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Bancos privados passam a cobrar mais caro pelos empréstimos concedidos Custo mais elevado reduz o volume de crédito. Segundo especialistas, esse movimento pode ser intensificado caso o Banco Central inicie um aperto monetário

Victor Martins

Publicação: 06/03/2013 08:17 Atualização:

Pegar um empréstimo pessoal ficou mais pesado em 2013. Dados do Banco Central revelam que os bancos, principalmente os privados, elevaram os juros entre o fim de 2012 e fevereiro deste ano. Algumas instituições chegaram a subir as taxas em 10 pontos percentuais no período, e, segundo especialistas, esse movimento pode ser intensificado caso o Banco Central inicie um aperto monetário, o que tiraria a taxa básica da economia (Selic) do piso histórico de 7,25% ao ano. Até mesmo o Banco do Brasil, que tem sido uma poderosa arma do Palácio do Planalto na guerra contra os spreads (diferença entre o que o banco paga para captar e o que ele cobra para emprestar) elevou juros.

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Para especialistas, os bancos estariam se antecipando a uma possível alta da Selic, o que pode acontecer ainda neste semestre se a inflação piorar ainda mais. O problema dessa estratégia, porém, é que ela pode travar o crédito. Apenas em janeiro, segundo informações do BC, as concessões totais de empréstimos e financiamentos encolheram 16,7% contra dezembro. Para as famílias, o tombo foi de 4,4%. Os números de fevereiro ainda não são conhecidos oficialmente, mas executivos de grandes bancos informaram que o ritmo de liberação de recursos no segundo mês do ano continuou moderado.

Venda de eletrodomésticos, que cresceu em 2012 com a redução do IPI, pode cair com o avanço das taxas  (Ed Alves/CB/DA Press)
Venda de eletrodomésticos, que cresceu em 2012 com a redução do IPI, pode cair com o avanço das taxas


João Augusto Salles, economista da consultoria Lopes Filho, disse que parte dessa queda nas concessões é explicada pelo elevado endividamento das famílias. Nos últimos meses do ano passado, elas entraram forte no crédito, com a aquisição de móveis, eletrodomésticos e automóveis, beneficiados com o desconto de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A elevação dos juros pode segurar ainda mais o crédito. “Quem tomar dinheiro em banco hoje já pega uma taxa nova, que não é referenciada na Selic de 7,25% ao ano”, afirmou. “As instituições esperavam um crescimento em 2013 melhor que o do ano passado, mas os dados preliminares estão frustrando metas e planos”, ponderou.

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Rogério Galhardi
Engana-se quem ainda acredita que os bancos públicos fizeram esta tão ampla e alardeada redução das taxas de juros de suas linhas de crédito. Aos que procuraram por esta 'mudança', deram de cara no chão, pois ela estava restrita a alguns segmentos, ou vinculadas à adesão a outros serviços!!! | Denuncie |

Autor: robinson oliveira
A Selic abaixou e os juros dos bancos públicos também, os juros dos privados quase não cairam. Agora, com simples expectativa não confirmada de alta da Selic, eles aumentam. O governo tem que enfrentar esses bancos com pulso forte. Q país é esse em que o Bradesco dá mais lucro que a Petrobras e Vale? | Denuncie |

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