Economia
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Desaceleração econômica será desafio para próximo governo do Chile A ex-presidente socialista, Michelle Bachelet, propôs uma reforma tributária que busca arrecadar 8,2 bilhões de dólares, por meio de um aumento dos impostos

Publicação: 12/12/2013 19:16 Atualização:

Uma desaceleração econômica e queda nos investimentos em mineração no Chile, o principal produtor mundial de cobre, é o horizonte econômico a ser enfrentado pelo novo governo que será definido domingo, na votação entre a socialista Michelle Bachelet e a candidata de direita Evelyn Matthei.

Após uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 5% nos últimos três anos, a economia chilena deve encerrar este ano com um crescimento em torno de 4,2% e, para 2014, o Banco Central projetou uma expansão em uma margem entre 3,75% e 4,75%.

"Espera-se um crescimento inferior ao deste ano. Isso é acompanhado pela desaceleração da demanda interna e por uma queda nos investimentos", disse à AFP o economista da Universidade de Santiago, Francisco Castañeda.

"Está cada vez mais claro que, no próximo ano, vamos enfrentar uma situação econômica com uma desaceleração bem acentuada", concorda o economista do instituto Nova Economia, Hernán Frigolett.

Em todo caso, de acordo com o Banco Central, a inflação se manterá, no próximo ano, abaixo de 3%, inferior à meta fixada pelo banco, enquanto o desemprego se manteria em torno de 7% da força de trabalho, depois de alcançar níveis historicamente baixos em 2013 de 5,8%.

Leia mais notícias em Economia

Menor investimento em mineração

Uma queda nos investimentos, principalmente em mineração, estaria afetando o Chile, o primeiro produtor mundial de cobre, responsável por quase um terço da oferta mundial, equivalente a 5,6 milhões de toneladas anuais.

A queda mundial no valor das matérias-primas, pela instabilidade da economia mundial, e uma menor demanda de cobre pela China, seu principal comprador, cuja economia também desacelerou, explicariam a postergação de vários projetos já anunciados.

"A desaceleração caminha de mãos dadas com o que está acontecendo com o investimento, sobretudo, no setor de mineração, onde se vê que há bastante projetos que estão sendo adiados e isso vai levar a ajustes em tudo o que tem a ver com energia e serviços empresariais", explica Frigolett.

Dos cerca de 100 bilhões de dólares em investimentos de mineração projetados no Chile para os próximos cinco anos apenas um terço deve ser executado, por causa de uma "demanda de cobre que está praticamente estagnada", acrescenta o economista.

"A economia chilena é altamente dependente do contexto internacional e nesse aspecto, o principal sócio comercial do país, que é a China, foi desacelerando ano a ano seu crescimento", explica Castañeda.

Fator político

Para o governo demissionário de direita de Sebastián Piñera, o principal responsável pela queda dos investimentos é o programa de reformas impulsionado pela ex-presidente socialista Michelle Bachelet, favorita nas eleições de domingo.

Bachelet venceu no primeiro turno com 46,6%, mas, ao não conseguir maioria absoluta (50% a mais um dos votos) deverá enfrentar Evelyn Matthei, que obteve 25,1% dos votos.

A ex-presidente socialista propôs uma reforma tributária que busca arrecadar 8,2 bilhões de dólares, por meio de um aumento dos impostos às empresas, dos atuais 20% a 25% e um maior controle da evasão.

Ela também propôs uma nova Constituição política que substitui a atual, legado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O programa de Bachelet não inclui, contudo, mudanças importantes para a mineração, explorada em sua maioria por empresas privadas, mas liderada pela estatal Codelco, que produz cerca de 10% do cobre mundial.

"É inegável que o programa e as políticas que estão sendo apresentadas não estimulam o investimento, mas sim o contrário", acusou na segunda-feira o ministro da Fazenda, Felipe Larraín.

"Hoje que a economia está em clara desaceleração. É preciso buscar as responsabilidades em outro lugar. Isso é uma falta de seriedade", disse o economista Alberto Arenas, chefe do programa do governo de Bachelet, que é apontado como seu futuro ministro da Fazenda, caso ela ganhe a eleição.

Em seu último relatório, o Banco Central afirma que a queda nos investimentos "esteve associada com a proximidade da maturidade do ciclo de investimentos em mineração, em um contexto no qual, além disso, foram se consolidando algumas condições menos favoráveis no cenário externo".

"Pelo lado do investimento, a desaceleração prevista para 2014 é associada ao término de um ciclo de projetos de investimento em mineração, frente a expectativas de uma menor expansão da demanda mundial, assim como, ao menor crescimento previsto do crédito", considerou a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), em um relatório anual apresentado esta semana.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.