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Em dois meses, rombo nas contas públicas atinge R$ 19,9 bilhões

Setor público consolidado registra o maior deficit nominal para um primeiro bimestre desde 2006. Excesso de gastos põe investidores em alerta, sobretudo depois do rebaixamento do país pela S&P. Próximo presidente terá de promover arrocho nas despesas

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postado em 29/03/2014 08:00 / atualizado em 28/03/2014 23:27

Deco Bancillon

Danilson Carvalho/CB/D.A Press

A gastança desenfreada do governo não tem fim. Dados do Banco Central mostram que, somente nos dois primeiros meses do ano, o rombo nas contas públicas (deficit nominal, que inclui as despesas com juros) atingiu R$ 19,9 bilhões, o pior resultado para um bimestre desde 2006. O buraco corresponde a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo os especialistas, qualquer que seja o parâmetro de avaliação, os resultado são ruins. No acumulado de 12 meses terminados em fevereiro, o deficit totalizou R$ 161,8 bilhões, valor equivalente a 3,3% do PIB. Ou seja, mesmo com uma carga recorde de impostos, o governo não está conseguindo cobrir todas as despesas. Por isso, o Brasil foi rebaixado pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) na última segunda-feira.

Quando assumiu o governo, a presidente Dilma Rousseff havia prometido cortar os gastos públicos como forma de ajudar o BC a controlar a inflação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tinha se comprometido, inclusive, a chegar 2014 com deficit nominal zero. Os números, porém, explicitam que nada foi feito para pôr fim à farra fiscal. O resultado é que o próximo comandante do país, que tomará posse em 2015, seja ele Dilma, seja alguém da oposição, terá de impor um arrocho sem precedentes nas contas públicas se quiser arrumar a casa e evitar que o custo de vida se mantenha persistentemente próximo do teto da meta perseguida pelo BC, de 6,5%.

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“Diante dos atuais resultados fiscais, e, sobretudo, devido ao baixo ritmo de crescimento da economia, há grandes chances de o deficit nominal alcançar 4% do PIB ainda neste ano”, projetou o especialista em contas públicas Mansueto Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A última vez que o rombo passou de 4% foi em novembro de 2009, quando o Brasil e o mundo ainda enfrentavam dificuldades para sair da maior crise financeira mundial em 80 anos.

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