Economia
  • (21) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Servidores mais bem pagos do país podem revolucionar o funcionalismo Donos dos maiores contracheques do serviço público ocupam funções estratégicas para o país. No entender de especialistas, eles podem dar um basta à burocracia e melhorar os serviços à população

Antonio Temóteo

Publicação: 20/01/2014 08:00 Atualização: 20/01/2014 07:53

A elite dos servidores públicos brasileiros não é de fazer alarde — a não ser que seja chamada ao confronto, como na negociação salarial de 2012, quando recebeu, do Palácio do Planalto, a pecha de sangue azul do funcionalismo. Com os maiores contracheques do Executivo, do Legislativo e do Judiciário — vencimento médio inicial de R$ 15 mil —, esse pelotão desempenha funções cruciais, cujas falhas podem custar caro aos cofres do país e sérios problemas à população. Da administração das reservas internacionais, de US$ 375 bilhões, ao controle da inflação. Da gestão da dívida pública, de R$ 2 trilhões, aos subsídios a projetos de leis e a sentenças de tribunais. Tudo passa por esse grupo, que tem remunerações até 2.115% maiores que a base dos servidores.

Para especialistas, não há como prescindir de mão de obra tão qualificada. Todos os integrantes dessa elite — são mais de 50 mil — têm nível superior, muitos ostentam mestrados e doutorados e participam de treinamentos com frequência. “É natural que algumas carreiras tenham destaque e melhor remuneração”, diz Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Muitos desses servidores desempenham funções características de Estado, como a arrecadação de tributos, o controle da moeda e o sistema de segurança pública”, acrescenta.

Fazendo a diferença

Sofrimento e aprendizado

O procurador-chefe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, 42 anos, foi aprovado em um concurso para a autarquia em São Paulo em 1999. “Na época, não tinha noção da importância do INSS”, lembra. Depois de três anos no cargo, a vida dele sofreu uma reviravolta com o diagnóstico, aos 31 anos, de câncer nos testículos. “Achei que morreria”, conta. Após o tratamento, ele decidiu que mudaria tudo em sua rotina, inclusive a cidade em que morava. Diante de tanto sofrimento, era hora de dar um basta à tristeza e à solidão na maior cidade do país. Nesse período, recebeu o telefonema de um colega que o convenceu a se mudar para Brasília. Além de um dia a dia menos estressante, estaria no coração do funcionalismo do país. Não se arrependeu. “Tudo deu certo".

%u201CTudo deu certo', afirma o procurador-chefe do INSS, Alessandro Stefanutto (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
%u201CTudo deu certo", afirma o procurador-chefe do INSS, Alessandro Stefanutto


Justiça deve se aproximar do povo

O juiz federal Alexandre Vidigal, 55 anos, está convencido de que a Justiça precisa estar mais próxima do povo. Para ele, é preciso acabar com a visão de que somente negros e pobres são punidos neste ano. Essa mudança, acredita, começa pela redução da distância atual entre a população e a magistratura. Ele diz mais: “É preciso acabar com o mito de que juiz é marajá”. Na avaliação dele, o salário diferenciado e as férias de 60 dias, por exemplo, são parte das prerrogativas e estímulos à carreira, uma vez que as responsabilidades de quem julga são enormes. “O juiz não bate ponto, mas trabalha pelo menos 11 horas por dia. E em nenhuma outra profissão, as pessoas são atendidas e desagradadas ao mesmo tempo”, ressalta. “Isso cria um desgaste enorme.”

Apesar da pesada rotina diária de despachos, julgamentos e reuniões, ele consegue encontrar tempo para espairecer. As maiores diversões estão nas corridas de rua, das quais participa há mais de 30 anos, e nas brincadeiras com carros de controle remoto.

'É preciso acabar com o mito de que juiz é marajá', afirma o juiz federal Alexandre Vidigal ( Bruno Peres/CB/D.A Press)
"É preciso acabar com o mito de que juiz é marajá", afirma o juiz federal Alexandre Vidigal


A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Esta matéria tem: (21) comentários

Autor: Antonio Silva
Precisamos remunerar bem os servidores da educação, saúde e segurança. O resto é o resto. Só num país muito atrasado pra se valorizar essas atividades "meio"... O Brasil ta realmente "mal na fita"... Vejam o exemplo de países desenvolvidos: alguns, nem existe esse tal de "procurador" | Denuncie |

Autor: Cesar Lins
A meu ver, são apenas carreiras com grande poder de lobby em prol de salários e mordomias. Prova disso, é que a maioria dos cargos mostrados na reportagem estão dispensadas de registro do PONTO ELETRÔNICO, a que os "meros mortais" estão obrigados. Sem falar nos recessos, 60 dias de férias, etc | Denuncie |

