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Especialistas alertam para estagnação econômica na América Latina Fatores externos, como a queda de preços das matérias-primas, e internos, como deficiências em infraestrutura, educação e impostos, têm colocado a região no caminho de um crescimento modesto

France Presse

Publicação: 20/06/2014 16:45 Atualização:

Miami - A América Latina corre o risco de entrar em um período de estagnação econômica, com baixo crescimento prolongado que pode dar margem a instabilidades políticas, advertiram nesta sexta-feira (20/6) economistas e analistas em Miami. Fatores externos, como a queda de preços das matérias-primas, e internos, como deficiências em infraestrutura, educação e impostos, têm colocado a região no caminho de um crescimento modesto, estimado pelo FMI em 2,5% para neste ano e em 3% para 2015.

"O risco hoje na América Latina não é o colapso. Com exceção de Venezuela e Argentina, que têm seus próprios problemas, para os outros países o risco é de estagnação, um baixo crescimento que se prolonga demasiadamente para ser politicamente sustentável", afirmou Joydepp Mukherji, responsável pela classificação da dívida soberana na Standard and Poor's. "A previsão para a América Latina é: nublado com possibilidade de chuva", disse André Meier, do departamento para América Latina do Fundo Monetário Internacional, durante evento da Universidade de Miami.

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"Se consideradas as duas variáveis, os desafios externos e os gargalos domésticos, há previsões menos otimistas do que no passado", afirmou. Apesar disso, analistas concordaram em afirmar que a região está em uma posição mais estável do que no passado para suportar as pressões externas. O problema é a "frustração" da população, que, apesar dos avanços, não têm as reivindicações atendidas, como pode ser visto em protestos no Brasil, disse Riordan Roett, especialista em América Latina da Universidade John Hopkins.

"Altas expectativas e fraca resposta do sistema político não é uma boa combinação para os próximos anos", advertiu. A pergunta que deve ser respondida na região é "como acalmar as altas expectativas em tempos austeros?", apontou Meier. O diretor do FMI para América Latina, Alejandro Werner, disse à AFP no mês passado que a região precisa de maiores investimentos e reformas em setores-chave, como infraestrutura e educação, para retomar o caminho do crescimento econômico sustentável.

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