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"BCs não podem fazer previsões a curto prazo", diz especialista britânico Na opinião de Charles Goodhart, um dos maiores especialistas em política econômica, é importante que a autoridade monetária avalie as consequências de uma medida não somente dentro do país

Rosana Hessel

Publicação: 15/05/2014 06:04 Atualização: 15/05/2014 09:21

O economista britânico Charles Goodhart, considerado um dos maiores especialistas em política econômica, alerta sobre as armadilhas do excesso de liquidez e das políticas monetárias adotadas após a crise financeira de 2008. Para eles, o aumento dos juros promovido pelos bancos centrais dos países desenvolvidos poderia reverter o processo de recuperação mundial.

“A Europa ainda ainda não está totalmente recuperada. Os Estados Unidos e o Reino Unido estão indo bem. Um aumento das taxas poderá fazer com que o avanço dessas economias recue”, disse ele, em entrevista ao Correio. “Ainda há muitos riscos, como a questão demográfica, que poderão mudar o mundo. Há também preocupações com a Ásia, os ciclos das commodities e com a desaceleração da China”, explicou. “Então, há muitos problemas pela frente”, alertou o economista, que deu uma aula para um grupo seleto de professores e alunos na Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB).

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Para Goodhart, é preciso sempre ser cético em relação ao curto prazo.“Os bancos centrais não possuem bolas de cristal e eles não podem fazer previsões para um horizonte curto”, disse. Na sua opinião, é importante que a autoridade monetária avalie as consequências de uma medida não somente dentro do país. “Os bancos centrais também precisam pensar sobre isso. Eles devem tomar decisões e prever os efeitos externos, principalmente, nas nações que compram os produtos de seu país”, disse.

O ex-integrante do comitê de política monetária do Bank of England evitou comentar sobre a economia brasileira, mas afirmou que o Brasil tem boas perspectivas a longo prazo. “Estou entre os otimistas e acho que há futuro para o país.”
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