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Presidente Dilma reconhece que "não está tudo bem" com a inflação

Mercado ignora sinceridade da presidente em relação a inflação e a admissão de manobra fiscal por Mantega

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postado em 08/05/2014 06:00 / atualizado em 08/05/2014 08:39

Denise Rothenburg , Rosana Hessel

Cícero/CB/D.A.Press
Em conversa com 10 jornalistas mulheres, durante jantar no Palácio da Alvorada, na noite de terça-feira, a presidente Dilma Rouseff fez um comentário de incomum sinceridade sobre o elevado custo de vida, um dos temas que mais provocam desgaste ao seu governo. “A inflação está sob controle”, disse a presidente, repetindo a frase padrão que costuma usar quando interpelada sobre a alta generalizada de preços que atormenta as famílias brasileiras. Em seguida, porém, acrescentou: “Mas não está tudo bem”. Dilma, contudo, perdeu a oportunidade de explicar por que considera que uma coisa que não vai bem está sob controle.

Com dose semelhante de franqueza, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que recorreu a manobras contábeis, em 2012, para conferir uma aparência de normalidade às contas públicas. “Foi um ano em que a economia cresceu pouco e a arrecadação caiu. E aí, para fazer o resultado fiscal, foi preciso fazer ginástica. Tivemos que pegar o fundo soberano e forçamos um pouco a barra nesse sentido, e ele fez suas críticas”, disse Mantega em entrevista à TV Brasil, após ser questionado sobre comentários do ex-ministro Delfim Netto, um dos economistas que mais fizeram restrições à contabilidade criativa, nome pelo qual ficaram conhecidos os artifícios usados pelo governo. O ministro garantiu, no entanto, que, depois disso, essas práticas não foram mais utilizadas. “Tornamos tudo o mais transparente possível. Nunca houve fiscalização como há hoje”, afirmou.

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Desaprovação
Os comentários de duas das mais altas autoridades da República não tiveram repercussão no mercado financeiro. O dólar caiu 0,49% e a Bolsa de Valores de São Paulo subiu 0,51%, mas esses movimentos resultaram de fatores como a entrada de dólares no país e as declarações de Janet Yellen, presidente do Federal Reserve (Fed), a autoridade monetária dos Estados Unidos, sobre a tendência dos juros naquele país. Os analistas explicam que esse aparente descaso ocorre porque, na verdade, a presidente e o ministro não disseram nada que o mercado não venha repetindo há muito tempo. E, em relação a Dilma, o que tem movimentado os negócios com ações são as sondagens eleitorais que mostram a perda de popularidade da chefe do executivo.

“Os operadores da bolsa brasileira ficaram mais atentos ao discurso da presidente do Fed do que ao que disse Dilma. As ações da Petrobras subiram porque há uma expectativa do mercado de que as duas próximas pesquisas eleitorais do Datafolha e do Ibope apresentarão nova queda na aprovação da chefe do Executivo”, explicou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. “O que Dilma e Mantega falam hoje não tem impacto algum. O mercado trabalha com os números já estabelecidos e eles só mudam quando ela cai ou sobe nas pesquisas”, acrescentou Felipe Chad, sócio da DXI Consultoria e Planejamento Financeiro.

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