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Crise da Ucrânia começa a pesar na economia russa, diz especialista

Segundo Ivan Chakarov, economista-chefe do banco Citi em Moscou, o fenômeno está "vinculado à situação geral de incerteza"

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postado em 25/03/2014 15:37

France Presse

Moscou - A crise ucraniana começa a pesar na já fragilizada economia da Rússia, ainda pouco afetada pelas sanções, mas onde foram retomadas as fugas de capitais, segundo os especialistas.

As saídas de capitais - um indicador muito observado, já que reflete o clima empresarial no país - se intensificaram no primeiro trimestre do ano, segundo estimativas de Andrei Klepatch, vice-ministro russo da Economia.

Estas fugas podem alcançar entre 65 e 70 bilhões de dólares nos três primeiros meses deste ano, indica Klepatch. Em todo o ano de 2013, as saídas atingiram no total de 62,7 bilhões.

Segundo Ivan Chakarov, economista-chefe do banco Citi em Moscou, o fenômeno está "vinculado à situação geral de incerteza" pela crise política na Ucrânia e pela tensão nas relações com os ocidentais.

O alto nível das saídas líquidas de capital - um problema endêmico na Rússia - reflete transferências em massa de somas em rublos, que as empresas ou indivíduos russos têm, para colocá-las em uma moeda segura. A elas se somam os fundos repatriados por sociedades estrangeiras que operam na Rússia.

"A pressão sobre a taxa de câmbio (do rublo) observada desde o início do ano se acentuou em março diante da incerteza política", observa Natalia Orlova, economista-chefe do Alfa Bank, embora depois tenha se estabilizado.

"Um problema de estagnação"

O vice-ministro Klepatch considera que a Rússia também sofre de um "problema de estagnação" de sua economia. O PIB russo pode crescer no primeiro trimestre "pouco mais de zero", depois de ter avançado 1,3% no conjunto de 2013.

O governo russo aposta oficialmente em um crescimento de pelo menos 2% em 2014, mas os economistas dos principais bancos acreditam que será fixado somente em 1% ou menos neste ano.

O presidente do banco público Sberbank, Guerman Gref, afirmou que "se as saídas de capitais chegarem a 100 bilhões de dólares, é perfeitamente possível que haja um crescimento nulo".

Gref, ex-ministro da Economia, acrescentou que o "risco de recessão permanece", em um contexto de forte aumento da taxa básica de juros, a 7%, decidida no início de março pelo banco central.

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Depois de ter perdido cerca de 10% desde o início do mês, os mercados de ações russos, assim como a taxa de câmbio do rublo, se estabilizaram porque, no momento, o impacto das sanções internacionais parece reduzido.

Estas sanções, que afetam 20 personalidades e um banco, são consideradas "muito personalizadas e sem repercussões gerais", destaca Orlova.

Mas os países do G7 advertiram na segunda-feira Moscou que estavam decididos a implementar "sanções setoriais coordenadas que terão consequências cada vez mais importantes para a economia russa se a Rússia prosseguir com sua escalada" na Ucrânia.

As sanções podem afetar setores como o de energia, o setor bancário, das finanças ou da defesa, indicou um responsável americano que pediu o anonimato na cúpula de Haia.

As agências de classificação Fitch e Standard and Poor's reduziram em março, uma depois da outra, a perspectiva da nota soberana da Rússia, fazendo-a passar de estável à negativa, o que indica que essa nota ainda pode ser degradada.

A Fitch classificou assim a situação da Rússia: "O impacto direto das sanções é, no momento, pequeno, mas a incorporação da Crimeia à Federação Russa levará provavelmente a União Europeia e os Estados Unidos a ampliar as sanções, como resposta".

"No pior dos cenários, os Estados Unidos podem proibir as instituições financeiras estrangeiras de fazer negócios com os bancos e as empresas russas", afirma a agência em uma nota.

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