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Governo e oposição se preparam para 1ª sessão de diálogo na Venezuela O governador do estado de Miranda (norte) e líder opositor Henrique Capriles confirmou que irá à reunião

France Presse

Publicação: 09/04/2014 17:57 Atualização:

Maduro vai se reunir com a oposição (REUTERS/Miraflores Palace/Handout)
Maduro vai se reunir com a oposição

Caracas
- O governo e a oposição da Venezuela preparam para esta quinta-feira a primeira sessão de um diálogo de paz que contará com a observação de representantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Vaticano, após dois meses de protestos que já deixaram 39 mortos.

O governador do estado de Miranda (norte) e líder opositor Henrique Capriles confirmou que irá à reunião, pouco depois de o governo do presidente Nicolás Maduro ter convidado formalmente o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, para ser "testemunha de boa-fé" durante as conversas.

"Digo isto ao nosso povo: vou amanhã (quinta) para defender a verdade, porque com a verdade não temo, nem ofendo. Se quiser abrir este espaço, vamos lá", afirmou o governador Capriles, em um ato público.

Na véspera, em um inédito encontro entre Maduro e a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), divulgado pelos chanceleres da Unasul, ficou acertado o início da nova tentativa de diálogo. O encontro deve ser transmitido por todos os meios de comunicação.

"Todos vejam a rede (a transmissão), porque eu lhes asseguro que, se essa reunião for no (palácio presidencial de) Miraflores, quando for nossa vez de falar, tremerá em Miraflores, porque diremos a verdade ao governo para que o país abra os olhos", disse Capriles, que faz parte da ala moderada da MUD.

Durante os protestos, o líder opositor se empenhou em criticar a gestão de Maduro na crise econômica, com a inflação mais alta da América do Sul e a escassez de produtos básicos, assim como a violência no país. Esses problemas se tornaram parte da agenda das manifestações.

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"A verdade é que as coisas não vão bem, e aqui precisa ter uma mudança", afirmou Capriles, derrotado por Maduro nas eleições de 14 de abril de 2013, por uma apertada margem de 1,5% dos votos.

Essa foi a menor diferença entre a oposição e o chavismo em uma eleição nos últimos 15 anos.

Representante do Vaticano estará presente

Nesta quarta, o governo venezuelano também convidou formalmente o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, para que seja "testemunha de boa-fé" do diálogo, junto com os chanceleres de Brasil, Colômbia e Equador, conforme combinado na reunião preparatória de terça-feira.

"Desejamos transmitir o convite do presidente Nicolás Maduro a Sua Santidade, o papa Francisco, com o propósito de que participe dos processos de diálogo entre representantes do governo e da oposição venezuelana, por intermédio da designação de sua pessoa como testemunha de boa-fé", declara o chanceler Elías Jaua em carta enviada a Parolin.

Parolin foi núncio na Venezuela antes de assumir como secretário de Estado. Sua presença na reunião foi uma das condições acertadas entre governo e oposição.

Na agenda a ser discutida, a MUD incluiu uma anistia para libertar pelo menos 100 pessoas detidas ao longo dos dois meses de manifestações. A oposição também espera que o governo aceite o "desarmamento sob supervisão internacional" dos chamados "coletivos", os grupos civis identificados com o governo.

Na terça à noite, Maduro deixou clara sua rejeição a ambos os pontos. "Aqui vai ter justiça, não vai haver impunidade. Tenham certeza disso (...) é a única forma de haver paz", disse ele sobre o pedido de anistia.

Sobre os "coletivos", o presidente negou que estejam armados e insistiu em denunciar uma campanha de desprestígio.

Como prioridades do governo, Maduro antecipou que proporá a retomada da luta contra a criminalidade e o estímulo a um plano de desenvolvimento econômico.

Esse primeiro acordo MUD-governo foi rejeitado por um setor da oposição, principalmente, do partido Vontade Popular. Seu líder Leopoldo López está preso há quase dois meses, acusado de promover a violência nas manifestações.

Os protestos da oposição começaram em 4 de fevereiro, por iniciativa de estudantes de San Cristóbal, no estado de Táchira (oeste), e se espalharam por várias cidades no país.

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