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Argentina revela medidas para pagar dívida suspensa com fundo especulativo Este revés acontece em um momento delicado da economia argentina, que tenta ganhar a confiança do mercado de capitais após os recentes acordos

France Presse

Publicação: 17/06/2014 17:25 Atualização: 17/06/2014 19:55

Presidente da Argentina, Cristina Kirchner disse que a Argentina iria honrar seus pagamentos aos detentores de sua dívida reestruturada (Presidência da Argentina / Divulgação via Reuters)
Presidente da Argentina, Cristina Kirchner disse que a Argentina iria honrar seus pagamentos aos detentores de sua dívida reestruturada

Buenos Aires - O ministro de Economia argentino, Axcel Kiciloff, deve revelar nesta terça-feira (17/6) as medidas a serem tomadas pela Argentina após a decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos que obriga o país a pagar em dinheiro sua dívida suspensa com os fundos especulativos.

A presidente Cristina Kirchner garantiu na segunda-feira que a Argentina não entrará em moratória, mas advertiu que não vai ceder ao que definiu como "uma extorsão" dos fundos que chama de 'abutres' porque já haviam comprado a dívida com o pagamento suspenso.

Kirchner não esclareceu as dúvidas sobre o caminho a ser seguido pelo país para cumprir a decisão do tribunal nova-iorquino confirmada pela Suprema Corte Suprema americana, que estabelece que a Argentina tem que pagar 100% de 1,33 bilhão de dólares aos fundos especulativos NML Capital e Aurelius.

Toda a expectativa está voltada para o anúncio do ministro de Economia na coletiva de imprensa marcada para as 21h00 GMT (18h00 de Brasília), quando vai anunciar "as ações a serem tomadas pela Argentina", adiantou o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich.

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A Argentina pode recorrer à decisão Corte Suprema dos Estados Unidos, o que serviria para ganhar algum tempo, ainda que não seja o necessário para derrubar a cláusula que vence no dia 31 de dezembro e em que se compromete a estender qualquer oferta mais vantajosa a 93% dos credores que aceitaram as permutas de 2005 e 2010.

O restante dos credores que não litigaram também podem solicitar o mesmo tratamento, o que elevaria a demanda a aproximadamente 15 bilhões de dólares, mais da metade das reservas do Banco Central estimadas em 28,5 bilhões de dólares.

Este revés acontece em um momento delicado da economia argentina, que tenta ganhar a confiança do mercado de capitais após os recentes acordos com a companhia de petróleo Repsol, com o Clube de Paris e de ter adotado medidas monetárias, entre outras, para dar sinais positivos a potenciais investidores.

Pagar sim, "extorsão" não


A decisão alimentou os temores de que Argentina não escape de uma "moratória técnica" porque os demandantes poderiam conseguir ordens de embargo para que o país transfira para Nova York o valor do pagamento da dívida, o que impediria o país de pagar os credores com quem tem acordos de reestruturação da dívida.

A S&P rebaixou a nota da dívida argentina nesta terça-feira após a decisão dos EUA.

"A Argentina não suspenderá sua dívida reestruturada e quer negociar, mas não quer ser submetida à extorsão", sustentou Kirchner.

Kirchner disse que a Argentina honrará seus compromissos com os credores que esperam cobrar cerca de 900 milhões de dólares no próximo dia 30 de junho com o Banco de Nova York como agente de pagamento.

Os líderes opositores, e inclusive os políticos, que se apresentam como eventuais candidatos à Presidência para as eleições de outubro de 2015 desejaram que o governo negocie um plano de pagamentos e evite o confronto.

"Precisamos abandonar os extremismos e não falar em extorsão", disse o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, que exigiu moderação do governo e recomendou que "explorasse todos os mecanismos, ganhando tempo", mas "deixando de lado a ideia de não reconhecer a dívida".

Em um país fortemente polarizado politicamente, há uma união nacional contra os fundos especulativos.

Outras saídas

Outra possibilidade é que a Argentina peça uma mudança de jurisdição para cumprir seus pagamentos da dívida e evitar o chamado 'moratória técnica'.

"Uma mudança na jurisdição seria um erro importante e só agravaria as coisas", alertou na imprensa o ex-secretário de Finanças Guilhermo Nielsen.

Para Nielsen, a estratégia do governo representa "uma decisão de Estado com implicações para os próximos dois ou três governos da Argentina".

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