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"É preciso pulso firme no Banco Central", diz, em entrevista, economista Um dos responsáveis pela MB Associados, o economista aconselha que a autoridade monetária recupere a confiança do mercado

Rosana Hessel

Publicação: 17/03/2013 08:15 Atualização: 16/03/2013 21:06


 ( Rafael Cusato/Divulgação)

 

São Paulo — O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, é pragmático ao analisar a condução da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff. Para ele, que faz parte de uma corrente mais pessimista do mercado, economista não pode ser chefe de Estado. “Sempre brinco que esse negócio de colocar economista como presidente é uma coisa terrível. Economista já tem seu pensamento econômico. É cabeça-dura, não vai mudar o que ele aprendeu, o que acha que é correto, da noite para o dia”, diz.

Formado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e com mestrado pela USP e pela Universidade de Wisconsin Madison, nos Estados Unidos, Vale argumenta que o país cresce pouco devido a uma escolha de governo em afrouxar o controle da inflação, que deverá ficar em torno de 6% neste ano e poderá chegar a 6,5% no próximo. O economista defende um pulso mais firme na condução da política monetária, assim como o adotado pelo ortodoxo Paul Volker (ex-presidente do Federal Reserve), para domar os preços. Na avaliação dele, ninguém mais vê que o Banco Central considera a meta de 4,5%, de fato. Ele afirma que a política econômica precisa voltar ao tripé dos princípios macroeconômicos — metas de inflação, câmbio flutuante e superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) —, que, durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, domou a hiperinflação e que, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, viabilizou a estabilidade econômica para que as ações sociais fossem feitas. Leia os principais trechos da enrtrevista concedida ao Correio.

Baixo crescimento
O país não está condenado a crescer pouco, mas o governo fez essa escolha. No início da gestão de Lula, até mais ou menos 2005, havia a percepção de continuidade das reformas e do tripé macroeconômico. O cenário internacional foi importante, mas o estímulo do crescimento veio por razões domésticas. O país passou 15 anos fazendo reformas e controlando a inflação. Isso ajudou a colocar a economia num trilho de crescimento equilibrado, razoável e com regras estáveis. A partir de 2006, após o mensalão, e talvez ele tenha uma razão por trás disso, o governo descobriu que tinha de estimular o crescimento também por meio de políticas sociais, e esqueceu as reformas. Aí, veio o Bolsa Família crescendo, os aumentos do salário mínimo e o inchaço do funcionalismo. Aumentou-se a participação do setor público não só na questão dos gastos, mas também na ingerência. A mão do Estado começou a ficar mais pesada.

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