Autor: DANIEL ARAUJO SILVA
a disparidade salarial no serviço público, é fruto da desiguladade, nesse nosso país injusto. basta ver a diferença nos países europeus bem mais humana e honesta. | Denuncie |

Autor: marcelo mexicano
Férias de 60 dias é uma indescencia, não tem cabimento, sem falar nas eternas ações que rendem uns milhõezinhos de vês em quando conforme noticia na midia | Denuncie |

Autor: Antonio Silva
Por essa lógica, os copeiros do Senado podem "revolucionar" a arte de servir cafezinho. Afinal, eles também ganham R$15mil mensais | Denuncie |

Autor: Adelar Kamphorst
Nossa carreira tá mal na foto. Somos carreira típica de estado com nível superior e o nosso salário fica em torno de 10% desta elite. Realmente o governo está pouco se importando com alguns setores que trabalham de forma ética e correta. | Denuncie |

Autor: zales alves
É???? E se os servidores mais mal pagos deste país resolverem parar? Quem vai revolucionar o quê? | Denuncie |

Autor: zales alves
Me poupem, sou servidor do judiciário há 20 anos e falo com propriedade, os juizes - 99% - se acham deuses, intocáveis, incorrigíveis, e etc. Ferram um pobre inocente sem nem pestanejar e da mesma forma liberam um culpado do colarinho branco endinheirado... | Denuncie |

Autor: fabio dos santos
MarceloSs ,Quando o juiz fala em corrida de rua,ele está falando corrida a pé. | Denuncie |

Autor: Tania Cunha
É, vamos espalhar o mito de que juiz trabalha mais de 6 horas por dia. Caro juiz, férias de 60 dias é mordomia, ainda mais com todos os recessos. Quantos dias líquidos um juiz trabalha por ano? É operação tartaruga institucionalizada. | Denuncie |

Autor: OLDEMAR FILHO
Entendo o objetivo de tentar justificar o muitas vezes injustificável. Quem dá retorno à sociedade tem que ser muito bem remunerado. Agora, me expliquem porque a sociedade tem que bancar os absurdos remuneratórios do legislativo, por exemplo? | Denuncie |

Autor: Antonio Silva
Precisamos de mais bacharéis em direito, pra revolucionar o país | Denuncie |

Autor: Cassio
Corridas de rua no caso são corridas a pé e não "rachas". Aliás, temos dezenas de corridas de rua no DF, algo muito saudável. | Denuncie |

Autor: Lost Cluster
Acho que as "corridas de rua" que a reportagem se refere são à pé, e não de carro, certo? | Denuncie |

Autor: Lost Cluster
Para acabar com o mito de que juiz é marajá, basta extirpar do cargo todos os marajás e outros lesa-pátria que vestem toga neste país! Simples assim. | Denuncie |

Autor: Guilherme Rbr
É isso aí... A função de "Procurador" realmente vai "revolucionar" o mundo kkk. Vai nessa...Ja pararam pra pensar: o que faz um Procurador? Eu chamaria de "Burocrata-chefe".Por causa desse pensamento, é que o povo amarga essa falta de educação, saúde e segurança... Só no Brasil q temos esse disparate | Denuncie |

Autor: Cesar Lins
Nada como uma "Exaltação aos Burocratas", pra começar a segunda-feira com pé direito. Enquanto isso, dois amigos meus foram assaltados em Bsb no final de semana...porque a Polícia é mal paga, e ta fazendo "operação tartaruga" | Denuncie |

Autor: Marcos Antonio Silva
A administração pública deve ser gerida pelos funcionários públicos concursados,os quais passam por um longo e espinhoso processo com especializações e treinamento continuados.Aos políticos de carreira deveria ser permitido apenas estabelecer prioridades de Governo, nunca a gestão e função de estado. | Denuncie |

Autor: Cidadão Kane
O mito de que juiz é marajá vai acabar quando acabar essa mamata de férias de 60 dias e quando eles forem realmente punidos pelos seus erros. Aposentadoria não é punição. Se não batem ponto, não tem como afirmar que todos trabalham muito | Denuncie |

Autor: Marcelo Ss
O juiz se diverte em corridas de rua? Estranho isso. E eu achando que os infames "rachas" eram proibidos por lei. | Denuncie |

Autor: Marcelo Ss
Desde quando Burocracia é sinônimo de ineficácia ou ineficiência? Burocracia é profissionalismo. Se há uma idéia deturpada de Burocracia no Brasil é devido a má aplicação desse mecanismo tão importante para atender a sociedade de maneira profissional. | Denuncie |

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

PUBLICIDADE



  • Últimas notícias
  • Mais acessadas