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BC poderá utilizar reservas internacionais para segurar cotações do dólar Alexandre Tombini afirmou que pode "usar esse colchão (de recursos) para suavizar ajustes e diminuir o impacto da desvalorização do real sobre a economia"

Publicação: 14/02/2014 08:14 Atualização: 14/02/2014 09:16

A declaração de Tombini indica que o BC está disposto a utilizar munição mais pesada para controlar os preços da divisa (ERIC PIERMONT/ AFP PHOTO)
A declaração de Tombini indica que o BC está disposto a utilizar munição mais pesada para controlar os preços da divisa

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que pode utilizar as reservas internacionais de US$ 376 bilhões para segurar as cotações do dólar e evitar que a alta da moeda norte-americana continue pressionando a inflação, que tem permanecido muito acima da meta oficial, de 4,5%.

Em entrevista à revista Exame, cuja última edição começou a circular ontem, ele afirmou que pode “usar esse colchão (de recursos) para suavizar ajustes e diminuir o impacto da desvalorização do real sobre a economia”.

A declaração de Tombini indica que o BC está disposto a utilizar munição mais pesada para controlar os preços da divisa. Desde agosto do ano passado, quando passou a intervir no mercado de câmbio, a estratégia tem sido a de recorrer apenas a contratos de swap cambial, instrumento equivalente à venda de dólares no mercado futuro, justamente para preservar o nível de reservas.

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Para João Paulo Corrêa, gerente de Câmbio da Correparti Corretora, “Tombini deu a entender que pode vender moeda diretamente nos negócios à vista”. Já refletindo a fala do presidente do BC, o dólar recuou 0,66% ontem, fechando a R$ 2,406 para a venda. No mercado futuro, as cotações caíram até 1,3% nas operações com liquidação prevista para março.

A entrevista mostrou ainda o quanto o governo está preocupado com a resistência da inflação e com a queda do real, que vem sendo pressionado pela perda de confiança dos investidores na economia brasileira e pela mudança da política monetária nos Estados Unidos. Na última terça-feira, a nova presidente do BC dos EUA, Janet Yellen, avaliou que a economia brasileira é uma das mais vulneráveis à nova conjuntura global. Nos últimos três anos, o real teve uma desvalorização de 55% frente ao dólar. “Obviamente, isso tem um impacto na condução da política de estabilidade de preços”, disse Tombini.

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