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Moedas emergentes atingidas pela redução dos estímulos dos EUA Há perspectivas de um maior endurecimento da política monetária dos EUA

France Presse

Publicação: 28/01/2014 18:33 Atualização:

Londres - As economias emergentes lutavam para defender suas moedas nesta terça-feira (28/1), enquanto o tempo dos estímulos do Federal Reserve dos EUA se esgota, expondo-as à fuga de capital.

As perspectivas de um maior endurecimento da política monetária dos EUA na quarta-feira, 29 de janeiro, aumentam o risco de que uma redução do estímulo absorveria mais dinheiro das economias emergentes, desaceleraria o crescimento global e prejudicaria a recuperação da zona do euro.

Muitos dos principais mercados emergentes já sofreram com a fuga de capitais, quando o banco central dos EUA começou a reduzir o famoso programa de compra de títulos, o quantitative easing (QE).

A política alimentou os fluxos de dólar ao exterior em busca de maiores lucros.

A turbulência monetária está afetando as economias emergentes na Ásia, América Latina, Rússia e África do Sul já que os investidores estão deixando os investimentos de maior risco, segundo analistas.

O banco central da Índia anunciou uma surpreendente alta de 0,25% de sua principal taxa de juros a 8% nesta terça-feira.

As preocupações com mercados como Argentina, Brasil, Índia, Rússia, África do Sul, Tailândia, Turquia e Ucrânia chegam em um momento em que a zona do euro está emergindo da pior fase de sua crise da dívida soberana.

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Além disso, Turquia, Tailândia e Ucrânia enfrentam agitação política nas últimas semanas.

O Fed já cortou seu estímulo este mês em US$10 bilhões a US$75 bilhões por mês em um sinal de recuperação da economia dos EUA, a maior do mundo.

Os negociadores agora esperam para ver se o Fed anunciará mais cortes dos estímulos após dois dias de reunião de política monetária na quarta-feira.

Os economistas também estão precificando uma política monetária mais rígida do Banco da Inglaterra (BoE), em meio às perspectivas de que a recuperação da economia britânica se acelerará este ano.

"O quantitative easing pode ser comparado a uma maré de dinheiro barato por meio de ativos de risco. Então, quando a maré baixa, podemos ver que quem está nadando está nu", disse a analista do Rabobank, Jane Foley, à AFP.

"Se o dinheiro fácil está sendo reduzido, os países dos mercados emergentes ficarão mais expostos".

Ela acrescenta que "esses países de baseiam em poupanças externas para financiar suas dívidas e quando os estrangeiros ficam receosos e retiram seu dinheiro, as moedas se ajustam, para baixo".

Argentina aumentou as pressões

A turbulência se intensificou na semana passada quando a Argentina adotou uma forte desvalorização em uma tentativa de estabilizar o peso, que se mantém estável nesta terça-feira.

Contudo, a explosão dos problemas da Argentina e o arrocho monetário global continuavam a atingir outras economias emergentes esta semana, mais notadamente, o vizinho Brasil onde o real atingiu um mínimo de cinco meses.

O rand da África do Sul também registrou um nível mínimo em cinco meses na segunda-feira, enquanto o banco central da Turquia convocou uma reunião extraordinária depois de uma pesada intervenção fracassar.

"A decisão do Fed de reduzir o QE, combinada com uma maior probabilidade de que o BoE está se aproximando de um endurecimento de sua política monetária, está servindo para reforçar as preocupações dos investidores sobre o financiamento externo a países como Turquia ou África do Sul com elevados déficits em conta corrente", disse o economista Lee Hardman do The Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ em Londres.

Todos os olhos voltados para a decisão da Turquia

A assediada lira turca se recuperou de um mínimo histórico nesta terça-feira em meio às expectativas de que o banco central do país aumentará as taxas de juros à meia-noite, um movimento para sustentar a lira.

A lira turca despencou ainda mais nas últimas semanas, pressionada também pela crise que atingiu o governo do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

"Os mercados dos países emergentes continuam na linha de frente econômica no mercado de câmbio", disse Alistair Cotton, analista da Currencies Direct.

"A redução do Fed está dirigindo a fuga de capitais e pressionando para baixo muitas moedas de mercados emergentes".

Contudo, apesar da turbulência crescente nesses mercados, as nações da zona do euro não estão preocupadas com o contágio, disse o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, esta semana.

"Não estou particularmente preocupado com o risco de contágio. Eu acredito que a posição da zona do euro é diferente e que temos que manter nosso progresso".

Ele acrescentou que a recente redução do programa de estímulo dos EUA era, em parte, responsável, mas que as economias emergentes também têm que combater "desequilíbrios estruturais".

Analistas expressaram preocupação com a visão da zona do euro.

"Dijsselbloem e outros políticos provavelmente se sentem obrigados a passar mensagens tranquilizadoras aos investidores", disse Foley.

"Embora não possa ser dito com total certeza que não haverá contágio na zona do euro, o grande superávit em conta corrente da região, o fato de que tem havido poucos sinais de risco sistemático na zona do euro por enquanto e melhores dados econômicos são traquilizadores".

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