Ameaçado por uma inflação que, ainda este mês, pode romper a variação anual de 6,5% estabelecida como limite de tolerância pelo governo, o Banco Central admitiu a gravidade da situação e mandou um recado: pode subir os juros se o custo de vida piorar. A informação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem. O documento vai além e afirma ainda que a recente alta dos preços pode não ser temporária, mas uma acomodação dos índices em patamares mais elevados — e mais resistentes à queda. Apesar desse cenário, o BC prega cautela quanto a um eventual aumento da Selic, atualmente em 7,25% ao ano. Para usar o remédio dos juros, a instituição precisa vencer resistências dentro do próprio Executivo, sobretudo porque um dos desejos da presidente Dilma Rousseff é deixar como legado as menores taxas da história.
No parágrafo 28 da ata, o BC deixa claro o incômodo com o nível atual do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teima em não ceder apesar dos cortes de tributos promovidos pelo Ministério da Fazenda. A instituição explica que a maioria dos preços está em alta e que essa pressão tem sido intensificada por alguns fatores pontuais no segmento de transportes — uma referência à reversão do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e elevações de tarifas de transporte público. “Embora essa dinâmica desfavorável possa não representar um fenômeno temporário, mas uma eventual acomodação da inflação em patamar mais elevado, o Comitê pondera que incertezas remanescentes cercam o cenário prospectivo e recomendam que a política monetária deva ser administrada com cautela”, diz o texto.
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Esta matéria tem: (2) comentários
Autor: Jorge Bogdezevicius
Diminua essa alíquota perversa do Imposto de Renda dos assalariados que coisa melhora. Se tem folga para diminuir IPI de veículos e outros bens, porque não pensar no cidadão? | Denuncie |
Autor: Bruno Santos
aumenta temporariamente o meu salário também... | Denuncie |