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Custo das reformas financeiras derruba o lucro do Banco do Vaticano A reforma da controversa gestão das finanças do Vaticano é um dos maiores desafios para o papa argentino, que prometeu após sua eleição, em março de 2013, colocar ordem no Instituto para as Obras de Religião

France Presse

Publicação: 08/07/2014 11:40 Atualização:

Cidade do Vaticano - O lucro líquido do Banco do Vaticano desabou em 2013, ao passar de 86,6 milhões a 2,9 milhões de euros, em grande parte pelos excepcionais custos do processo de reforma da instituição financeira. O Instituto para as Obras de Religião (IOR), o nome oficial do banco comercial do Vaticano que o papa Francisco decidiu preservar, mas com a realização de reformas, anunciou o resultado em um comunicado, no qual também revela mudanças em sua direção.

A reforma da controversa gestão das finanças do Vaticano é um dos maiores desafios para o papa argentino, que prometeu após sua eleição, em março de 2013, colocar ordem no IOR, com controles mais rígidos na instituição conhecida pelo envolvimento em vários escândalos de lavagem de dinheiro. O IOR atribuiu a queda do lucro em 2013 aos custos da reforma, mas também a algumas operações ruins. Entre estas, cita um caso de perda de 15,1 milhões de euros, sem entrar em detalhes.

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O cardeal italiano Tarcisio Bertone, secretário de Estado de Bento XVI, foi criticado pela imprensa italiana por ter favorecido uma arriscada operação em benefício de um amigo, produtor de televisão católico, justamente pelo valor de 15 milhões de euros. Outra novidade no IOR é que todas as contas de clientes serão controladas a partir de agora, segundo o comunicado.

O Instituto fechou definitivamente quase três mil contas em um "procedimento ordinário": 2.600 eram contas não utilizadas por um longo período e 396 não se encaixavam na lista restrita de categorias admitidas no IOR. Apenas serão autorizados a ter contas no IOR as instituições católicas, os membros do clero, os funcionários ou ex-funcionários do Vaticano (para salários e aposentadorias), as embaixadas e diplomatas credenciados na Santa Sé. O fechamento das contas dos 396 clientes provocou a saída de quase 44 milhões de euros, dos quais 37 milhões foram transferidos para outras instituições financeiras, a imensa maioria na Itália.

Uma nova fase da reforma

Em 31 de dezembro de 2013, o IOR tinha 17.419 contas, contra 18.900 em 2012. Destas, 5.043 eram contas de instituições católicas (80% dos recursos) e 12.376 contas individuais (20%). Além disso, com o início da "fase II" da reforma, o IOR confirma a chegada de uma nova equipe de direção, que vai trabalhar com uma nova estrutura de comando.

O alemão Ernst von Freyberg, nomeado por Bento XVI pouco antes de sua renúncia, deve deixar o cargo. Von Freyberg contratou uma empresa de consultoria, Promontory, para verificar as contas do IOR. Também exigiu nos últimos dois anos a publicação de um relatório anual, fato inédito em 126 anos de existência deste instituto afetado por escândalos financeiros.

Segundo a imprensa francesa, o favorito para substituir Von Freyberg é o francês Jean-Baptiste de Franssu, que dirige uma consultoria de fusões e aquisições, e colabora sem receber nada na reforma econômica do Vaticano há um ano. Apesar da queda no lucro, o IOR contribuiu em 2013 com 54 milhõe de euros ao orçamento da Santa Sé dedicado às obras de caridade e evangelização, um valor igual ao de 2012.

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