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IOF zero vai facilitar financiamento de carro, além de conter inflação O Ministério da Fazenda zera imposto de empréstimos no exterior a fim de irrigar bancos pequenos e ampliar crédito

Rosana Hessel

Publicação: 05/06/2014 07:00 Atualização: 05/06/2014 08:27

Mantega afirma que única decisão tomada sobre elevação de IPI para veículo é que ela vai ocorrer (Evaristo SA/AFP)
Mantega afirma que única decisão tomada sobre elevação de IPI para veículo é que ela vai ocorrer


O governo decidiu ontem recorrer ao capital estrangeiro especulativo para tentar resolver, de uma só vez, dois de seus problemas. Primeiro, incentivar os financiamentos de carros, pois a escassez de crédito está minando o setor automotivo. Segundo, conter uma nova alta do dólar e, assim, manter a inflação dentro da meta. Para isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reduziu de 6% para zero o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nos empréstimos de mais de 180 dias realizados por bancos e empresas no exterior.

A pressão das montadoras para que o governo se rendesse ao capital de curto prazo foi grande. Como os grandes bancos estão se recusando a financiar automóveis, depois de terem perdido milhões com a inadimplência, a demanda caiu, a produção desabou e os estoques de veículos nos pátios das concessionárias dispararam (até abril, chegavam a 40 dias ou 392,7 mil unidades, apesar das promoções). As montadoras acreditam que, com o IOF zerado, as instituições financeiras de pequeno e médio portes poderão captar recursos mais baratos no exterior e usar o dinheiro para dar crédito aos que desejam comprar carros.

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Esses banquinhos — entre eles, o Votorantim e o Panamericano — foram obrigados a reduzir drasticamente os financiamentos de carros, porque ficaram incapacitados de tomarem empréstimos no exterior quando a Fazenda elevou o IOF para capital de curto prazo com o intuito de evitar uma valorização mais forte do real ante o dólar. “Mais uma vez, o governo está recuando e tentando corrigir distorções que criou na economia e que estão custando caro”, admitiu um técnico do Banco Central. “Mas não acreditamos em uma entrada expressiva de recursos no país com tal medida”, frisou.

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