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Com contração do PIB, economia argentina dá sinais de recessão A economia argentina cresceu 4,9% no ano passado, mas o cenário mudou radicalmente. O país atualmente está à beira de uma crise econômica, ou algo pior, se não conseguir evitar que a decisão da justiça americana sobre a dívida em "default" o leve a uma moratória não desejada

France Presse

Publicação: 26/06/2014 21:00 Atualização:

Buenos Aires - A Argentina dá fortes sinais de que sua economia está entrando em recessão, após a contração do PIB por dois trimestres consecutivos. Não há, contudo, indícios de queda no emprego e no consumo, avaliam analistas. Os últimos indicadores do Produto Interno Bruto (PIB) demonstram uma tendência irreversível à contração, de acordo com o instituto oficial de estatísticas, INDEC.

A atividade econômica caiu no primeiro trimestre 0,8% comparada ao último trimestre de 2013, quando também recuou 0,5% em relação ao trimestre anterior. Na medição anual dos três primeiros meses houve um recuo de 0,2%, embora nos três anteriores tenha crescido 1,4%. Em contraste, as vendas nos centros de compras em maio cresceram 27,5% na medição anual, e nos supermercados, 45,6% no mesmo período de comparação.

A taxa de desemprego, que estava em queda, diminuiu 0,8% no primeiro trimestre na medição anual, ao alcançar 7,1%, apesar dos registros de suspensões e demissões na indústria automobilística.

A desaceleração vai continuar

"A desaceleração da atividade econômica se manterá nos próximos meses", segundo um informe elaborado por especialistas da Universidade Torcuato Di Tella, ao qual a AFP teve acesso. A maioria dos analistas considera que o vigor da economia na década entre 2003 e 2013 tem sido profundamente debilitado por razões financeiras, cambiais e salariais.

Um duro golpe na economia foi a desvalorização de 18% em janeiro, sob pressão dos mercados que já não toleravam o que viam como forte atraso na taxa de câmbio do país. O câmbio passou para 8,00 pesos o dólar, e os preços dispararam, com aumentos de 30% a 100% dependendo do produto ou do serviço, enquanto os aumentos salariais em negociações entre sindicatos e empresas não chegaram aos 30% ao ano, segundo analistas. "O que sempre se deve fazer é avaliar que tipo de recessão se enfrenta. Viemos de um ano de consumo muito alto na comparação anual e era bastante provável que diante de qualquer situação negativa (desvalorização, taxas de juros) o consumo diminuísse", disse à AFP Eduardo Blasco, da consultora Maxinver.

Blasco avaliou que "a situação está ruim, mas não é dramática. O emprego está complicado, mas pode ficar pior. O caso das montadoras é o mais óbvio. No curto prazo não vai haver uma recuperação". A indústria automobilística, uma das mais determinantes para o crescimento argentino nos últimos anos, é a que tem tido queda mais forte na produção, devido à sua alta elasticidade.

As empresas fabricantes de veículos, que no ano passado celebraram um recorde produtivo histórico de quase um milhão de unidades, sofreram entre janeiro e maio uma queda anual nas exportações (quase a totalidade se destina ao Brasil) de 24,3% e as vendas no mercado doméstico caíram 32,3%.

Quedas nas reservas

Medidas draconianas como uma alta na taxa de juros e a obrigação dos bancos de se livrarem dos dólares foram usadas para frear a drenagem de reservas do Banco Central, com uma recuperação que as fez subir de 26 para 29 bilhões de dólares desde janeiro. "Até agora verificamos que a drenagem das reservas foi freada na Argentina, mas ao custo do nível de atividade econômica. Hoje, o Banco Central financia o governo recolhendo os dólares do mercado para poder manter o nível de reservas. Isso tem impacto negativo no setor privado. O crédito está paralisado", disse à AFP Dante Sica, da consultora Abeceb.com.

A economia argentina cresceu 4,9% no ano passado, mas o cenário mudou radicalmente. O país atualmente está à beira de uma crise econômica, ou algo pior, se não conseguir evitar que a decisão da justiça americana sobre a dívida em "default" o leve a uma moratória não desejada.

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