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Bares e restaurantes alertam o governo para demissões devido a inflação

A estimativa é que a cerveja tenha 30% a mais na tributação, o que deve afugentar ainda mais o consumidor

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postado em 09/05/2014 08:59

Francele Marzano

Ed Alves/CB/D.A Press

A escalada da inflação e da carga tributária sobre cervejas e refrigerantes poderá levar bares e restaurantes a demitir 200 mil trabalhadores nos próximos meses. Esse alerta preocupa o governo. Segundo Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, entidade que representa as empresas do ramo no país, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá se reunir com representantes do setor na próxima terça-feira, em Brasília. E a expectativa dos empresários é de que a abertura do diálogo leve a uma revisão ou mesmo suspensão da nova tabela de impostos para bebidas frias.

A reunião foi marcada ontem, logo após a Abrasel anunciar queda no movimento de clientes e de receita dos estabelecimentos, que podem levar um número recorde de demissões, além de fechamentos de pontos de venda. O encerramento de unidades tem superado a abertura numa média de 2 mil por mês. As bebidas representam de 40% a 60% do faturamento do setor e, com as duas recentes altas nos tributos num prazo inferior a 30 dias, empresários temem o impacto do repasse dos novos preços à clientela. Para piorar, dois milhões de micro e pequenos empreendedores do setor ainda não sabem se conseguirão se manter após a nova realidade de preços.

No caso da cerveja, a estimativa é de 30% a mais na tributação, o que vai afugentar ainda mais o consumidor. “Nos bares, restaurantes e lanchonetes, a bebida deve ficar de 10% a 12% mais cara”, estimou Solmucci. De acordo com pesquisa do Instituto Nielsen, especializado em relações de consumo, 63% dos entrevistados afirmam que estão reduzindo gastos com alimentação fora de casa. O levantamento foi feito de 18 de fevereiro a 8 de março e consultou 29 mil cidadãos pela internet. Ano passado, o volume de bebidas frias comercializadas caiu em mais de um milhão de bares.

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O principal motivo desse recuo foi justamente o aumento da carga tributária sobre as bebidas em outubro de 2012. Naquela ocasião, os reajustes foram de 13% para cervejas e 26% para refrigerantes. Outro fator que colaborou para a piora na performance do setor foi a lei seca, que entrou em vigor em janeiro de 2013, para conter abusos de motoristas alcoolizados.

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