A maioria dos concurseiros que viu as notas dos testes discursivos foram reprovados. Segundo contas feitas por professores e por internautas, cerca de 70% dos que tiveram as redações analisadas pela banca do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília (CESPE/ UnB) não atingiram a nota mínima para aprovação de cinco pontos. O percentual mais alto da história, segundo especialistas no assunto.

Isabella d´Armada, 34 anos, fez a prova para analista administrativo, o cargo com maior número de reprovados. Dos 150 quesitos cobrados na seleção, ela acertou 121, uma nota que a deixaria entre os primeiros colocados, mas quando viu o resultado da redação ficou espantada. “Tirei 0,97. Não acreditei, segui todos os métodos que estudei no cursinho, nos livros. Minha redação estava muito boa, dava para ter tirado pelo menos a nota mínima”, lamentou. “Tem muita gente que foi muito bem reclamando, tem que ter alguma coisa errada”, completou.

No fórum de discussões sobre concursos do Correioweb, os relatos de todo o país compartilharam o entendimento de Isabella. O professor de língua portuguesa e especialista em redação discursiva do Gran Cursos Bruno Pilastre teve a rotina alterada pelo resultado. “Meu telefone tocou o dia inteiro com pedidos de elaboração de recursos. Em meus anos de experiência, nunca havia presenciado uma reprovação tão alta”, disse.

Cautela
De acordo com o professor de direito Carlos Eduardo Guerra, do Centro de Estudos Guerra de Moraes, o problema pode ter ocorrido devido ao critério de correção adotado pela organizadora. “Eles podem ter usado uma avaliação mais rigorosa devido ao grande número de inscritos ou pode ter havido uma confusão dos candidatos acerca do tema que era muito específico. É preciso esperar para depois julgar”, ponderou.

A dúvida só será sanada a partir de amanhã, quando os espelhos das redações com as avaliações e motivo do número de pontos perdidos serão divulgados no site: www.cespe.unb.br. A partir das 9h, desta quarta-feira até as 18h do dia 21, poderão ser apresentados os recursos para mudança de nota da redação. O edital do concurso trouxe um alerta: o candidato deverá ser claro, consistente e objetivo em seu pleito. Um recurso intempestivo ou inconsistente será desconsiderado.

Como todo cuidado é pouco para ingressar em em dos concursos mais esperados do ano, será preciso esperar a prova ser lançada no site e analisar com cuidado os erros materiais de correção, de cálculo, de português e os equívocos mais superficiais para depois ir para a parte mais difícil: a análise de conteúdo. Neste momento, a ajuda de um profissional pode ser o mais apropriado para basear o documento de reivindicação (veja quadro).

Argumento
Classificado em primeiro lugar para o cargo de engenheiro sanitarista (perito), em Brasília, Rodrigo Felipe Da Cal, 25 anos, tem na ponta da língua os argumentos que vai utilizar, mesmo sem ter visto ainda o teste. “Estou acostumado com as provas do Cespe. Fiz tudo nos padrões deles: um parágrafo de introdução, dois de desenvolvimento e um de conclusão. Meu texto deu 29 linhas, não ultrapassei o limite e acredito não ter fugido do tema. Acredito no recurso para reverter meu quadro de reprovado para apto a assumir o cargo”, espera.

A esperança do candidato é a mesma de outros concorrentes. Como os enunciados pediam assuntos específicos de cada áreas, eles estão confiantes que não fugiram do tema para obter notas tão baixas. E a esperança pode ser contemplada: a assessoria de imprensa do Cespe informou que todos os argumentos válidos serão aceitos e corrigidos pela organizadora. Ele afirma que, como de costume, todos os recursos serão submetidos à banca e se o pedido de revisão comprovar o erro, as notas serão alteradas.

Para saber a nota final, já com as correções, os concurseiros terão que esperar até 10 de novembro, quando será divulgado o resultado final da prova discursiva e do concurso público em si, exceto para os cargos de técnico de apoio especializado/segurança e de técnico de apoio especializado/transporte.

Concorrentes
A seleção do MPU reuniu cerca de 756 mil inscrições. Embora o edital tenha previsto o preenchimento de 594 vagas, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que cria 6.804 oportunidades para o órgão. Em 2006, o MPU convocou 10 vezes mais candidatos do que o previsto inicialmente.

Salários e vagas

Cargos: Analistas e Técnicos
Vagas: No edital são 594, mas espera-se 6.804 convocações
Remuneração: de R$ 3.993,09 a R$ 6.551,52
Prazo para recurso: 20 e 21 de outubro
Resultado final: 10 de novembro.

DICAS PARA ELABORAR O RECURSO

1 - Faça o argumento de acordo com a prova. Se a nota foi baixa na área de argumentações é preciso analisar se o texto está mesmo fraco antes de recorrer. Não se pode alegar argumentações profundas em um texto superficial, por exemplo. Isso pode descaracterizar todos os pontos do pleito;

2 - Se a perda de pontos foi em coesão textual, observe os elementos de argumentação e coesivos e peça a retificação de acordo com o que está no teste;

3 - Para argumentar, pode-se usar dois autores, Ingedore Koch e Othon M. Garcia. Os dois dão fundamentos para elaborar o recurso na parte de coesão e coerência textuais e estrutura do parágrafo, respectivamente;

4 - O texto tem que ser muito sintético, afinal são apenas mil caracteres para explicar tudo que tem que ser revisto;

5 - Um bom início para o argumento pode ser: “Solicito à Douta banca a revisão da nota dada a este quesito”. E logo após descrever os argumentos;

6 - O fechamento do texto pode ser: “Esses são os termos em que se pede deferimento.”

OPINIÃO DO INTERNAUTA

Leitores do Correio evitam se identificar para comentar o resultado do teste de redação

Matoso
Pessoal, estou vendo aqui as notas das redações de analista administrativo para Brasília. Se não me engano, das quase 340 redações corrigidas, apenas 58 atingiram o mínimo. Isso é no mínimo muito estranho. Recurso neles.

Estudo mesmo
Cheguei perto de novo. Mais perto do que nunca. A redação quebrou as minhas pernas. Tristeza… Muita tristeza. Consegui 113,5 pontos na objetiva e dancei da redação.

Felipe

Fiquei em primeiro lugar para analista administrativo na objetiva e rodei na redação!!! Fiz para o Acre e lá só passaram dois na redação.

Flavia

Fiz 115 pontos para analista administrativo para o DF e tirei 3,67 na redação. Eu tinha noção do assunto e fiz a redação confiante, esperava, no mínimo, sete. Tô superchateada, pois estava há sete meses só estudando para essa prova. E olha que não sou ruim de prova, tirei 8,8 para técnico. Vou entrar com recurso, mandado de segurança, o que for preciso!

RJFNet
Para o cargo de geologia perito (PE), das 23 redações corrigidas, 21 foram reprovadas e os dois que conseguiram aprovação só conseguiram 5,1 e 5,2 pontos. Parece loucura, mas o CESPE fez isto. Inclusive o 1º colocado na objetiva zerou na redação.

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