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Vale lança alerta para competitividade da indústria de carvão em Moçambique O gerente da Vale, Pedro Gutemberg, informou que é cinco vezes mais barato transportar carvão para a China a partir da Austrália

France Presse

Publicação: 23/05/2014 15:11 Atualização:

A mineradora Vale alertou, nesta sexta-feira (23/5), que o setor de carvão de Moçambique está perdendo espaço para concorrentes internacionais, e pediu que o governo do país ajude a reduzir os custos de produção, cortando impostos.

Com o anúncio de prejuízo de 44 milhões de dólares nas operações locais do primeiro trimestre, a companhia decidiu "acionar um alerta" sobre a competitividade da indústria de carvão em Moçambique.

"Isso é o que resta após os custos com transporte naval e ferroviário", afirmou o novo gerente da Vale para Moçambique, Pedro Gutemberg, explicando que é cinco vezes mais barato transportar carvão para a China a partir da Austrália.

Dez anos depois de ter investido em um dos maiores campos de carvão inexplorados do mundo, a Vale disse que a queda nos preços do carvão forçou a companhia a repensar a rentabilidade do carvão moçambicano.

Além de a Austrália apresentar uma vantagem geográfica, os campos de carvão em Moçambique estão situados longe da costa.

Os produtores de carvão de Moçambique são obrigados a competir por espaço em uma única estrada de ferro de 500 quilômetros da província de Tete, rica em carvão, para o porto da Beira, no litoral.

Muitos operadores têm sido obrigados a transportar carvão de caminhão até a costa, e alguns consideram a possibilidade de criar uma rede de barcaças para fazer o transporte pelos rios. O país da África Subsaariana ainda está se reconstruindo após uma longa guerra civil que chegou ao fim em 1992.

A Vale está construindo uma alternativa de 6 bilhões de dólares: 900 km de linha férrea até o porto de Bacala no norte do país, com o objetivo de exportar o dobro da capacidade atual.

Gutemberg alertou que a experiência da Vale pode gerar temores em outros investidores. "Quando novos investidores olham para Moçambique e veem a Vale, eles percebem que todos estão tendo prejuízos e que todos estão perdendo dinheiro", argumentou Gutemberg. "Claro que isso os desencoraja a fazer novos investimentos."

"Se a Vale apresenta essas perdas, imagino que outras companhias estejam pior. A Vale é grande o suficiente para administrar dois ou três anos (de perdas), mas outras empresas não estão na mesma posição. Minas estão sendo fechadas em Tete", disse Gutemberg.

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A mineradora tem uma concessão de 25 anos para explorar mais de um bilhão de toneladas de reservas do país. Gutemberg afirma que a Vale já iniciou as negociações com o governo moçambicano para obter uma redução temporária de impostos.

"É um mecanismo usado por alguns países. Reduzem as taxas por um determinado período, até que a situação do mercado melhore e seja possível voltar a cobrar as antigas taxas", explicou o executivo.

"Nós ainda confiamos em Moçambique, sem dúvida, mas queremos tratar certas questões de forma concreta", afirmou Gutemberg.

A Vale não informou quanto paga em impostos para o Estado moçambicano, mas ressaltou que os 18 milhões pagos no primeiro trimestre não refletem todos os impostos diretos e indiretos a que é submetida.

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