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Argentinos fazem greve contra política econômica de Cristina Kirchner Greve começou com o cessar das atividades nos postos de combustível e transporte público nessa quinta-feira (10/4)

France Presse

Publicação: 10/04/2014 10:47 Atualização: 10/04/2014 11:39

A greve inclui trabalhadores do transporte público, funcionários públicos e caminhoneiros que pertencem a grupos oposicionistas a Kirschner (Enrique Marcarian)
A greve inclui trabalhadores do transporte público, funcionários públicos e caminhoneiros que pertencem a grupos oposicionistas a Kirschner

Buenos Aiers
- A Argentina amanheceu nesta quinta-feira (10/4) sem serviço de metrô, trens, ônibus e alguns voos foram cancelados, no início de uma greve geral convocada por três centrais sindicais que reclamam da política econômica do governo de Cristina Kirchner.

A greve começou no primeiro minuto desta quinta-feira (10/4) com o cessar das atividades nos postos de combustível e transporte público, setor-chave para que a ação sindical tenha êxito neste país de 40 milhões de habitantes.

As companhias aéreas Aerolíneas Argentinas, Austral, LAN e outras empresas privadas paralisaram suas operações, confirmou o titula da Associação de Técnicos Aeronáuticos (APTA), Ricardo Cirielli à rádio Continental.

Sindicatos realizam uma greve de 24 horas para pressionar por aumentos salariais (Enrique Marcarian/Reuters)
Sindicatos realizam uma greve de 24 horas para pressionar por aumentos salariais

A chilena LAN, que conta com quase 30% do mercado doméstico argentino, "se viu na obrigação de cancelar todos os voos dentro da Argentina, e alguns internacionais devido à greve", explicou a empresa.

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Desde a madrugada grupos de esquerda radical formaram piquetes nas principais rotas de acesso a Buenos Aires. "É uma paralisação que vai ter uma ampla adesão, é consequência do mal-estar entre as pessoas", afirmou o líder dos caminhoneiros, Hugo Moyano, líder do protesto e da central operária CGT, que enfrenta a ala kirchnerista que agrupa grandes grêmios industriais, comerciais, bancários e de docentes.

Os sindicatos que convocaram a greve agrupam setores de centro-esquerda e até a esquerda radical. É incerto o nível de adesão que a greve terá, mas o objetivo é paralisar por 24 horas esta nação confrontada com uma forte inflação, de mais de 7% no primeiro bimestre de 2014 e superior a 30% em 2013.

A medida foi avaliada por alguns sindicatos e analistas como um jogo político para desafiar o governo de centro-esquerda de Kirchner, que também enfrenta um crescente descontentamento social pela insegurança nas cidades grandes, onde nas últimas semanas foram registrados ao menos 12 casos de moradores que tentaram fazer justiça pelas próprias mãos contra supostos ladroes.

"Todos tem o direito à greve", declarou Kirchner, cujo governo tenta impedir os reajustes salariais discutidos entre patrões e empregados, apesar de a grande maioria dos sindicatos já ter acertado aumentos em torno dos 30%, o que vai puxar ainda mais a inflação.

A Argentina tem 10 milhões de trabalhadores registrados, e ao menos 40% são filiados a algum sindicato. O número de assalariados sem registro é estimado em quatro milhões. "É uma greve política, este não é o momento de parar", disse Antonio Caló, líder de 150 mil metalúrgicos reunidos na ala governista da CGT.

Moyano foi candidato à presidência em 2011 com seu pequeno partido Cultura, Educação e Trabalho, e agora busca construir o braço sindical da Frente Renovadora, do deputado peronista dissidente e presidenciável Sergio Massa. A esquerda "trotskista" organizará piquetes em avenidas e estradas para apoiar a greve, mas as demais organizações não promoverão protestos nas ruas.

"Nunca sou a favor de greve, mas não é possível viver com este nível de inflação", disse Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires e um dos presidenciáveis para 2015 pelo partido opositor Proposta Republicana (PRO, direita).

A última greve geral convocada pelos sindicatos opositores na Argentina ocorreu em novembro de 2012, e paralisou parcialmente o país.

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