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Parlamento alemão aprova ajuda à Espanha por maioria, mas sem entusiasmo

France Presse

Publicação: 19/07/2012 17:37 Atualização:

Berlim - O Bundestag aprovou nesta quinta-feira (19/7) por ampla maioria, mas sem entusiasmo, a ajuda para recapitalizar o setor bancário espanhol com um máximo de 100 bilhões de euros, sendo essa a décima vez em dois anos que a câmara baixa do Parlamento alemão se pronuncia sobre os planos para salvar o euro.

A notícia chega em uma sessão complicada para a economia espanhola, na qual o Tesouro emitiu quase 3 bilhões de euros em bônus, mas com taxas em alta e no qual a taxa de risco, o diferencial pago pelo bônus espanhol com relação ao bônus alemão a 10 anos, voltou a alcançar um recorde histórico.

Na sessão do Bundestag, de um total de 583 votantes, 473 deputados foram a favor e 97 foram contra a recapitalização dos bancos da Espanha. Houve 13 abstenções, disse Norbert Lammert, o presidente da câmara.

A aprovação da câmara baixa do Parlamento alemão era indispensável para que a Alemanha possa dar seu acordo ao plano de sexta-feira, na reunião do Eurogrupo, para a qual a chanceler alemã, Angela Merkel, enviou seu ministro de Finanças, Wolfgang Schäuble.

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"É a Espanha que pede (a ajuda), é a Espanha que recebe o dinheiro e é a Espanha que será o fiador do empréstimo", disse Schäuble ao Bundestag nesta quinta-feira. O ministro prometeu ainda que os bancos espanhóis não poderão ter acesso direto aos fundos europeus, como temiam os contribuintes alemães.

"A existência de dúvidas sobre a solvência da Espanha basta para criar efeitos de contágio muito graves", disse Schäuble. Como já está sendo habitual nas votações sobre o resgate do euro, os partidos de oposição (os social-democratas do SPD e os Verdes) se uniram de novo nesta quinta-feira à maioria parlamentar conservadora e liberal de Angela Merkel.

Contudo, o descontentamento cresce na câmara e houve deserções de deputados de esquerda e de direita, céticos quanto ao plano de ajudar diretamente os bancos e não o Estado em seu conjunto, como houve com Grécia, Irlanda e Portugal.

O líder dos social-democratas (SPD) disse que ainda que a aprovação de seu partido tinha "reservas". "Muitos em meu grupo (parlamentar) não estão nada convencidos do que estamos fazendo", disse Frank-Walter Steinmeier, analisando que seu voto era antes de tudo uma resposta ao medo das consequências "catastróficas" geradas por uma suposta quebra da Espanha.

Os deputados da esquerda radical, Die Linke, votaram todos contra. O Tribunal Constitucional alemão tem reforçado recentemente o poder do parlamento.

Na terça-feira a Espanha deu garantias à reticente Finlândia sobre a ajuda e se comprometeu a pagar garantias que cobrem 40% da participação dos finlandeses.
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